2001 – Entrevista de Andre Matos para Heavy Melody

Parte I – ANGRA: Os melhores momentos, os reais motivos da dissolução e sua opinião sobre o futuro da banda.

Faça um breve comentário sobre sua história e trajetória do Angra. Quais foram seus melhores momentos, os shows mais importantes?

André Matos: Olha, cronologicamente falando teve vários momentos de pico mesmo, os momentos mais importantes que a gente passou com o Angra. Eu posso ressaltar o primeiro show de todos, que foi no Black Jack, ainda em 92, que foi a estréia do Angra e muita gente ainda não sabia o que era e foi o recorde de lotação do Black Jack de todos os tempos, então isso foi uma coisa muito legal. Depois todo aquele período em que o Angra tocou muito no Aeroanta, também em São Paulo: foram vários shows no Aeroanta, a gente cada vez tentava caprichar mais, ainda era aquela banda que estava crescendo e tal. A primeira turnê na Europa também foi uma coisa marcante porque a gente pastou bastante lá e passou por várias coisas difíceis, mas no final saímos vitoriosos da turnê. Daí por diante a coisa só foi crescendo, quer dizer, o primeiro show que nos fizemos aqui em São Paulo no Palace foi muito legal, todas as turnês pelo Brasil inteiro que a gente teve a oportunidade de tocar, desde o Sul até o Norte, todos os lugares, a legião de fãs que a gente criou no país inteiro, no Nordeste, interior, Rio de Janeiro, Minas, Sul, Paraná, enfim. O ponto culminante, o top mesmo da carreira do Angra foi o show que a gente fez em Paris, no Zenit, quando eu tive a honra de receber o Bruce Dickinson como convidado, para mim aquilo é uma coisa impagável, uma coisa que até hoje na verdade eu não acredito que aconteceu e eu falo isso muito mais como fã do que como músico e isso acho que foi a grande recompensa de todos esses anos, depois disso realmente eu já poderia morrer ali que eu estava feliz.

 

Comente separadamente cada um dos CDs da banda e faça uma comparação entre cada fase da banda.

André Matos: Vamos lá:

Soldiers of Sunrise: Quando eu ouço “Soldiers” eu percebo que eu era um cara estreante, novato, completamente verde naquilo que estava fazendo, mas fazendo aquilo com uma puta garra, cara. Naquela época eu era muito mais um fã do que um músico, a idéia que eu tinha na cabeça era um dia chegar no nível de ídolos que eu admirava. Então eu era um clone de alguns cantores que eu admirava naquela época, tipo Bruce, Rob Halford, Eric Adams, por aí vai. Então o “Soldiers” foi praticamente minha primeira experiência no estúdio, eu tinha na época uns 15 anos, então era um adolescente fazendo aquilo que gostava, super feliz de estar podendo gravar o primeiro disco. Eu me lembro muito bem da emoção que eu tive quando segurei o disco na mão pela primeira vez, eu não podia acreditar que a minha voz estava ali marcada naquele vinil e foi uma emoção muito grande. Então tudo isso me lembra de um momento muito mágico, muito nostálgico até, do início de carreira e tal.

Theatre of Fate: O “Theatre” foi uma coisa que já começou a dar um salto mais profissional, uma coisa que o Viper fez aqui no Brasil numa época que ninguém estava fazendo isso, uma produção grande, com um produtor de fora. Eu me lembro que eu estava mais ainda envolvido com música clássica também, eu tinha acabado de entrar na faculdade de música e comecei a escrever uns arranjos para o disco, com coisas clássicas e tal. A gravação em si foi muito legal, foi inesquecível, acho que também rolou um clima muito legal naquela época e o Viper já estava mais consolidado, e depois do Theatre realmente ele explodiu no Brasil, para uma banda daquele nível no Brasil era uma coisa bem difícil. Depois eu saí do Viper por questões que já foram explicadas, quer dizer, a banda queria mudar o estilo, já não queria mais seguir fazendo aquilo que estava fazendo no “Theatre” e aquilo era realmente o que eu estava afim de fazer e por isso rolou o Angra.

Angels Cry: O primeiro disco, Angels Cry, foi mais ou menos a continuação daquilo e aí realmente foi a primeira vez que a gente gravou fora. Também foi o primeiro disco da banda, mas já com bem mais experiência e foi um marco, foi o disco que mais vendeu do Angra até hoje, por causa das músicas e acho que também aquela energia da banda iniciante, da banda estar no começo junta e estar querendo fazer a coisa também rolou muito.

Holy Land: O Holy Land na verdade é o disco que é meu xodó, assim, no ponto de vista musical. Acho que é trabalho mais completo que o Angra já fez e mais criativo, o que a gente foi realmente fundo, a gente se dedicou mesmo a composição e gravação, a temática, é um disco conceitual e tal.

Fireworks: E o Fireworks foi uma experiência já bem mais em nível profissional, a gente fez tudo lá em Londres com o Cris Tsangarides e aprendemos muita coisa assim, de como se comportar num estúdio, de como saber tirar o som por si próprio e foi uma coisa bem legal
E agora no SHAMAN a gente está querendo dar início a uma nova fase, e até começar a co-produzir o próprio disco, quer dizer, a gente começaria a gravar o disco por aqui e entraria com uma co-produção de algum produtor.

 

Você é muito querido lá fora. Como as pessoas de seu contato reagiram com sua saída do Angra? Quanto aos fãs, imprensa e bandas amigas, o que acharam sobre os motivos?

André Matos: No primeiro momento foi muito difícil para todo mundo entender, porque os motivos eram muito mais internos do que alguma coisa que estivesse declarada, uma briga declarada ou coisas que geralmente acontecem entre as bandas. Na verdade o motivo foi uma coisa mais particular de todos nós mesmos, o que aconteceu foi que o clima entre a banda estava ficando insuportável, estava ficando muito ruim devido a uma série de fatores que nem vem ao caso aqui pois já entra para um lado mais burocrático da coisa. Mas essa coisa do clima entre a banda estava realmente prejudicando tudo, principalmente o lado musical, e muitas pessoas do público, os fãs, já estavam percebendo isso, já estavam indo aos shows e achando que alguma coisa não estava rolando legal no palco, alguma falta de sintonia estava sendo bem aparente entre a gente…agora que realmente a gente se dá conta disso, com esse recomeço, com essa banda nova e tudo, a gente vê a diferença que isso está causando na gente na hora de tocar, a garra que a gente tem para tocar e outra, é outro tipo de motivação. E o público não é burro, o público percebe tudo isso e os fãs com os quais a gente pôde conversar nesses poucos shows que o SHAMAN já fez aqui no Brasil vieram falar exatamente isso para gente, que eles sentiram uma diferença enorme e que eles perceberam que o Angra já estava nas últimas porque o clima estava muito estranho, eles perceberam isso no show. Então, assim, isso é legal porque é um reforço para a gente no sentido que fizemos aquilo que estava correto fazer, mesmo que num primeiro momento fosse muito incompreensível para todo mundo, muita gente ficou triste, muita gente não entendeu, teve gente que até fez ate abaixo-assinado para a banda voltar, etc. Eu agradeço até a atitude de todas essas pessoas, pois isso demonstra um amor à banda, amor à música que a gente fazia e é muito difícil você explicar para eles num primeiro momento o que estava acontecendo, mas acho que agora a ficha está caindo para todo mundo e graças a Deus está todo mundo do nosso lado e o público é muito fiel. Passado este impacto inicial, que na verdade foi muito maior para nós mesmos do que até para o público – isso que eu queria que todo mundo soubesse, que não foi uma atitude fria e calculista de nossa parte, demorou muito tempo para a gente tomar essa atitude porque envolvia um lado emocional muito grande, mas a partir do momento que tomamos essa atitude, não somos homens de voltar atrás na palavra e realmente agora é olhar para a frente, para o futuro e tentar fazer uma coisa melhor do que a gente estava fazendo.

 

Como descobriram que os CDs do Angra estavam sendo pirateados?

André Matos: De fato a pirataria estava rolando solta. É muito frustrante você trabalhar mais de 10 anos numa banda e perceber que 70% do que você está vendendo de discos são discos piratas e a banda não tem um retorno disso, a banda não tem dinheiro para reinvestir nela própria, e para melhorar as produções etc, que é nossa preocupação principal. A gente não tem a preocupação de ficar rico, milionário nem nada, agora, você ter a grana para poder reinvestir numa gravação melhor, para investir em instrumentos, para investir em pesquisa de músicas novas que você vai fazer e etc, é muito importante para qualquer grupo. E não é justo que você esteja vendendo aí perto de 100 mil cópias no Brasil e não esteja vendo a grana de nem 20 mil, por isso eu acho que para nós foi muito importante a gente romper com toda essa estrutura que foi criada em torno no Angra e que estava difícil de romper, mesmo porque não eram todos membros da banda que estavam concordando com isso. Então a nossa saída foi essa, foi realmente a gente dissolver a banda e criar uma banda nova, com um nome diferente, uma vez que o nome Angra tinha sido registrado pelo próprio empresário, é um nome que pertence ao empresário.

Mas vocês tem provas dessa pirataria? O que pretendem fazer a respeito?

