Uma turnê é uma locomotiva em movimento

Twin guitars. Olha o Ozzy passando atrás da gente, esse Guilherme Martin dá muito trabalho! Foto de Karina de Lima

Uma banda em turnê é uma locomotiva em movimento, uma entidade dinâmica que se transforma a cada show e vive uma história diferente em cada palco. Há, no entanto, um componente desta entidade chamada ‘turnê’ que é bastante físico: a equipe e o equipamento. Somos cinco músicos na banda, portanto você imagina que entrar numa van e sair para tocar pelo interior de São Paulo, como fizemos no fim de semana passado, é uma coisa tranquila.

Cinco músicos dentro de uma van é tranquilo, sim, mas é claro que não é só isso. Imagine que, junto com esses cinco músicos, vêm várias guitarras, baixos, amplificadores, pedaleiras de efeitos, mesas de som, peças da bateria, ferragens, teclado, estantes, cenário… enfim, é uma parafernália, mesmo o show do Viper sendo um show com uma produção razoavelmente simples, em que o foco é realmente a música. Aí você imagina que, além desses cinco caras (e de suas bagagens pessoais, etc), viajam ainda o motorista da van, a produtora Vera Kikuti, os roadies Ari (cordas) e Ozzy (bateria), o Toninho (segurança), o técnico de som Daniel e algum eventual convidado, vai lá. Aí imagine que todo esse pessoal também têm suas malas pessoais… e aí você constatará que uma van é um veículo, no mínimo, pequeno.

Tudo isso para quê? Para dizer que, mesmo quando há ‘Day Off’, o dia de descanso na turnê em que não há shows, essa tranqueirada toda tem que ficar em algum lugar. Agora imagine que, até no Day Off, a gente tem que levar tudo isso para tocar apenas uma música…

Pois foi o que aconteceu na volta do Rio de Janeiro, na terça-feira passada. Chegamos em São Paulo na quarta, e à noite fomos convidados para tocar no 10º. Prêmio Dynamite, organizado pelo nosso grande amigo André ‘Pomba’ Cagni. Não podíamos recusar, mesmo com todo o cansaço. O Pomba, aliás, diante de todas as coincidências do mundo, foi justamente o cara que nos ajudou a produzir o disco ‘Soldiers of Sunrise’, cujo aniversário de 25 anos motivou toda essa bagunça. Dava para dizer não? Não! E lá vai a van lotada do Viper para o Teatro Sérgio Cardoso, onde tocamos ‘H.R.’, primeira música composta e tocada pela banda. Era uma música só, não deu nem para suar: do jeito que a coisa anda, a gente não precisava nem ter ido: as guitarras teriam tocado sozinhas.

Quinta-feira, 12 de julho, foi um Day Off de verdade, graças ao deus das turnês. Aí é dia de levantar à tarde e praticamente continuar feito um zumbi o dia inteiro. Dia seguinte, tudo de novo: entramos na van e fomos para Bauru. Mas sem esquecer da dupla coincidência, ou talvez não tenha sido coincidência nenhuma, mas uma conjunção de fatores: Sexta-Feira 13 e Dia Mundial do Rock.

A trilha sonora do show de Bauru foi ‘Dia Mundial do Rock’, mas a temperatura no palco foi ‘Sexta-Feira 13’. Quente como o inferno! Não sei se o ar condicionado não estava funcionando, mas pelo menos eu devo ter perdido mais uns dois quilos. Regime na estrada nem sempre é de propósito. No dia seguinte – ou na madrugada seguinte, devo dizer – acordamos e caímos na estrada de novo, desta vez para o festival Araraquara Rock. Sabíamos que este seria um dos maiores shows da turnê, por isso estávamos felizes em tocar para um grande público, em um teatro de arena que me lembrou o Teatro de Dionísio, em Atenas (menos, Felipe!) Guardadas as devidas proporções, claro. Mesmo assim, era um teatro grande, ao ar livre, e tínhamos que fazer um bom show. Dito e feito: foi uma honra saber que colaboramos para o recorde de público dos dez anos do Araraquara Rock: 17.500 em três dias! O show foi simplesmente animal, palco grande, belas luzes, boa plateia… perfeito.

Dormir pra quê? Na manhã seguinte já começamos a viagem de volta para São Paulo, já que o show do domingo, em Jundiaí, é tão perto que poderíamos entrar na van e ir para casa logo depois da apresentação. Outro bom show, se a modéstia me permite. Mas o mais legal foi ter encontrado muitos amigos e fãs na confraternização que já virou esse tal de ‘meet & greet’. Tiramos fotos, autografamos vários discos, reencontramos antigos fãs, conhecemos novos. Não há palavras para agradecer uma pessoa que sai de casa, enfrenta uma fila no frio, compra o ingresso e, quando você pergunta: ‘e aí, gostou do show?’, ela responde: ‘foi um dos melhores shows que já vi na vida!’. Não tem preço para isso, não há nada que pague por você ter feito aquela pessoa feliz durante duas horas e meia da vida. É pouco? É. Mas é o que a gente tem que fazer ao subir no palco: fazer aquelas duras horinhas e meia durarem para sempre.

Fonte: http://www.palavradehomem.com.br/?p=1956

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