2005/04/28 – A Busca do Shaaman – JB Online

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Por João Bernardo Caldeira

Produzido pelo alemão Sascha Paeth, Reason (Deckdisc), o segundo CD do grupo paulista de rock pesado Shaaman busca ampliar os horizontes da banda, ainda à procura de uma identidade própria desde que foi formada após uma dissidência do Angra. Andre Matos, 33, vocalista e autor das letras (em inglês), luta para deixar para trás a sonoridade baseada na vertente conhecida como metal melódico, de vocais agudos e muitas notas por segundo. Nem todos concordam que o Shaaman conseguiu se desvencilhar dos cacoetes do passado, mas Andre está confiante:

– Acho que pode até existir alguma citação em nossa música que mostra de onde viemos. Só que a essência do disco é completamente diferente, é um disco de heavy metal. Em nenhum usamos artifícios típicos do metal melódico como bumbos duplos, vocais agudos ou guitarras que fazem solos com milhões de notas.

Em 2000, Andre, o baterista Ricardo Confessori e o baixista Luis Mariutti resolveram sair do Angra por causa de um desentendimento com o empresário. Eles se juntaram ao guitarrista Hugo Mariutti e fundaram o Shaaman. O cantor diz que já havia sinais claros de que existiam duas turmas dentro do grupo, de visões musicais distintas. Em 2002, o Shaaman lançou seu primeiro CD, Ritual, que vendeu 40 mil cópias no Brasil e 100 mil no exterior. Apesar da desavença, Andre afirma que tem orgulho de sua trajetória com o grupo anterior.

– Não queremos renegar nosso passado. No Angra, por onde lançamos cerca de sete discos, fomos responsáveis por popularizar o metal melódico. Mas a gente resolveu dar uma guinada e procurar as nossas origens no rock pesado que a gente ouvia nos anos 80, como Judas Priest, Queen, Black Sabbath e Iron Maiden. Buscamos uma sonoridade mais crua e com muito piano.

Recentemente, o Shaaman provou sua popularidade ao fazer um show concorrido no festival Abril Pro Rock, em Recife. Logo antes de subir ao palco, o esquete da MTV que parodia o heavy metal, Massacration, levou os fãs ao delírio. O Shaaman soube entrar no palco e manter a sua personalidade. Andre diz não ter raiva das brincadeiras da banda-fake e revela que a sátira o fez questionar sua atuação:

– Será que estou fazendo os mesmos trejeitos do Detonator, vocalista do Massacration?, eu me perguntava no palco. Mas acho que não. A gente vem trilhando uma carreira e nosso trabalho prima pela qualidade musical e não privilegia a parte visual. E acho interessante a proposta do Massacration. Eles estão aí para alertar aos que fazem metal que podem cair no ridículo se não tomarem cuidado. O próprio Iron Maiden já fez coisas bastante risíveis.

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