André Matos: Olha, o primeiro indício que a gente teve na verdade não foi nem no Brasil, foi mesmo até no México quando a gente estava tocando lá, onde, curiosamente, quase todos os discos que a gente pegou para assinar em tarde de autógrafos eram discos Argentinos. Achamos muito estranho discos Argentinos no México e quando a gente descobriu que os discos Argentinos eram vendidos na Cidade do México por um preço de US$5,00 cada um, a gente chegou à conclusão que isso seria impossível…se você fizer as contas, você não pode importar um CD de um outro país, pagar o frete, pagar os impostos, pagar os direitos autorais e vender por um preço de R$10,00 um disco. Então só poderia ser pirata e quando a gente foi à fonte, quer dizer, se esses discos são realmente Argentinos então deveria constar na contabilidade da fábrica Argentina, e isso não constava. A própria fábrica Argentina, a gravadora Argentina no caso, veio com uma informação que nós vendíamos 2 mil cópias na Argentina apenas. Olha, parece que está escrito palhaço na nossa cara! Porque, quer dizer que a gente vende 2 mil cópias na Argentina e conseguimos colocar 6 mil pessoas num concerto em Buenos Aires? Tem certas coisas, que, assim, eu acho que se as bandas não tomarem consciência e não tiverem coragem de romper com uma estrutura podre que está aí, eles vão continuar sacaneando todas as bandas. Então, é uma mensagem que eu dou, eu acho que a gente foi bem corajoso de fazer isso mas estamos tendo uma recompensa positiva e é uma mensagem que eu dou para todo mundo, ficar bem esperto, de olhos abertos e isso é o nosso trabalho e a gente tem que valorizar nosso trabalho. Sem dúvida, não só nós como todas as bandas que se viram prejudicadas por isso, nós estamos nos unindo para buscar as provas e para conseguir realmente enquadrar essas pessoas que agiram desonestamente com a gente. Eu estou falando de bandas estrangeiras, quer dizer, todos eles, desde Rhapsody, Stratovarius, GammaRay etc.

Parece que bandas como Stratovarius e Royal Hunt já haviam desconfiado ser vítimas desta máfia Sul Americana, certo?

André Matos: Perfeito! É notório, os caras vêm para tocar aqui e ninguém é burro. Por exemplo, o Stratovarius, eles vem, eles enchem uma casa como o Via Funchal com 5 mil pagantes e na hora de receber os direitos das músicas, na hora de ver as vendas dos discos, é um número irrisório. Então, assim, eu acho que ninguém é bobo e estamos todos juntos nessa para moralizar esse negócio aqui. Eu acho que o Brasil é um mercado lindo, é um mercado enorme para Heavy Metal, tem um potencial fodido, tem um potencial de virar um circuito super constante de shows, não estou falando só do eixo Rio – São Paulo, estou falando do Brasil inteiro, você tem condições de realizar concertos constantes, de vender discos, de criar uma indústria legal aqui com “gente honesta”. Então é por isso que a gente está batalhando e a gente está realmente vestindo essa camisa aí.

Mas porque então o Stratovarius teriam aceitado vir tocar novamente no Brasil mesmo sabendo dessa suposta “máfia”?

André Matos: Porque eles ainda precisam de provas dessa questão toda da pirataria. Todo mundo sabe que existe, todo mundo sabe que está rolando, mas é muito difícil pegar quem está fazendo isso no pulo. Enquanto isso, evidentemente um banda como o Stratovarius não vai deixar de vir aqui, fazer um super concerto, agradar os fãs, que na verdade não tem culpa nenhuma do que está acontecendo. Pois é, mas eles não têm provas de que são essas pessoas, então assim, seja quem for que esteja fazendo isso, vai ter que pagar caro por isso, mas quem é, a gente ainda não sabe.

Qual seu relacionamento atual com o seu ex-empresário e o fã-clube do Angra?

André Matos: Nenhum.

Você acredita que a Rock Brigade venha a boicotar matérias sobre o SHAMAN, ou mesmo que venham a fazer críticas tendenciosas, já que a revista é de propriedade de seu ex-empresário?

André Matos: Eu espero que não, porque isso seria o que pode se esperar de um veículo antigo na praça e reconhecido como a Rock Brigade, então eu espero que o profissionalismo deles esteja acima de questões pessoais ou empresariais que envolvem banda, esse tipo de coisa. Quer dizer, eu acho que a revista é uma coisa, e o lado empresarial da produtora Rock Brigade é outro, então eu espero ter espaço na Rock Brigade como em qualquer outro tipo de veículo, é isso que eu espero.

Da formação que leva o nome “Angra”, restaram apenas os guitarristas Rafael e Kiko Loureiro. Na sua opinião, qual o reflexo que esta drástica mudança na formação original do banda, pode causar para a personalidade musical típica da composição do Angra?

André Matos: Acho que vai faltar muito, vai faltar 70% da banda na verdade, pois no processo de composição, por mais que um de nós compusesse uma música, na hora de arranjar a música era todo mundo junto, então agora vai depender muito também dos novos integrantes deles para opinarem na composição e eu acho que eles vão ter mais problemas com isso do que a gente na verdade, porque a maioria ficou do lado de cá.

Como está sendo seu relacionamento atual com Rafael e Kiko Loureiro?

André Matos: Infelizmente não está sendo! Eu acho que o clima ficou muito pesado na dissolução da banda e eu prefiro realmente esperar a poeira abaixar para poder falar com eles numa boa. Eu não guardo nenhum tipo de rancor deles, eu acho que eles estão no direito deles de fazer suas próprias opções. Não foi por falta de alerta, nós tentamos por várias vezes conversar com eles enquanto ainda era tempo, descobrir uma saída mais inteligente para a banda, todo mundo junto, mas não houve realmente interesse da parte deles e eu acho que cada um é responsável por aquilo que faz. Então se eles acreditam que este é o caminho deles, paciência, desejo boa sorte, mas isso mostra que o lado deles não tem nada a ver com o nosso lado e não estamos tendo nenhum tipo de relacionamento porque na verdade tudo isso foi uma decepção muito grande, para mim especialmente, descobrir outros lados nas pessoas que a gente não espera, mas a vida é assim mesmo. Não desejo nenhum mal para eles, quem sabe um dia mais tarde poderemos até sentar e conversar sobre tudo isso que aconteceu.

O que acha sobre a escolha de Eduardo Falaschi? E o boato sobre a especulação de Fabio Lione(Rhapsody)?? Você acha que assim como ocorreu no Sepultura, a escolha de um substituto gringo pode ser preferência da gravadora/empresário?

André Matos: Olha, eu realmente não sou a pessoa mais indicada para opinar, eu acho que agora a decisão é deles. Desejo boa sorte e que as pessoas que eles tenham escolhido fiquem contentes de estar tocando com eles também porque isso é o mais importante. Essa questão do estrangeiro, eu acho uma besteira, eu não acho que o estrangeiro tenha mais valor que um brasileiro, muito pelo contrário, eu tenho visto muito mais talentos aqui no Brasil do que lá fora, então eu acho que esse tipo de coisa que aconteceu com o Sepultura e tal, na verdade não tem que ser uma coisa obrigatória, não. Se for uma coincidência de você conhecer alguém lá fora e essa pessoa ser uma amigo ou algo do tipo, tudo bem, mas não tem que haver esse tipo de preocupação. Se eu tivesse que escolher um músico para minha banda, eu primeiro iria escolher aqueles que estão mais próximos de mim, aqueles que falam minha língua e enfim, no meu caso por exemplo, o que rolou de eu ter uma parceria com o estrangeiro no Virgo, onde eu é que sou o estrangeiro, já que sou o único que não é alemão na banda, mas isso já vem de uma amizade de muitos anos, então acho que se justifica, sem dúvida. Não interessa de onde você é, a criatividade tem que estar em função disso. Mas esse tipo de preocupação eu acho realmente uma “pagação de pau” besta e eu não sou de acordo com esse tipo de coisa. Quanto ao Edu, eu acho que tem alguns vocalistas aqui no Brasil que se destacam bastante, então o Edu é com certeza um deles. Eu já tive até a oportunidade de cantar junto com ele numa participação que a gente fez num disco de um guitarrista de Santos, o Rodrigo Alves, e foi bem legal, eu acho que ele está num nível super profissional e a ele eu desejo muita boa sorte, que eles se divirtam bastante.

Assim como Freddie Mercury no Queen, Bruce no Iron ou Halford no Judas, muitos consideravam você a alma do Angra, assim como no Viper. Qual sua opinião sobre o futuro do Angra com os novos integrantes, e a reação do público e da mídia com relação isto?

André Matos:  Eu não gostaria de opinar nisso não porque na verdade não é mais da minha conta o que vai acontecer com o Angra daqui para a frente. Então, assim, eticamente falando, eu só posso desejar boa sorte para eles. Agora, pessoalmente falando, se eu fosse eles eu mudaria de nome, não é só pela minha saída da banda, porque se tivesse saído somente um membro, mesmo que seja o vocalista, sempre é substituível, existem até alguns casos de êxito, de algumas bandas que substituíram o vocalista e se deram bem, é o caso do AC/DC por exemplo, o caso do Sammy Hagar no Van Halen e algumas outras. Às vezes você consegue realmente uma figura carismática, que não tem muito a ver com o cara anterior e que consegue emplacar. Mas no caso do Angra, o problema maior é que não foi só o vocalista, foi o vocalista e a cozinha inteira, o Ricardo e o Luís, e que são caras que são muito carismáticos, são muito únicos naquilo que eles fazem também, então fica muito difícil substituir três caras ao mesmo tempo e querer convencer com um nome que a banda tinha antigamente. Por isso, se eu fosse eles eu mudaria de nome, como a gente fez, a gente resolveu abrir mão do nome e partir para uma vida nova.

