Hugo Mariutti – Entrevista exclusiva para o site Vitrola Verde

Hugo Mariutti

Foto: Amanda Louzada

 

“Viver de música no Brasil não é uma das tarefas mais fáceis…”

Hugo Mariutti iniciou sua primeira banda, em 1990. Sua paixão pela guitarra fez com que ele se dedicasse exclusivamente para a música e produção, motivo que o afastou da faculdade de Geografia em 1998, curso que eu estudava com ele. Coincidências a parte, Hugo foi longe! Sua aposta deu certo e aí ele ingressou no conceituado grupo Shaman (formada com ex-integrantes da primeira formação do grupo Angra) por onde excursionou Brasil e exterior. Em 2003 foi eleito quarto melhor guitarrista do mundo pela revista Hard Rock (França); melhor guitarrista do Brasil pela Revista Roadie Crew. Em 2012, foi eleito entre os 70 maiores guitarristas brasileiros de todos os tempos pela revista Rolling Stone. Tá bom pra você? De lá pra cá, Hugo se dedica à carreira de produtor de discos e ainda toca nas bandas Viper, Remove Silence e acompanha André Matos.

Nessa entrevista, Hugo Mariutti, nos relata sobre produção, turnês, estudos, a gravação do disco solo e como foi sua participação no Rock in Rio 2013 tocando com Viper e André Matos.

Confira essa fera das seis cordas!

Cesar Gavin: Como foi tocar no Rock in Rio com André Matos e Viper? Algo inesperado? Algo te surpreendeu?   
Hugo Mariutti: Eu me lembro de tudo do ano de 1985, na primeira edição do festival, quando estava na praia assistindo com meus primos. Eu era muito novo, porém meus irmãos mais velhos já tinham me apresentado ao estilo e com isso ficávamos até tarde para assistir os melhores momentos do festival na TV. Quando fomos convidados para participar deste Rock In Rio passou todo filme na minha cabeça, pois jamais com 9 anos de idade poderia imaginar que estaria fazendo parte da história de um, senão o maior festival do mundo tocando com uma banda que também fui fã. Toquei por diversos lugares, em países diferentes, mas tudo que envolve o Rock in Rio é muito diferente, a pressão, a emoção, e principalmente por estar no nosso país. O que mais me surpreendeu foi ver muita gente em um horário que não era o de “pico” do festival e a quantidade de gente que não conseguiu entrar em tempo de nos assistir devido a fila. Isso apesar de ser triste, pois muita gente ficou do lado de fora, mostra todo carinho que o público teve com a banda André Matos e com o Viper.

Cesar Gavin: Sobre sua carreira de produtor, pode relatar como começou e onde estudou? 
Hugo Mariutti: Eu sempre fui uma pessoa que em todas gravações que participei, desde demotapes até CDs, era o primeiro da banda a chegar no estúdio e o último a sair, pois sempre gostei muito desta outra parte que não era apenas de tocar o instrumento, queria sempre saber como eram feitos os processos, mas o primeiro curso que fiz foi na escola IAV aqui em SP, se não me engano em 1998 ou 1999. Coincidentemente, um ano depois já estava tocando com o Shaman, e tive minha primeira gravação para valer e fora do Brasil. Nesta gravação, tive a oportunidade de trabalhar com o produtor Sascha Paeth, onde aprendi muitas coisas e que na minha opinião, não se aprende nos cursos, pois ali você pode ver tudo na prática, com uma outra cultura, etc. Depois disso, trabalhei com outros grandes produtores como Guilherme Canaes, Phillip Collodeti, aqui do Brasil, e com o grande produtor americano Roy Z. Acho que depois de toda esta convivência com estes grandes nomes pude pegar uma certa experiência e começar a fazer trabalhos na área. Hoje em dia além do trabalho como produtor de algumas bandas, faço este trabalho em uma produtora de áudio chamada LOUD aqui de São Paulo, que trabalha com a parte de propagandas, e que tem profissionais de um nível altíssimo, que me ensinaram praticamente tudo dentro deste universo.

