2013/12/11 – Entrevista com André Matos

Publicado por:  , quarta-feira, 11 dezembro, 2013

Saudações Rockers! Após a excelente repercussão da última coluna, hoje tenho a satisfação e honra de trazer a todos os leitores e amigos, a entrevista que fiz com o maior vocalista da história do Heavy Metal nacional: ANDRÉ MATOS! Falamos sobre o novo trabalho, sua carreira solo, a volta do Viper, os tempos deAngra e mais algumas surpresas. Espero que todos curtam! Boa leitura!

foto 1

Bom, primeiramente, gostaria de dizer que é uma honra imensurável pra mim entrevistar o maior vocalista brasileiro de todos os tempos. Me faltam palavras pra descrever a alegria que estou sentindo. Agradeço de coração mesmo pela oportunidade.

– Quem agradece sou eu: obrigado pelas palavras e pelo interesse!

André, como tem sido a turnê de divulgação do The Turn of the Lighs em conjunto a comemoração dos 20 anos do Angels Cry? Está dentro daquilo que você imaginava?

– Foi além do que se imaginava. Da mesma forma que a reunião do Viper no ano de 2012, quando tocamos ao vivo os primeiros álbuns na íntegra. E foi justamente ali que nasceu a ideia de uma turnê não apenas de lançamento do último disco, mas também de comemoração aos 20 anos do Angels Cry, executando-o também na íntegra. Muitas bandas têm feito tours retrospectivas e foi a primeira vez que fizemos algo parecido. Estamos encerrando o ano e nem parece que já se passaram mais de 30 shows desde a primeira apresentação.

Como foi pra você revisitar este clássico do metal nacional na íntegra? Creio que apesar de sua capacidade técnica, deva ter sido extremamente cansativo, pois no mesmo show você executava também músicas de sua carreira solo e do Viper…

– Na realidade, como vocalista, quanto mais longo o show, melhor. E optei por deixar o Angels Cry para a segunda parte do concerto, justamente por isso: ao contrário do que se pensa, é mais fácil executar partes tecnicamente complicadas quando o corpo está aquecido. E isso vale para qualquer instrumentista, não apenas para os cantores. Foi um desafio no início, mas agora posso afirmar que me sinto 100% à vontade com o repertório.

ANGRA

Passados 20 anos, como você avalia hoje a importância de Angels Cry para o cenário nacional e internacional ? Você considera ele seu melhor trabalho com o Angra?

– Foi um álbum de extrema importância  – e continua sendo. Vejo tanto nas composições como nos arranjos todo o potencial que a banda trazia naquele momento, e que de fato se desenvolveu nos trabalhos seguintes. Ainda assim, pessoalmente, considero o Holy Land como sendo o melhor trabalho junto aoAngra.

 

Analisando seus três albuns solo – Time to be Free (2007), Mentalize (2009) e The Turn of the Lights (2012), qual deles é o seu preferido? E por qual razão?

– Esta é uma pergunta mais difícil, porque ainda não há o distanciamento necessário para conseguir analisá-los separadamente um do outro. Acho que todo álbum tem seu tempo de maturação; o tempo dirá qual o melhor, se é que há melhor. De qualquer forma, a resposta será sempre subjetiva e tenho total respeito pela opinião do público – que pode preferir este ou aquele álbum, independente de ser o mais recente ou não.

E o retorno do Viper, André? Como foi pra você tocar novamente com a banda que começou tudo isso? Podemos esperar por algum material inédito, ou ficaremos apenas nessa turnê de reunião e no lançamento do DVD?

– Difícil prever o futuro; nós completamos a meta que havíamos estabelecido: realizar a tour e gravar um registro ao vivo. Foi uma experiência única; uma grande emoção em poder reviver aqueles primeiros passos – e, ao mesmo tempo, notar o quanto o Viper era inovador e original na sua época. Tanto é que as músicas funcionam bem até hoje; são atemporais e fazem a cabeça de fãs de todas as idades. Por enquanto, estamos na espera do DVD, que já se encontra praticamente terminado. E, no caso do Viper, o melhor a se fazer é não programar: o que tiver de acontecer, acontecerá no momento certo, como foi em 2012.