Parte II – SHAMAN: Apresentação da nova banda aos velhos fãs, os primeiros shows, os próximos passos.

O que os fãs do Angra podem esperar de sua banda atual?

André Matos: Podem esperar aquela mesma proposta que já estava difícil de continuar levando no Angra por causa da falta de sintonia que a gente estava tendo, então aquela proposta vai ser levada a diante agora e a gente está dando o sangue pela banda e sempre pensando muito nos fãs, no que eles esperam da gente musicalmente também e tenho certeza que não vai desapontar ninguém. A gente está seguindo basicamente o mesmo estilo, acrescentando algumas coisas novas bem interessantes e fazendo a coisa com muita garra, com muita vontade, o que é o principal. Eu acho que é isso que já deu para perceber nos shows e também na própria gravação da demo, a música está com uma vibração bem positiva, com um astral bem diferente. Então está uma coisa bem para cima, uma coisa bem positiva que eu acho que é característica do SHAMAN agora.

 

Sobre a escolha do nome SHAMAN, lhe soa tão bem quanto Angra ou Viper?

André Matos: Eu acho que o nome foi uma escolha bem feliz na verdade, porque a gente estava na dúvida num monte de coisa e preponderou aquela mesma filosofia que tivemos na época de escolher o nome Angra, ou seja, a gente queria um nome que tivesse relação com a nossa cultura e que soasse bem em qualquer língua. Então você pode falar SHAMAN aqui no Brasil, que existe a palavra de fato, escrita da maneira brasileira, com X, mas a maneira como escrevemos e como se escreve em inglês é a mesma palavra, que significa Feiticeiro, Mensageiro dos Deuses, o Representante das Divindades, e o curandeiro. Enfim, o xamanismo é uma pratica milenar, desde a Ásia, na Europa, os índios daqui, e uma coisa que acaba unindo todas as culturas até mais do que era a proposta do nome Angra; o SHAMAN engloba um pouco mais e é um nome que surgiu de uma música que eu fiz na época do Holy Land, que foi a música The Shaman, que falava exatamente disso, falava do curandeiro que ressuscita um índio, um guerreiro morto, e tudo isso é uma temática muito interessante para a gente porque essa função de curar as pessoas na verdade é a função da música, você escuta música muito por causa disso, para se abstrair dos problemas e do mundo e tal, então a música te transporta para um outro mundo. Também até para curar nossas próprias cicatrizes, teve muita coisa que a gente, depois de passar por todo esse processo, ainda carrega dentro da gente e tem que põr para fora, então esse processo de catarse mesmo, vamos curar isso através da música, com certeza. 

 

Quanto ao som, seria exatamente a mesma proposta do Angra?

André Matos: A proposta musical não é exatamente a mesma, mas 80%. Se você tirou três membros do Angra, que era a maioria na verdade, fica muito difícil você mudar o estilo completamente, não é essa nossa proposta realmente. Acho que muito daquele estilo do Angra fomos nós três mesmos que criamos, e a gente pretende continuar com isso, mas talvez um Angra mais da época do Holy Land, que é uma coisa que a gente deixou para trás, a gente foi fazer o Fireworks, uma experiência diferente, que foi muito legal, mas acho que o auge da criatividade do Angra ficou mesmo na época do Holy Land. E o SHAMAN agora vai tentar retomar isso, não tanto a timbalada, as misturebas e tal, uma coisa até muito mais profunda, menos assim festiva, vamos dizer, mas sim uma coisa muito mais profunda e que tenha a ver com o misticismo, que é o lado do Holy Land que pegou mais, as letras, os climas, nem tanto os batuques em si, que são mais um enfeite do que a essência da coisa. Mas a idéia do SHAMAN é ir fundo nesse lado esotérico, no lado místico da coisa que tem muito para ser explorado e a própria entrada do Hugo na banda trouxe muito dessa raiz mais progressiva para a banda, mais melódico, mais progressivo, um pouco mais musical até. Um pouco menos técnico e mais melódico e muito mais pesado. O fato de você ter uma guitarra só deixa a banda mais pesada, por incrível que pareça. A única guitarra que está tocando é mais consistente, ela é mais pesada, fica muito mais coesa a cozinha toda da banda. E o Hugo é um cara que, apesar do lado progressivo dele, originalmente veio de uma banda thrash, Wardeath, na época do únicio do Angra, inclusive ele tocava e cantava, estilo James Hetfield e por aí, estilo Megadeth, então ele tem uma pegada thrash muito forte. E isso é interessante porque ficou esse Heavy melódico, algumas coisas rápidas ainda, mas com uma pegada mais thrash e alguns toques de música progressiva mais viajante e tal. Eu acho que a mistura está bem legal, estou bem satisfeito com essa nova vertente que a gente está seguindo, sem esquecer as influências antigas, da música clássica e tal, da próxima música folclórica, e por aí vai.

 

Quando pretendem lançar um CD? Já foram especulados por gravadoras de fora? Também será lançado no Brasil?

André Matos: Estamos já negociando com gravadoras tanto de fora quanto daqui também. Na verdade a gente pretende dar prosseguimento a essas negociações o quanto antes para poder definir data de gravação, etc. Enquanto isso, estamos trabalhando as músicas, já tempos praticamente material inteiro para o disco, só falta agora dar uma arranjada melhor nas músicas e trabalhar elas com um pouco mais de calma. Sobre o lançamento, a gente está prevendo para o final do ano, talvez Outubro ou Novembro, por aí.

Você já teria algum palpite de alguma música do SHAMAN que possa virar um hit?

André Matos: Como falam, às vezes a música que acaba rolando é aquela que você menos espera e aquela que você bota mais fé acaba não ficando legal para o disco e foi o caso que aconteceu com Carry On do Angra, por exemplo, que a gente estava quase jogando fora no final da gravação e de repente deu uma luz lá que a gente achou a solução para a gente fazer a música ficar legal e aí ela rolou. Então eu não arrisco mais palpite nenhum, eu acho que só dá para falar isso depois que tiver a bolacha na mão mesmo.

Como poderia descrever esses dois primeiros shows com o SHAMAN?

André Matos: Foi uma emoção muito forte, aquela sensação de estar recomeçando e ter uma responsabilidade de reconquistar seu público. O público foi fenomenal, foi demais, tanto em Recife quanto em Curitiba, o público tem muito carinho por nós e isso é uma coisa que conta muito, que marca muito, e a única coisa que a gente pode fazer é retribuir isso quando está lá em cima do palco. Então acho que a gente começou com o pé direito total e estamos embalados, já programando o show que vai rolar aqui em São Paulo no Via Funchal.

O SHAMAN tocará covers em seus shows? Quais?

André Matos: Olha, nós já começamos, nos shows que a gente fez aqui no Brasil – já tocamos covers do Iron Maiden, que era uma coisa que estava mais fácil de a gente tocar, “Run to the Hills” e “Flight of the Icarus”, que inclusive tocamos com o Bruce Dickinson lá em Paris e até por uma questão emocional eu gosto de tocar essa música que me lembra aquilo, que marcou um dos meus melhores momentos no Angra. E, assim, o Iron Maiden é uma coisa que sempre é pedida nos shows, em função da semelhança da minha voz e tal, o pessoal gosta de ouvir. Um outro que a gente provavelmente vai voltar a tocar em breve pode ser “Painkiller”, que a gente já gravou com o Angra para o tributo do Judas Priest. Mas existem também outros covers um pouco mais secretos que são até mais interessantes, que provavelmente já vamos tocar no show de São Paulo. Também gosto muito de algumas músicas do Helloween, como por exemplo “Eagle Fly Free”, tem um pique muito legal, tem muita pegada e eu gostaria de tocar esta algum dia.

Você acha que além das músicas do Angra agora você poderia voltar a tocar algo do Viper nos shows do SHAMAN?

André Matos: Já rolou!! Tanto no show de Recife quanto em Curitiba nós tocamos “Living for the Night” e foi um sucesso, ficou perfeito! A galera que estava esperando 10 anos para ouvir essa música chorou! E é muito legal pois para mim é emocionante também. A idéia é tocar inclusive sons mais antigos, como “Soldiers”, por exemplo. Porque a questão é a seguinte, apesar do SHAMAN já ter seu repertório próprio, acho que neste momento que estamos fazendo um show antes do disco, seria muito chato para o público ir num show nosso e só ouvir músicas novas e que não conhece, então nós estamos tocando 4 músicas novas e o resto do repertório são as músicas do Angra que eu compus, que o Ricardo compôs e que na verdade são a maioria das músicas, você tem aí “Carry On”, “Wings of Reality”, “Lisbon”, “Nothing to Say”… Então seriam essas músicas, as quatro do SHAMAN e os covers. O show está grande, com quase 2hs e bem completo. Com certeza o público vai sair dali satisfeito.

Sobre este primeiro show em São Paulo, o que seus fãs paulistas podem esperar?

André Matos: O público pode esperar exatamente o que viram na última vez que fizemos um show com o Angra juntos e ainda mais, pois vamos tocar quatro músicas novas e vamos vir com a produção completa do show, enfim, todo o cenário e toda a equipe que trabalhava com o Angra vai continuar com a gente também, continua fiel ao SHAMAN e vamos tocar coisas diferentes, que a gente não tocava há muito tempo, como “Living for the Night” do Viper e algumas boas surpresas, então acho que esse show vai dar o que falar mesmo!