Cesar Gavin: Como você concilia os trabalhos das bandas que você toca? 
Hugo Mariutti: Isso requer muita organização, pois além do Viper e André Matos, toco no Remove Silence que é minha outra banda, além deste trabalho como produtor, ou seja, estou comprando horas para minha semana (risos). Sempre definimos tudo com antecedência e de maneira bem organizada, para que possa dar atenção a todos os trabalhos. Não falo que seja fácil, mas não posso reclamar, pois viver de música no Brasil não é uma das tarefas mais fáceis, ou seja enquanto tiver bastante trabalho é um ótimo sinal.

Cesar Gavin: Além do Remove Silence, você está produzindo um disco solo, certo?
Hugo Mariutti: O Remove Silence já lançou três trabalhos, inclusive um deles foi indicado para o Grammy USA, se não me engano em 2009, e que faz um som diferente do que faço nas outras bandas. Neste ano vou lançar meu primeiro trabalho solo depois de mais de dez trabalhos lançados com banda. Não será um trabalho instrumental, característico de guitarrista, sem desmerecer o estilo, porém não tenho muito esta linguagem e fazer um CD nestes moldes, seria forçado, acho que nem conseguiria, e principalmente pouco natural para mim, por isso coloquei outras influências que tenho para fazer uma coisa bem diferente do que faço nas bandas. O título será “A Blank Sheet of Paper”, e até o fim do ano estará no mercado.

“Pra você criar uma música, tentar criar uma linguagem diferente, é muito importante conviver em outros meios e ter outros assuntos

Cesar Gavin: Quando estudávamos juntos na faculdade de Geografia, você disse pra mim que iria desistir do curso pra tocar guitarra e eu disse a você: não faça isso, termina e depois pensa na música. Hoje vimos que eu estava errado. Você lembra disso? E como vê isso depois de tanto tempo que se passou desde sua dedicação para carreira? 
Hugo Mariutti: Lembro sim desta conversa, e olhando hoje não acho que você estava errado, pois realmente gostaria de ter terminado o curso, falaria a mesma coisa para meu filho. Penso que a faculdade de Geografia, foi extremamente importante para meu desenvolvimento até como músico, pois pude conhecer coisas bem diferentes que ajudaram muito na formação de um estilo. Pode parecer que estou “viajando”, mas muitos músicos querem viver música 100% do dia, estudando técnica, teoria, etc. Claro que isso é importante, e eu sempre me dediquei demais a música,  mas acho que para você criar uma música, tentar criar uma linguagem diferente, é muito importante conviver em outros meios e ter outros assuntos. Vejo muita gente que só conhece este universo, que não sabe nem falar de outro assunto, e isso acho extremamente prejudicial para o músico e chato para quem esta em volta. Eu gostava muito da faculdade, porém infelizmente ou felizmente as turnês não deixaram eu terminar, no entanto, faltaram poucas matérias e quem sabe um dia não termine?

Cesar Gavin: Sobre o Shaman, como foi pra você o sucesso no Brasil e no exterior?
Hugo Mariutti: O Shaman foi uma banda que teve um sucesso extremamente rápido na época. Com um CD, já estávamos com uma turnê gigantesca, esgotando ingressos para shows em casas como Credicard Hall, tocando em festivais tradicionalmente de música Pop, com música em novela, filme, etc. Acho que foi uma conjunção de fatores que levaram a este sucesso, pois era uma época em que o estilo de Metal que fazíamos estava extremamente em alta, tínhamos realmente bons trabalhos e nomes de peso na banda como André Matos e  Luis Mariutti. Fora do Brasil, tivemos muitas conquistas também, ganhando prêmio de melhor álbum na França, prêmio no Japão. Foi a banda que me projetou para o mercado, trabalhamos muito para chegar onde chegamos, formamos juntos a banda, inclusive a primeira música lançada pelo Shaman era de minha autoria junto com o André, “Time Will Come”, porém por problemas internos, a banda acabou parando.

Fonte: http://www.vitrolaverde.com.br/2013/09/entrevista-com-o-guitarrista-hugo.html

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