 

O show do Rok in Rio, mostrou antes de mais nada uma banda feliz por estar reunida novamente. Como você viu esse momento histórico pro heavy metal brasileiro, que além de contar com a apresentação do Viper, teve também músicas de sua carreira solo? Particularmente, acho que o Viper deveria ter tocado no Palco Mundo. Não só pela qualidade, mas também pela importância no cenário…

– Quem decide a questão dos palcos é a produção, de acordo com suas próprias diretrizes e, pra ser sincero, não senti falta de tocar no palco Mundo desta vez: fomos super bem tratados pelo pessoal do Sunset e só tenho a agradecer a oportunidade de ver esse sonho realizado. Acho que, devido à repercussão positiva do nosso show, possivelmente tenhamos conquistado  a confiança do Festival e, independente do palco, o que importa é estar lá e conseguir passar bem a mensagem. A única coisa que eu desejaria seria fazer um show um pouco maior – mas isso certamente acontecerá caso sejamos cogitados para alguma próxima edição.

VIPER

Após sua saída do Angra, você formou o Shaman, que na minha opinião lançou um dos melhores álbuns nacionais de todos os tempos, Ritual (2002). Era exatamente isso que você buscava quando resolveu sair do Angra? Também nesse grande álbum “descobrimos” o grande guitarrista que Hugo Mariutti é.

– Sem dúvida, foi o “debut” do Hugo, que é meu grande parceiro até os dias de hoje. A proposta doShaman era mostrar que poderíamos continuar fazendo música verdadeira, sem a necessidade de seguir os passos anteriores no Angra; os estilos diferiam bastante e até mesmo a formação da banda mostrava isso. Foi uma ascensão meteórica; em menos de um ano estávamos na televisão e nas paradas das rádios em todo o Brasil, era algo que não esperávamos. Isso teve um lado negativo, que foi o fato de a banda tornar-se tão conhecida no Brasil (e, por consequência, ocupada) – que acabamos deixando o exterior em segundo plano.

Ritual é considerado pela maioria como o melhor álbum do Shaman, e talvez o seja, em função da variedade de influências e elementos – mas não deixo de salientar que o Reason é um dos álbuns mais bem produzidos de toda a carreira; ele possui uma sonoridade única.

Aqui, eu preciso lhe dizer algo completamente pessoal. Em 2006 eu e minha esposa resolvemos nos casar, tanto no civil como na igreja. E sabe, tem que escolher uma música para entrar na igreja.. Escolhi Fairy Tale. Com isso, posso assim dizer que a sua música ficará pra sempre marcada na minha vida.

– Pois digo que vocês não foram os únicos. Jamais imaginei tal uso para uma composição minha, mas me deixa deveras honrado saber que ela é a opção de muitos casais nesta hora tão importante e decisiva da vida. Poder estar presente, mesmo em forma de música, é um privilégio: sinal de que em algum momento de minha carreira, consegui compor uma peça que entrou no rol dos grandes clássicos (Wagner,Mendelssohn, etc), os quais geralmente são a escolha comum para este tipo de ocasião. Perdi a conta de quantas pessoas relataram o mesmo fato, e é algo bastante gratificante. Por isso, também, é uma música que geralmente não pode faltar no set list de qualquer um de nossos shows.

foto 4

Você esteve em três bandas extremamente importantes (Viper, Angra e Shaman), em inúmeros projetos também. Quando que você decidiu que era a hora de partir pra uma carreira solo?

– Quando percebi que não havia outra alternativa. Nem chegou a ser uma opção: foi praticamente a única saída para continuar a carreira. Tive diversos problemas burocráticos, empresariais e jurídicos no passado envolvendo direitos autorais e disputas pelos nomes das bandas (salvo o Viper) – e decidi dar um basta nisso. De início não foi tarefa fácil. Mas com o tempo, se provou mais lógico e transparente dessa forma. Às vezes, ainda me pego estranhando o fato de que as pessoas vão assistir a um show cuja banda carrega o meu próprio nome: nesses momentos, a responsabilidade em função da qualidade pesa bastante.

Acho que ter uma banda com seu nome é uma grande justiça a toda a sua carreira.

– Não foi pensado desta forma; como disse, foi a única alternativa restante. Não faria mais sentido voltar com um novo nome de banda, isso não traria qualquer credibilidade. Ao mesmo tempo, acho que o grande ganho que se teve foi justamente o fato de, numa banda solo, você poder revisitar toda a sua carreira musical, do início ao fim, sem correr o risco de não parecer autêntico. É uma obra que lhe pertence. E, além disso, ainda há a possibilidade de compor coisas novas – já estamos no terceiro disco solo! Desta forma, me sinto bem mais livre para interpretar e também para criar.