Sobre planos futuros, quais seus próximos passos?

André Matos: Fazer show enquanto trabalhamos as músicas novas. Primeiramente no Brasil depois uma turnê, um show na França, em São Paulo e depois uma turnê latino-americana, que vai da Argentina até o México. Quando voltarmos da tour latino-americana, pretendemos estar com os contratos fechados para gravação do disco e começar a gravação aqui no Brasil, terminando talvez de gravar e mixar na Alemanha. No caso do Virgo, meu projeto paralelo, o lançamento está previsto pra Setembro e provavelmente uma turnê a partir no começo do ano que vem. Sobre o show da França, vamos tocar num grande festival em Paris dia 31 de Março ao lado do Rhapsody e Savatage – aliás, o Savatage vai abrir para a gente, isso é uma puta honra para nós!

Parte III – PROJETOS PARALELOS: Conheça tudo sobre o Virgo, suas participações no Avantasia, Hamlet e outros projetos.

Aquele projeto de regravar a “Soldiers” e fazer um tributo para as primeiras bandas de metal nacional, como Harppia, Virus, Platina, Centurias, Performances, Avenger, Karisma, Made in Brazil, Mamoth, você ainda pretende dar seqüência?

André Matos: Porra meu, isso é um projeto muito legal que inclusive a gente poderia pensar para o futuro mesmo. O próprio SHAMAN, depois que lançar o primeiro disco, ou o segundo, não sei, pois primeiro a banda tem que se restabelecer mais no cenário, com seu nome novo e tal. Mas é uma idéia que eu gostaria de conversar bastante com os meus colegas para a gente levar adiante, pois na verdade todos nós viemos desse berço aí, cara, principalmente eu, o Ricardo e o Luís, o Hugo já é um pouco mais novo. Mas a gente se encontrava já quando era pivete na Praça do Rock, Fofinho, Mambembe, Teatro Lira Paulistana, sempre onde tinha evento a gente estava lá, e eram essas bandas que rolavam, então esses caras eram meus ídolos quando eu tinha uns 14 anos e por aí vai. Por isso seria muito bacana poder regravar eles e soltar um disco algum dia com isso aí.

 

Falando nisso, você havia citado durante nossa entrevista anterior que Michael Weikath havia lhe convidado para um projeto paralelo. Este projeto ainda está de pé?

André Matos: Inclusive eu encontrei com o Michael lá fora, agora no lançamento do Avantasia, e teve uma festa com a apresentação do Tobias Sammet, enfim, um coquetel com entrevista dele, entrevistaram todos que participaram também, e o Weikath estava lá junto porque é amigo do pessoal e tal, e a gente voltou a comentar sobre isso e ele foi muito legal comigo. É engraçado como as coisas mudam, como o mundo da voltas, pois daquela época que lançamos o Angels Cry, ele falava mal do Angra, eu ficava puto e revidava, não sobrou nada na verdade. Ele até chegou para mim e falou: “Porra, eu fiquei super chateado com o que aconteceu com vocês, eu queria até oferecer meu apoio para você. Se você precisar de alguma coisa eu estou aí, se precisar de um amigo eu estou aí e tal”. Eu achei muito legal isso da parte dele, porque ele falou: “Eu já passei por isso muitas vezes com banda e entendo o que você está passando e tal”. E ele está super curioso para saber o que vai sair com o SHAMAN, com o próprio Virgo e a gente voltou também a falar por alto sobre seu projeto, mas ele falou que agora no momento ele está muito ocupado, pois acabaram de lançar um disco novo e já estão planejando a turnê, então para o Helloween o esquema está muito puxado e eles estão super ocupados. Mas ele falou que quando estiver com um tempo maior vai começar a compor o material para o álbum dele e vai me dar um toque.

 

Sobre seu atual projeto paralelo, VIRGO…Fale sobre ele. 

André Matos: O Virgo é um duo na verdade, pois eu e o Sascha Paeth nos encontramos há muito tempo, ele era o produtor do Angra e a gente tinha essa idéia de fazer esse projeto paralelo, então rolou. A gente resolveu fazer um tipo de música diferente, não seria 100% Heavy Metal, uma coisa mais voltada mesmo ao rock clássico, o rock tradicional estilo Queen mesmo, uma coisa mais apoteótica e bombástica e tal, nem tanto Heavy Metal, mas nem tanto pop também, uma mistura entre os dois que ficasse na metade aí. Algo que acho bem legal, pois é o tipo de música que eu sempre curti, que eu sempre ouvi bastante mas nunca tive oportunidade de fazer, agora finalmente dará para explorar esse meu outro lado no Virgo sem comprometer o som que estou fazendo com o SHAMAN. A idéia agora é realmente setorizar as coisas, deixar as coisas mais pop para o lado de lá, e o mais Heavy para o lado de cá. 

 

Qual o significado do nome Virgo?

André Matos: O nome nasceu de uma série de coincidências, pois tanto eu como o Sascha somos do signo de Virgem, e o nome em latim do signo de Virgem é Virgo, mas a gente achou outras coincidências ainda, pois Virgo em latim também significa algo inexplorado, uma coisa que não foi feita ainda e tal, e essa também é a idéia do projeto e quando fomos consultar no zodíaco qual era o símbolo do signo de Virgem, ele forma mais ou menos uma aglutinação de uma letra “M” com uma letra “P”, e a gente tinha pensado exatamente “Virgo – Matos Paeth”. Então o logotipo da banda ficou Virgo MP, com o símbolo do signo e Matos Paeth embaixo.

E os outros músicos, quem seriam?

André Matos: São todos músicos alemães, que praticamente são músicos contratados para gravar e também fazer a turnê quando rolar. Na bateria temos o Robert Hunecke-Rizzo, que na verdade é o baixista do Heavens Gate, que originalmente era baterista e toca baixo só para se divertir. Ele também gravou a batera no disco do Luca Turilli, o cara é um super músico, toca tudo, toca guitarra também e tal, mas enfim, ele é o baterista. No baixo, a gente tem um cara que se chama Olaf Reitmeier, que é um baixista famoso na Alemanha, tem uma banda que está nas paradas lá, chamada Hyperchild. E nos teclados, um parceiro do Sascha, produtor também, o Miro. Então esses três completam o time e todo o resto a gente faz, eu faço piano, faço voz, alguns teclados, o Sascha faz todas as guitarras, ele toca alguma coisa de baixo no disco também, e por aí vai.

É verdade que fazem covers de Queen?

André Matos: Ao vivo sim, acho que a gente vai fazer alguma coisa, apesar de que é um pouco de pretensão fazer cover do Queen. Acho assim que o Queen é uma banda “incoverável” e vou pedir inclusive permissão, licença ao público para fazer isso, mas mesmo sem fazer cover, nossas músicas estão bem no estilo do Queen, que na minha opinião é a melhor banda de todas. O Queen é uma banda assim que conseguiu englobar tudo na música deles, desde do heavy até o pop mais pop, com uma personalidade tal que você não acha uma voz igual a do cara, você não acha uma guitarra igual a do cara, entendeu? Os arranjos são muito loucos.

E sobre sua participação no projeto Avantasia de Tobias Sammet (Edguy)? Como surgiu o convite?

André Matos: Claro! Foi um projeto muito legal, eu recebi o CD faz umas duas semanas e honestamente, é uma das melhores coisas de Heavy que eu ouvi nos últimos tempos, cara, está muito bom, muito bem produzido, muito bem tocado, as músicas são demais. A última turnê que o Angra fez na Europa foi junto com o Edguy, e a gente ficou bem amigos, o cara é muito legal, a gente tem bastantes coisas em comum e na época ele me deu um toque, ele falou: “Eu estou compondo uma ópera rock e tal” e eu falei: “Porra meu, estou na fita!”. E lógico que ele lembrou, ele até tinha dito: “Lógico, eu já tinha pensado em te chamar mesmo, você era um dos caras que eu queria chamar”, aí eu falei: “É só me avisar, a gente estando na área, faz!”. E quando rolou a gravação eu estava justamente lá com o Sascha gravando a demo do Virgo, então o Tobias me procurou e falou: “Estou com a música na mão, sua parte está pronta para você cantar”, então eu falei “Beleza, então manda para cá”. Na verdade eu não gravei no estúdio dele, eu gravei com o Sascha, o Tobias mandou as partes, eu fiz minha interpretação e mandei de volta. Mas na verdade eu gravei muito mais do que saiu no disco, porque esse disco é só a parte 1, e vai ter a parte 2 que tem mais partes que eu fiz também. Então nesse disco tem 3 faixas que eu participo, junto com todo o pessoal lá que está cantando junto, o Kai Hansen, o próprio Tobias, enfim todo o resto, parece que tem dez vocalistas diferentes gravando. E ficou muito legal cara, eu fiquei bem orgulhoso, eu achei bem legal estar lá no meio porque aquilo ali é um Heavy de verdade, ficou muito bacana.

Parece que você também está participando de um projeto chamado “Looking Glass Self”. Fale sobre isso.

André Matos: O Looking Glass Self é o seguinte, é um projeto, é uma banda que é dos irmãos Holzwarth, que enfiim, é o baterista do Rhapsody, o Alex Holzwarth, que é o cara que gravou o Angels Cry com o Angra. Naquela época a gente estava sem baterista e ele foi o músico de estúdio que gravou para a gente, e desde essa época eu conheço o Alex. A gente se encontrou várias vezes por aí, inclusive a última foi lá no Wacken e ele me deu esse toque, ele falou: “Eu estou com uma banda com o meu irmão”. O irmão dele é o Oliver Holzwarth, que toca baixo no Blind Guardian. E é um “progressivaço”, assim um progressivo radical, eles já tinham uma banda antes que chamava Sieges Even que acabou, então alguns integrantes dessa banda montaram o Looking Glass Self, então um dia o Alex me ligou, eu estava lá na Alemanha, e falou: “Eu estou procurando um vocalista para a banda, você não conhece ninguém? Inclusive eu pensei, se você pudesse, sua voz é tão legal e nem que seja para ajudar a gente, a gente está gravando uma demo e tal”, daí eu falei: “Cara, se eu tiver um tempo eu vou aí e dou uma força para vocês”. Então eu fui lá para Munique, passei dois dias lá e a gente gravou. Na verdade tudo o que foi feito até agora foi uma demo, que eles vão mandar para gravadoras e tal, e eu não sei se vou ter a disponibilidade depois de seguir adiante e fazer o disco mesmo com eles, na verdade eu fiz isso mais numa coisa de camaradagem. Então, assim, por enquanto não rolou nenhum contato com gravadora e nada, ficou só na demo mesmo e eu fiz porque sou amigo deles e tal, foi muito legal, são ótimos músicos e para mim foi uma experiência legal também, mas por enquanto não passou disso, foi só uma coisa de amizade mesmo e se por ventura aparecer algum contrato para gravar algum disco eu vou estudar o projeto, porque na verdade estou com muitas coisas e também não é muito conveniente ficar misturando tantos estilos diferentes assim.

Mas então seria um estilo mais voltado ao rock progressivo?

André Matos: Cara, para você ter uma idéia de como é progressivo, não tem nem guitarra elétrica a banda, é só violão. Então é um progressivo light mesmo, super encrencado, é uma coisa meio tipo Yes, entendeu? Mas só acústico mesmo praticamente, mas é um puta som legal, eu até te mostro uma faixa para você ver, é um som assim bem viajante, super encrencado, daria nó até nos caras do Dream Theater, porque os caras são bons para cacete, os irmãos ali, o violonista também, o Markus Steffen, o cara manda muito. Então, para mim foi uma experiência legal porque é um som que não tem nada a ver com o que eu já fiz e eu gostei de cantar aquilo ali. Vamos ver, se rolar o disco, quem sabe se for mais para a frente e eu tiver mais desocupado, sem o SHAMAN, nem o Virgo e tal, eu até penso em gravar com eles.

Falando em rock progressivo, comente a respeito de sua participação no novo CD do Sagrado Coração:

André Matos: Para mim foi uma grande honra participar desse disco do Sagrado porque eu sou um grande fã do Sagrado Coração da Terra já há alguns anos – como banda de progressivo, eu acho a melhor banda do Brasil na verdade. Eu acho que a melhor banda brasileira no momento é o Sagrado Coração da Terra e tive a felicidade de encontrar com o fundador da banda, que é o Marcos Viana, lá em Belo Horizonte uma vez, quando o Angra estava fazendo um show e acabamos nos tornando amigos, a gente se encontrou várias vezes depois disso aqui em São Paulo, em BH de novo, e rolou o convite de eu fazer a participação no disco dele, o que me deixou muito honrado, cara, eu fiquei muito feliz e eu acho que o resultado ficou bem legal porque é uma musica clássico-progressiva, extremamente progressiva. E claro que eu sou obrigado a cantar de uma maneira um pouco diferente do habitual, então para mim foi uma experiência nova, alem do fato de gravar inteiramente em português, foi a primeira vez que eu realmente realmente gravo em português num estúdio e eu acho que o resultado ficou bem legal. Quem tiver a oportunidade de conferir esse último disco do Sagrado vale a pena, não só pela minha participação, mas o disco inteiro é demais. A chantagem é que ele vai participar do disco do SHAMAN também, tocando violino elétrico para a gente! …(risos)

Parece que você fará uma participação no projeto Hamlet, que reúne as principais bandas brasileiras de Heavy Metal interpretando essa obra de William Shakespeare. Fale sobre isso:

André Matos: O SHAMAN havia sido convidado a participar mas a banda achou melhor não tomar parte ainda porque a banda não tem um disco próprio lançado, então vamos esperar primeiro o disco, aí a gente pode pensar noutras futuras eventuais participações e tal. Agora, eu me coloquei à disposição para fazer minha participação pessoal cantando uma parte e parece que vai rolar. Eu estou bem curioso pois foi uma peça que foi composta exclusivamente para esse projeto, então da mesma forma que eu participei do projeto “Avantasia” do Tobias Sammet, estou bem curioso para ver o resultado do Hamlet, que inclusive é com bandas nacionais, então acho legal a gente poder participar disso e ajudar na medida do possível.

Parte IV – TRIBUTO AO VIPER & ANGRA: Reatando a amizade com o Viper e sendo homenageado pela sua carreira.

Como você se sente sabendo do show-tributo ao Viper e Angra em sua homenagem? O que acha da idéia desse projeto se transformar num futuro CD-tributo gravado em estúdio?

André Matos: Olha, eu fiquei muito honrado, muito lisonjeado e contente com essa idéia, para mim é um reconhecimento de praticamente 15 anos que eu já tenho de carreira e fiquei muito feliz mesmo apesar de me considerar novo, pois não sou nenhum dinossauro do rock para talvez merecer um tributo, até fico pensando: “Eu, merecer um tributo??”, mas fiquei muito feliz com isso e vai ser muito legal ver várias bandas participando disso, a maneira como elas vão fazer isso, a maneira que eu provavelmente já possa ter influenciado essas bandas, então eu me sinto realizado com esse evento e o dia que sair o CD vai ser melhor ainda. Podem contar comigo para estar presente no evento e se precisar fazer algum discurso eu faço também!…(risos)

 

Assim como você, os irmãos Passarell estarão presentes no evento. Poderia rolar alguma jam entre vocês para relembrar os velhos tempos??

André Matos: Quem sabe!?, tudo é imprevisível, vamos ver na hora como vai estar rolando o clima, eu não tenho a intenção em participar efetivamente do tributo cantando pois se é um tributo em minha homenagem fica meio estranho. Eu preferia ficar só na platéia mesmo curtindo, mas eu voltei a ser amigo dos caras e tenho muita saudade daquele tempo no Viper e acho que eventualmente uma jam seria muito legal.

 

Você chegou a cogitar em voltar a fazer algum projeto com os caras após o “episódio Angra”?

André Matos: Olha, nós não chegamos a cogitar, mas eu fiquei sabendo que eles estão pensando em voltar talvez e eu acho que fica tudo em aberto. Agora no momento, não teria muito sentido, não faria muito sentido porque eu estou muito ocupado com o SHAMAN e mesmo com o Virgo lá fora. Eu acho que hoje em dia entre o Viper e eu, está tudo bem mais tranqüilo, todas as marcas do passado já se apagaram, a gente voltou a ser amigo todo mundo, isso que eu acho bonito nessa história toda, eu acho muito legal. E eu tenho muita saudade daquele tempo do Viper, é um tempo que naturalmente não volta mais, mas que eventualmente numa jam ou coisa assim pode até voltar por 1 segundo, iria ser legal.

 

Falando ainda em Viper, o que acha da volta da banda às raízes metálicas? Você acha que a banda deveria escolher um vocalista solo como era no inicio da banda?

André Matos: Seria bem legal. Eu acho que na verdade o Viper tem duas fases, tem a fase que é comigo, com o André Matos, e a fase depois, então se eles vão voltar, também nada impede que o Pit cante as músicas e enfoque um pouco mais as músicas mais antigas. Eu não vejo muita necessidade de um vocalista, vamos dizer que isso até descaracterizaria um pouco a segunda fase do Viper, então se eles fizessem um show, o cara teria que cantar as músicas do começo e o Pit cantar as outras e ficaria meio estranho o cara sair do palco e não cantar o resto. Então eu acho assim, se eles querem voltar e fazendo Metal, eu acho que é o caminho certo, é o caminho que eles sempre deveriam ter seguido na vida.

Parte V – DIVERSOS: Conheça as curiosidades, opiniões pessoais do mito André Matos e o desfecho da entrevista.

Na nossa última entrevista, muitos leitores sentiram um clima acirrado devido aos assuntos polêmicos abordados. Você concorda que o papel pode tornar uma entrevista fria, distorcer sua entonação ou mesmo alterar o sentido das palavras?

André Matos: É, realmente para quem não está presente no momento em que a entrevista foi feita, até pode parecer uma coisa que na verdade não é. Eu acho que a nossa entrevista, muito pelo contrário, ela serviu para esclarecer muita coisa entre a gente, porque nós dois tínhamos uma imagem errada um do outro, pois eu tinha lido a edição anterior com a entrevista do Dark Avenger e tinha ficado meio chateado porque achei que vocês tinham conduzido a entrevista de uma maneira que não tinha sido legal e ao mesmo tempo você tinha uma imagem do André Matos que era aquela que muita gente tem mesmo, de um cara arrogante, de um cara convencido e tal. Acho que essa entrevista na verdade serviu para esclarecer isso de uma vez por todas e limpar algumas coisas entre a gente e a partir disso até se criou uma amizade. Então acho importante a função do jornalista, do repórter, que é bem direto nas coisas que ele coloca porque o artista na verdade está lidando com um público e tem que estar preparado para uma série de dúvidas e perguntas que aparecem que ele tem que responder realmente, sem falsear muito. Acho que vocês me deram essa oportunidade de responder as coisas diretamente e a única coisa que eu posso dizer para os leitores é que não tem nenhum tipo de clima negativo entre a gente, muito pelo contrário, hoje conto com o HEAVY MELODY como um dos nossos maiores aliados nesse recomeço do SHAMAN.