ANDRÉ MATOS NO ROCK IN RIO

 

Em 2011 foi lançado o álbum In Paradisum do Symfonya, banda que contava com você nos vocais, Timmo Tolki na guitarra, Jari Kainulainen no baixo, Mikko Harkin nos teclados e Uli Kusch na bateria. Ou seja, um super time de músicos. Mas o projeto não vingou comercialmente. Por qual motivo isso aconteceu?

– Na minha opinião, vingou muito bem musicalmente. Talvez não tenha vingado comercialmente à altura do que o Timo esperava. E isso foi uma pena, pois acho que era um projeto que tinha um belo futuro pela frente – sem grandes pretensões; apenas de fazer o bom e velho metal melódico como todos sabemos fazer. Para mim foi um grande orgulho trabalhar com esse time de músicos e estar junto a eles; aprendi bastante nessa produção. Lamentavelmente, o Timo resolveu desfazer a banda da mesma forma como a fez. E nós, ainda que bastante surpresos, nada pudemos fazer para impedí-lo. Me lembro que na época ele chegou a citar que iria abandonar a carreira musical para sempre, mas não parece ter sido o que aconteceu…

Li em uma entrevista recente de Timmo Tolki que ele disse que não trabalharia mais com você.

– Veja bem, eu não guardo qualquer rancor do Timo. Acho ele um dos maiores músicos com quem já trabalhei, o cara tem um talento nato. Infelizmente, ele também sofre de outros problemas que o deixam instável. E com isso torna-se uma pessoa difícil – ainda que, durante todo o período em que estivemos juntos em estúdio trabalhando, nos entendemos muito bem e houve zero atrito. A mudança de atitude só veio meses depois. E, nestes termos, acho que eu também pensaria duas vezes em voltar a trabalhar com ele. Mas digo isso sem nenhum sentimento ruim: torço para que ele se estabilize e que, finalmente, consiga fazer algo definitivo em sua vida. Seria uma pena que um talento desses caísse no esquecimento em função de causas externas com as quais ele próprio parece não conseguir lidar.

Falando agora do Angra. O que você achou da escolha de Fabio Lione para o posto de vocalista da banda? Acho ele um excepcional vocalista, mas não para o Angra…

– Bem, recentemente já causei muitas polêmicas ao revelar algumas opiniões pessoais acerca do assuntoAngra. Quanto ao Fabio, é um excelente vocalista e ponto. Também o admiro e respeito como pessoa; nunca me esquecerei do dia em que ele viajou 500km de carro apenas para ir assistir a um show que iríamos fazer do outro lado da Itália. Desejo o melhor ao Fabio, seja no Angra ou não.

E se te chamassem pra apenas um show em comemoração aos 20 anos do Angels Cry?

– Isso chegou a acontecer, mas sinceramente, não existe a sintonia necessária e, por mais vantajoso que pudesse vir a ser comercialmente, prefiro seguir a minha consciência, em vez de tentar “atuar” em frente ao público. Eu não seria capaz disso, em tais circunstâncias. E, para mim, esta é a essência da música e da arte: se não é feita com verdade, não vale a pena.

E o futuro, André? O que podemos esperar? Há planos para um dvd da banda solo? Mais shows?

– O futuro nos aguarda agora, dia 15 de dezembro, domingo próximo, no Carioca Club, em São Paulo. Será o encerramento de um período de dois anos de atividade quase ininterrupta e estamos preparando um concerto sem igual, com várias surpresas-  além, é claro, do repertório que deixará saudades. É a última oportunidade, portanto espero ver toda a nossa galera reunida para essa festa antes do fim do ano. Daqui pra frente nem nós sabemos; estamos 100% focados nesse show e, depois de um merecido descanso, traçaremos então novas rotas para 2014!

André, gostaria novamente de agradecer pela disponibilidade em nos atender. Quero dizer novamente que tua música é muito importante na minha vida. E pode ter certeza, que continuará sendo. Deixo aberto esse espaço final pras tuas considerações finais. Um grande abraço!

– Quero deixar meus agradecimentos a todos os que comparecerem nesta extensa tour. Foram momentos muito especiais, que não se apagarão de nossas memórias! Obrigado.

 

Espero que tenham gostado, pois curti muito poder realizar esta entrevista com um dos meus ídolos na música! Até a próxima!

Fonte: http://www.agenciayaih.com.br/entrevista-com-andre-matos/

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