 

O que acha do projeto Brasil Metal Union que tem como meta estimular a união entre bandas de Heavy Metal nacional de diferentes estilos e estados brasileiros?

André Matos: O maior problema no Brasil é a desunião entre as bandas e a competição e tal, que é uma coisa que lá fora não rola tanto. Está na hora de se conscientizar, então acho que todo mundo está percebendo que se não se unir, não se chega a lugar nenhum. Muito pouca gente está dando valor para o underground no Brasil e então acho que esse tipo de evento é vital para poder lançar novos talentos e eu parabenizo vocês pela coragem de estar fazendo isso que na verdade é o tipo de evento que no passado lançou bandas como o Viper, a gente começou mesmo participando de eventos underground então isso aí que faz realmente as bandas acontecerem.

 

O Luís e o Ricardo participaram da primeira edição do evento no ano passado, mas você estava na Alemanha. Os fãs de André Matos poderão talvez ser honrados com sua presença na edição deste ano do Brasil Metal Union? 

André Matos: Quem sabe!? Não sei se com ou sem o SHAMAN, mas a gente com certeza vai estar lá nem que seja para assistir a segunda edição e vai depender muito da nossa agenda, se o SHAMAN vai estar fazendo alguma coisa e puder ser encaixado a gente faria com o maior prazer principalmente pelo fator de a gente estar apoiando isso aí também.

 

Quais as bandas brasileiras de maior destaque na atual cena heavy na sua opinião? Existe alguma em particular que julgue promissora e com quem gostaria de dividir o palco?

André Matos: Mais uma vez eu vou citar aquele pessoal de Natal, o Deadly Fate, que, assim, não querendo desmerecer as outras mas, das bandas que eu já dividi o palco por aí é uma das mais promissoras, são muito bons mesmo. E tem o pessoal do Karma aqui de São Paulo que eu gosto bastante também.

 

Depois do Angra, o Fates Prophecy, o Symbols, e o Dark Avenger estão entre as melhores bandas brasileiras de Heavy Metal da atualidade. Qual sua opinião sobre as bandas citadas?

André Matos: Sim, mas na verdade eu conheço pouco. Eu gosto de dar uma opinião sobre a banda quando eu já vi ela ao vivo, eu acho que aí é que a banda mostra a cara mesmo. Não adianta você ouvir uma gravação e julgar muito. Então assim, estou esperando a oportunidade de poder vê-las ao vivo.

 

O que acha sobre a volta de bandas como Acid Storm e Revenge?

André Matos: Acho super válido, super legal cara. Eu acho que naquela época as bandas brasileiras não tinham muita condição, muita possibilidade de fazer nada lá fora e muitos talentos bons foram passando sem ser reconhecidos e o pessoal acabou sendo vencido mais pelo cansaço mesmo de nada rolar e tal. Hoje em dia é mais fácil, com internet, comunicação e tal fica tudo mais fácil, então legal que essas bandas estejam voltando e espero que consigam espaço lá fora, que é o mercado principal mesmo.

Faça um breve comentário sobre as seguites bandas:

André Matos:
Iron Maiden:

Minha primeira grande influência no Heavy. Acho que se for para escolher uma banda como representante daquilo que eu entendo por Heavy Metal, é Iron Maiden. Foi a que mais me marcou, a que mais me influenciou. Mas eu estou falando do Iron Maiden até o “Seventh Son”, depois disso eu prefiro não considerar.

Judas Priest:  Segunda influência! O primeiro LP que eu comprei deles foi aquele Unleash to the East, “ao vivo” em Tóquio e daí comprei vários. O Judas realmente eu acho que é o ícone do Heavy Metal, se você falar em Heavy Metal, é a banda que mais representa o que quer dizer a palavra em si. Aliás, eu vi o show deles no Rock in Rio II, em 91, eu fui lá exclusivamente para ver o Queensrÿche e tinha o show do Judas. Muito bem, o Judas tinha acabado de lançar o Painkiller e tal, ainda era uma incógnita o que o Judas estava fazendo. Depois que eu vi o show, eu sai alucinado cara, eu falei: “Não é possível que existe isso!”, eu até esqueci que existia o Queensrÿche depois!
Queensrÿche:

Grande influência do melódico para mim. Foi uma banda inovadora na coisa dos arranjos, a banda perfeita na verdade, a banda mais perfeita que eu acho que já existiu foi Queensrÿche. Sempre me impressionou muito, eu continuo escutando com muito gosto o Queensrÿche, adoro! Mas também depois que o Cris de Garmo saiu houve uma perda muito grande, porque ele era a mente criativa ali. Mas eu acho o Operation: Mindcrime a maior obra-prima do Heavy.

Helloween: 

Foi uma banda também inovadora cara, eles pegaram um estilo que era praticamente uma mistura do Iron Maiden com Deep Purple e Uriah Heep e fizeram um Heavy mais rápido que marcou época. Naquela época do Viper, a gente já notava alguma influência do Helloween nas composições e tal. Mas assim, o Helloween foi uma banda que eu vim a descobrir mais tarde, naquela época eu não escutava Helloween para ser sincero, escutava as bandas mais velhas, o Iron Maiden, o Judas, o Manowar. O Helloween eu vim a descobrir mais tarde e hoje eu dou o braço a torcer que foi uma das grandes bandas do Metal.

Manowar

Minha terceira grande influência, depois de Iron e Judas. Estou falando também dos anos 80 evidentemente, eu acho que o último álbum bom do Manowar foi aquele Triumph of Steel e depois não, depois eu acho que caiu na mesmice e tudo mais. Mas até ali, apesar do lance da imagem, do visual que é meio extravagante, meio exagerado, é uma coisa que eu não estou dando muita bola porque para mim o que interessa é a música, e eu sei que a música no fundo é profunda, é legal. E eu tive uma grande surpresa quando encontrei os caras do Manowar pessoalmente, porque você acha que eles são aquela coisa que eles passam da imagem e tal, que nada, são uns puta caras gentis, super gente fina, calmos pra caramba, e ficamos bons amigos até.

Deep Puple:

Primeira banda que fez um rock clássico na verdade, que misturou orquestra e que fez um Heavy mais progressivo. Eu acho o Ian Gillan fenomenal, eu acho o Ian Paice fenomenal, acho todos fenomenais cara. Eu não considero Deep Purple Heavy Metal, acho que é uma transição do rock para o Heavy Metal, mas é uma das minhas favoritas realmente dos anos 70 e 80. E aliás o Deep Purple, eu vou te falar uma coisa, para mim foi a maior surpresa dos anos 90, porque quando todo mundo estava tentando repetir as mesmas fórmulas e tal, veio o Deep Purple e fez uma coisa diferente, já com o Steve Morse, apesar de que eu prefiro o Blackmore, ele ainda é meu favorito. Mas o Deep Purple veio, os caras velhos assumindo a idade que eles tem, de cabeça branca mesmo e mandando ver. Eu acho que é uma postura bem legal, não são caras que estão tentando dar uma de moleque com 50 anos nas costas não, eles assumem e mandam ver no som e é isso aí que eu espero o dia que eu ficar velho, eu ser igual a eles.

Led Zeppelin:

O Led acabou há muito tempo mas continua presente cara. É a banda mais mística de todas na verdade, os caras criaram mesmo, eu acho que eles são os criadores dessa porra toda que a gente está vivendo aqui, foram os primeiros a fazer realmente a música pesada do jeito que a gente conhece.

Black Sabbath: 

Esses vieram depois do Led, quer dizer, eles levaram a música pesada ao extremo ainda nos anos 70 e todos eles são como professores para gente cara. A gente inclusive teve a possibilidade de dividir o palco com o Black Sabbath no Monsters, está certo que não foi com o Ozzy cantando, mas o Black Sabbath realmente é uma banda que…se não fosse pelo Black Sabbath, o Heavy Metal não existiria.

Ozzy: 

Grande mestre! É o maior compositor de Heavy metal que eu conheço. Como cantor ele é um cara insubstituível, ele tem uma voz única, não se pode dizer que ele é um virtuose do canto mas ninguém canta como o Ozzy, você percebe na hora que é Ozzy.

Dio: 

É muito difícil, todos esses caras estão num mesmo nível. O Dio é o cara mais carismático, eu já fui em vários shows do Dio e ele me impressionou pela maneira como ele daquele tamanho, naquela idade, domina completamente a cena, domina o palco, e tem uma força interior muito grande.

Yes: 

Grandes mestres do progressivo e uma grande influência também. Acho que principalmente nos anos 80, quando eles vieram aqui para o Rock in Rio, eles trouxeram uma coisa muito diferente e me influenciaram bastante também.

Kiss: 

Uma das primeiras bandas que eu comprei disco na vida ao lado do AC/DC foi o Kiss, daquela época em 83 quando eles vieram para cá, Creatures of the Night, me impressionava muito e é uma banda que até hoje eu gosto de escutar.

AC/DC:

É um dos meus favoritos! Apesar de que não tem nada a ver comigo, com a maneira como eu canto, como eu componho, nada a ver, mas eu adoro AC/DC. Puta que pariu! Aquele show que a gente fez com eles aqui foi demais! Eu fiquei que nem uma criança ali vendo aquele show cara, foi inesquecível. E sem falar que foi muito legal o esquema todo, eles trataram a gente muito bem como banda de abertura, deram toda estrutura, foi muito legal.

Metallica:

Eu gosto principalmente dos primeiros álbuns do Metallica, quando era mais thrash mesmo e o meu preferido é o Ride the Lightning. É, o Metallica era uma banda que realmente era a coisa mais pesada na época, ao lado do Slayer. 

Queen:

Minha banda favorita! Acho que o Queen conseguiu englobar todos os estilos de música dentro de um só e para mim é uma banda muito mais importante do que o Beatles por exemplo, além de eu achar que o Freddy Mercury é o melhor cantor que já apareceu.

Ÿngwie Malmsteen:

Legal! Eu comprei o primeiro disco do Malmsteen quando saiu aqui, o Rising Force, e Malmsteen foi uma revolução na guitarra também. Meio assim apoiado naquilo que o Blackmore já tinha criado, o Malmsteen foi mais longe e era muito impressionante na época que aconteceu o Malmsteen, todo mundo ficou impressionado.

Ritchie Blackmore:

É o meu guitarrista de Heavy favorito.

Metal Church:

Eu sempre achei o Metal Church muito parecido com Iron Maiden e então assim, na época eu preferi escutar o original. Então Metal Church é uma banda que eu nunca escutei muito mas dou valor pela história que eles tem.

Agent Steel:  Também é legal, mas não era uma banda que eu escutava muito freqüentemente não
Wasp:  Não, nunca gostei.
Warrant:  Também achava uma caca.
Accept: Adorei! Eu era fã do Accept junto com todas essas que eu falei. Na verdade mesmo antes do Helloween o Accept veio com aquele disco Restless and Wild em 82 que demoliu tudo, os caras destruíram tudo, até hoje eu escuto aquilo.
Exciter: Muito legal! Dan Belar na bateria, cantor. Eu lembro do show que eles fizeram aqui e incusive eu conheci ele pessoalmente aqui, foi muito gente fina, Exciter é uma banda que faz falta.
Gamma Ray:  Gamma Ray é muito legal, a gente já tocou junto várias vezes, gravamos no estúdio deles na verdade já várias vezes. É uma banda muito mais antiga do que era o Angra, mas eu sempre admirei bastante e eu tive até a possibilidade de fazer uma participação com eles aqui no Brasil.
Blind Guardian:  Legal também, eu conheço eles pessoalmente e são caras muito legais, e que tem uma proposta diferente. Dentro dessa coisa do Metal eles procuram a coisa mais medieval e tal, eu acho bem interessante a proposta do Blind Guardian.
Rhapsody: Já é o Metal melódico ao extremo. E às vezes eu acho a música do Rhapsody um pouco complicada demais, uma música que eu não faria da mesma maneira. Mas acho que todos eles são bem criativos, criatividade é o forte do Rhapsody, tem partes muito interessantes e pessoalmente são pessoas maravilhosas. Eu conheço bem o Luca, o Alessandro, o próprio Fabio, são super legais.
Hammerfall: Também já tocamos juntos várias vezes. Ë um Heavy que busca uma coisa mais tradicional, mais europeu e é legal, tem essa força do Heavy europeu.
Virgin Steele: A gente já fez uma tour juntos e é muito legal! E são caras muito loucos, são figuras raras e a gente deu muita risada com eles porque são uns caras que são engraçados mesmo, assim no dia a dia. Mas que acho muito bacana, vamos dizer assim, é como se fosse um paralelo com o Manowar, é um Manowar que não ficou tão famoso.
Dream Theater:  Esses revolucionaram também. E eu tenho uma boa relação com o James, o cantor. Muito legal, eu admiro muito o Dream Theater, principalmente o primeiro disco, o Imagens and Words, eu acho que é uma obra-prima aquilo ali.
Stratovarius: Perfeito! É uma banda também de super amigos meus, e foi muito legal a torne que fizemos juntos e acho que é a banda mais precisa e mais perfeita que existe na atualidade.
Edguy:  Também outra banda que nós fizemos tour junto! Gozado, você fala dessas bandas, a maioria a gente já fez tour junto, já tocou junto e tal, isso que é legal, isso que é bacana! O Edguy também é uma banda que tem um futuro brilhante eu acho, se continuar na linha que está. E o Tobias, o cantor, é um cara que eu considero assim realmente genial, tem idéias fantásticas, além de ser um bom amigo meu.
Mercyful Fate:  Aí já vai para uma linha completamente diferente de todo o resto. Também já tocamos junto com eles num festival e é uma lenda, na verdade o King Diamond é uma lenda. E eu acho legal, eu acho que eles foram precursores de toda essa onda de black metal que existe hoje em dia, dos caras se pintarem e fazerem aqueles temas mais macabros e tal, na verdade foi o Mercyful Fate o precursor.
Primal Fear:  É, tem qualidade, eu gosto muito do Ralph Scheepers, principalmente da época que ele estava no Gamma Ray, mas não vejo muita diferença disso para Judas Priest.
Genesis:  Eu gosto mais da época do Peter Gabriel, tem um disco célebre deles chamado Selling England by the Pound e quando o Peter Gabriel saiu eu continuei acompanhado sua carreira solo e ele é um dos meus favoritos até hoje, coisa que eu ouço quase todo dia junto com Queen. E o Gênesis eu gosto muito também do guitarrista Michael Huteford que tem um projeto solo muito legal, que é o Michael and the Mecanics, que é uma coisa mais pop que eu gosto muito de ouvir também. Eu acho Gênesis uma puta banda e acho o Phil Colins muito bom, especialmente como baterista, eu até preferi ele como baterista que como cantor na verdade. Mas eu gosto mais da época antiga mesmo, dos anos 70.
Heavens Gate: É uma banda que conheci faz muito tempo, desde o começo do trabalho com o Angra. Na época foi uma grande honra conhecer o Sascha pessoalmente e ele veio trabalhar como nosso produtor. E o mais legal é que a nossa amizade sobreviveu às duas bandas, porque tanto no Heavens Gate quanto no Angra houveram mudanças, eu saí do Angra e o Heavens Gate praticamente parou. Mas nós continuamos juntos e trabalhando no Virgo.
 

Se você fosse escolher uma coletânea perfeita, quais bandas e músicas estariam nesse CD?

André Matos:

1-Walking in the Shadows – Queensrÿche

2-Two Minutes To Midnight – Iron Maiden

3-Mountains – Manowar

4-Eletric Eyes – Judas Priest

5-Perfect Stranger – Deep Purple

6-Restless and Wild – Accept

7-For Those About To Rock – AC/DC

 

Na sua opinião, quem são os maiores vocalistas do mundo? Com relação aos outros vocalistas nacionais, quais ganham sua admiração?

André Matos: Bom, eu acho que o Freddy Mercury para mim é o número 1 no geral, mas falando mais em Heavy, eu acho que o Bruce, o Rob Halford, o Eric Adams e o Geoff Tate. Dos nacionais, assim, fica difícil dizer porque são muitas bandas novas agora e eu gostaria de ter mais contato. Infelizmente pelo fato da gente ter viajado muito, não estar sempre aqui no Brasil, não deu para acompanhar muito o movimento aqui dentro e agora eu pretendo ficar mais tempo aqui e acompanhar mais de perto. Então isso é uma coisa que eu vou poder responder dentro de algum tempo.

 

Tendo em vista o ocorrido com o Sepultura, Angra, Krisiun e mais recentemente o Rebaelliun, já faz parte da cultura brasileira reconhecer o valor das bandas nacionais apenas após sua aprovação no exterior, mesmo porque a grande maioria das bandas não é privilegiada pelo respaldo da elite da mídia especializada, como a Rock Brigade que foi fundamental para o sucesso do Angra. Qual sua opinião sobre esta triste realidade? Qual seria a solução para isso? Você acha que sair do Brasil ainda é o caminho mais viável?

André Matos: Olha, como eu já falei várias vezes, eu acho que infelizmente ainda é. Por vários motivos, primeiro porque a estrutura lá fora já está bem mais montada do que aqui dentro, e segundo porque a estrutura que tem aqui dentro muitas vezes é corrupta. Então assim, as pessoas não estão interessadas em fazer uma banda crescer, não estão interessadas em ajudar, senão estão interessadas apenas em sugar o que tem para sugar de uma banda e jogar fora. E é exatamente contra essa corrupção que a gente levantou uma bandeira agora e vamos ver se a gente organiza essa merda aqui no Brasil para tornar esse país um país viável e decente, onde as bandas novas tenham também a possibilidade de começar a trabalhar sem ter que recorrer ao mercado externo.

 

Você acredita que este é o motivo principal de bandas como Dorsal Atlântica, MX, Korzus, Genocidio e Sarcófago terem se transformado em bandas cult? Seria esta a grande diferença destas bandas não terem o reconhecimento alcançado pelo Sepultura ou pelo próprio Angra?

André Matos: É, mas de todas essas bandas que você citou, a maioria já está extinta, então na verdade o que dá impressão é que esse esquema que rola no Brasil, se ficar só nisso acaba cansando muito e as bandas acabam sendo vencidas pelo cansaço, porque ficam tentando, tentando e acaba não dando em nada e apenas aquelas que conseguem ter alguma coisa lá fora que sobrevivem. Então eu gostaria muito de ver isso mudado, gostaria de ver isso acontecer de maneira diferente aqui.

 

A grande mídia não valoriza o Metal no Brasil. Na sua opinião, como poderíamos viabilizar a sobrevivência do estilo no país? Você acredita na união entre as bandas nacionais?

André Matos: Claro! Sabe, tem que criar um tipo de um movimento, como havia nos anos 80. Você vê, hoje o rap é valorizado, o axé music é valorizado, pagode, porque? Porque os caras são forte, os caras tem um movimento, eles conseguem o apoio das gravadoras, o apoio da mídia. E o Heavy por incrível que pareça, eu acho que até mais aqui no Brasil do que em outros lugares, é uma disputa o tempo todo, é uma falta de companheirismo. Então eu quero acreditar em pessoas que estão tentando fazer essa união, como é o caso do HEAVY MELODY, que está tentando sempre fazer eventos, unir as bandas, mostrar que todo mundo está junto. Por exemplo, você me perguntou sobre todas essas bandas lá de fora, como eu te falei, a gente já tocou junto, a gente se conheceu, ficou amigo e tal, e sem essa rivalidade que existe aqui dentro. Então isso que é chato aqui, isso é o que tinha que mudar, eu acho que não é um problema só do Brasil, é um problema da América Latina em geral, mas que tem que mudar.

 

Como fã de Malmsteen, como vê a entrada de Michael Vescera no Dr. Sin?

André Matos: Pois é, eu até estava conversando com o pessoal do Dr Sin, que é uma das poucas bandas que a gente tem um tipo de relacionamento saudável até e achei legal, achei que deu uma força para eles, mas é complicado essa coisa de você colocar um vocalista que não é daqui, não mora aqui, porque o cara não está sempre disponível. Por exemplo, o Dr Sin tem que fazer vários shows agora no interior e vai acabar indo o Andria cantar mesmo, porque o cara não pode estar aqui e tal. Então eu acho assim, por um lado ajudou e por outro lado prejudicou, eu acho que eles deveriam repensar isso talvez e chamar alguém que estivesse mais presente. Mas o cara é um ótimo vocalista, quer dizer, não estou colocando em questão o lado de qualidade da coisa toda que eu acho que valeu muito pelo disco e tudo mais.

 

Como foi para você dividir o palco com Bruce Dickinson durante aquele show do Angra em Paris? Existe algum outro ídolo específico com que sonha dividir o palco?

André Matos: É, na verdade não foi nem dividir o palco, ele foi um convidado nosso, ele veio especialmente para o nosso show, e foi um arranjo da gravadora lá, porque ele era conhecido da nossa gravadora e a gravadora fez o convite e ele aceitou. Ele veio exclusivamente para isso de Londres, veio pilotando o avião dele para Paris, fez o show e voltou para a casa no mesmo dia. Para mim, como eu já falei anteriormente, quer dizer, foi o maior orgulho para mim, foi o maior sonho que eu vi realizado em todo esse tempo de carreira, não poderia ser melhor e é muita emoção mesmo, uma coisa que eu não tenho nem palavra para falar. Eu acho que eu tive muita sorte e estou até conformado de que esse tipo de coisa não vai acontecer de novo porque é o tipo de coisa que acontece só uma vez na vida. Mas se eu pudesse escolher um outro ídolo para dividir o palco, talvez o Peter Gabriel, que é um cara que me inspira muito no ponto de vista musical, seria esse ídolo também.

 

A propósito, qual sua opinião sobre a volta de Bruce ao Iron e os boatos da volta de Halford ao Judas? Você acha que atualmente os negócio$ falam mais alto?

André Matos: Infelizmente eu acho que sim, tanto acho que eu não fui ver o Iron Maiden no Rock in Rio. Assim, eu realmente me recusei, aí é uma posição radical minha, eu confesso, mas quando eu tinha 13 anos eu fui ver o Iron Maiden no Rock in Rio I em 85 e foi o melhor show que eu já vi na minha vida e eu não quero apagar essa imagem da minha memória vendo uma coisa que não é mais a mesma. Ainda que tenham dito que o show foi do caralho, que foi muito legal o show aqui e tudo mais, eu até acredito que sim, eles são muito bons e competentes, mas para mim eu não concordo com essa coisa do Iron Maiden voltar com três guitarras, eu acho isso uma apelação. Ainda se fosse o Iron Maiden com a formação que eu vi no Rock in Rio, com apenas o Adrian e o Dave, com aquela formação tradicional, eu acho que meu coração iria falar mais alto e eu ia lá para ver, mas com essa não, eu não vou colaborar com isso, eu sou um fã radical. Eu realmente parei no Seventh Son e continuo ouvindo esses discos antigos com muito prazer e prefiro ficar ligado na imagem que eu tinha antigamente do Iron Maiden e não estragar isso com o que tá rolando hoje em dia. Se o Halford voltar para o Judas, eu acho que é a única saída para os dois, apesar de que dizem que o show do Halford foi muito legal aqui também, nisso eu até acredito, mas para o Judas Priest seria a saída, porque não adianta nada os caras colocarem um vocalista que é o clone do Halford, canta bem e tudo mais, mas não tem aquele carisma, então eu acho que seria a solução para eles mesmo.

 

Uma antiga curiosidade, na época que o Bruce saiu do Iron e houve o concurso internacional para substitui-lo, você foi cotado para o posto não é verdade?

André Matos: Fui. O pessoal da Sanctuary procurou a EMI no Brasil e a EMI procurou a Rock Brigade na época para obter algum material meu e foi mandado alguma coisa. O Angra inclusive não tinha nem o primeiro disco ainda, a gente mandou a demo, os discos do Viper e a demo do Angra. E pelo que eu saiba eles ouviram, escolheram a dedo os caras e tal e a resposta que eu obtive foi que fiquei em quarto lugar. Bem, se eu tivesse sido aprovado eu ficaria apavorado, seria muito difícil recusar uma oportunidade dessas. Eu nem saberia o que fazer pois eu estava começando com o Angra e seria um grande dilema, mas eu ia tentar, seria uma coisa irrecusável, mas eu ficaria apavorado.

 

Qual sua opinião sobre os organizadores que cobram fortunas para que bandas brasileiras possam abrir shows para as estrangeiras que vem tocar no Brasil, sabotando o som dessas “cobaias” para não tirar o brilho da atração principal?

André Matos: Isso é um absurdo! Se eu fosse essas bandas eu me negaria a tocar na verdade. É que eu sei que é uma oportunidade, os caras não querem perder uma oportunidade, mas no fundo isso acaba não ajudando em nada. De nada ajuda você tocar com uma qualidade pior e ainda por cima ter que pagar por isso. Então eu acho isso uma falta de senso de tudo, falta de respeito, falta de consideração com as bandas. Eu abomino a atitude desse tipo de organizador.

 

Qual a sua opinião sobre o projeto de intercâmbio de shows entre Brasil e Argentina, estimulando a união entre os bangers desses dois países? O que acha da revista Epopeya estar abrindo espaço para as bandas brasileiras?

André Matos: Pois é, a Epopeya eu já conheço há muito tempo e na verdade sempre abriu espaço para as bandas maiores brasileiras, como era o caso do Sepultura e do Angra, e agora esta abrindo para o Shaman também e outras bandas brasileiras como o caso ai do Dark Avenger e tal. Eu acho importantíssimo esse intercambio porque na verdade esta todo mundo no mesmo barco aqui do Metal latino-americano, desde do México ate o sul da Argentina e do Chile e tem muitas bandas rolando e o próprio SHAMAN agora vai sair em turnê latino-americana depois do show em São Paulo, a gente vai fazer uns dez shows na américa-latina a partir de Maio, desde do México ate Argentina a gente vai tocar. Acho assim que e importantíssimo também para que o publico daqui possa conhecer bandas estrangeiras mas que estão mais próximas da gente.

 

Você sempre está no Brasil ou na Alemanha quando não está em turnê, a Alemanha seria sua segunda casa?

André Matos: Sim, eu estou sempre na Alemanha. Já tenho muitos relacionamentos lá, inclusive eu aprendi a falar a língua bem melhor agora. A parte dos compromissos profissionais, eu tenho muitos relacionamentos pessoais mesmo na Alemanha, que é praticamente a minha segunda casa. Mas nem por isso justifica que eu fosse viver definitivamente na Alemanha ou algo assim, eu passo algum tempo por ano lá mas minha residência é aqui no Brasil, eu não pretendo que seja diferente porque realmente sempre que eu estou lá é muito bom mas eu sinto muita falta daqui e só posso dizer que realmente estou em casa quando estou aqui.

 

Muito obrigado pela entrevista, o espaço está aberto para as considerações finais.

André Matos: Muito obrigado a você Richard pessoalmente pela força que você tem dado e a gente conta com essa parceria com o HEAVY MELODY daqui para a frente sempre cobrindo os eventos que o SHAMAN eventualmente esteja participando. Desejo a vocês muita força, que o fanzine, posso falar até a “revista”, continue crescendo como está e com essa qualidade tão legal que vocês conseguiram atingir. E sem falar nos eventos, nesse projeto de união do Metal nacional, contem com a gente sempre que precisarem! E aos leitores também por todo o apoio, a força que foi dada ao SHAMAN desde o início, a gente espera ver vocês pelo Brasil!

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