2014/11/06 – Entrevista – Andre Matos: O Rei Nunca Perde a Majestade

Certamente o maior vocalista brasileiro dentro do Metal, esse é Andre Matos, carismático, batalhador e muito atencioso com seus fãs. São mais de 20 anos de carreira, e por onde passou deixou sua marca com grandes sucessos, como: Angra, Viper, Shaman e etc.

Atualmente comemorando os 20 anos do álbum que o projetou para o mundo “Angels Cry”, que chega na parte final da turnê com saldo extremamente positivo.

E é com essa lenda que batemos um papo, onde Andre fala de seus planos futuros, de “Angles Cry” entre outras coisas de sua carreira de grande relevância.

Confira agora mesmo:

Road to Metal: Em 2013 você retornava a Porto Alegre/RS para primeira parte da tour de 20 anos do disco “Angels Cry”. E uma semana antes do show os ingressos já estavam esgotados. Como foi aquela apresentação para banda?

Andre Matos: Foi um grande reconhecimento. E serviu também de alavanca para continuarmos firmes na proposta da turnê, pois a resposta do público foi fantástica. Tenho um carinho especial pelo público Rio-grandense, que acompanha minha carreira desde sempre e nunca falta a qualquer apresentação no Estado. E olha que já fiz apresentações de vários tipos: com as bandas anteriores, projetos paralelos e até mesmo os inesquecíveis concertos junto à Orquestra da Ulbra. Algum tempo atrás, estivemos em Torres; não sabíamos o que esperar. Me tocou bastante o fato de que, além do público local, houve gente que cruzou o Estado viajando 400, 500 quilômetros apenas para nos ver. Essa é a grande satisfação de se ter um público extremamente fiel.

RtM: E qual expectativa para essa nova volta onde divulga a segunda parte da tour de comemoração de “Angels Cry”?

AM: É o retorno depois de tanto tempo passado daquele primeiro show, e também um tipo de despedida. Esta turnê se estendeu bem além do planejado; não sabíamos que havia tanta gente querendo ver, e tivemos de nos desdobrar para chegar aos lugares onde não tínhamos ido ainda. Ao mesmo tempo, os que já viram queriam ver mais uma vez. E, de fato, depois de incorporar bem este repertório, posso dizer que nos sentimos bem mais à vontade e que neste momento chegamos à plenitude em termos de execução das músicas. Na minha opinião, o show está perfeito; se pudesse, não pararia tão cedo – porém tem de haver uma renovação a cada ciclo e é hora de irmos nos despedindo deste formato, que certamente deixará saudades.

RtM: Teremos alguma surpresa no setlist?

AM: Desde aquele primeiro show em POA muita coisa mudou; a própria dinâmica da apresentação está “turbinada”. Teremos surpresas, sim. Normalmente, não tocamos menos de 2h30 – mas há casos em que, dependendo do público e do clima, chegamos a ultrapassar às 3 horas de show. Que todos se preparem, pois isso pode perfeitamente acontecer.

RtM: Outro disco que em breve estará completando 20 anos será o clássico “Holy Land”, você planeja algo dessa mesma intensidade para comemorar?

AM: Há muitos e muitos pedidos neste sentido. Chegamos a um ponto na carreira em que não se pode negligenciar os marcos definitivos. Estamos começando a planejar os passos para o ano que vem, e é lógico que isto vem à tona. Se fizermos, será para fazer à perfeição. Aguardem as novidades.

RtM: Em contrapartida a banda Andre Matos continua a divulgação de “The Turn of the Lights” (2012), como está sendo a aceitação do público? E teremos material novo em breve?

AM: Considero o The Turn of the Lights um dos melhores álbuns de minha carreira como um todo (seria injusto escolher “o melhor”). Vimos apresentando as músicas deste álbum durante toda esta turnê. Porém ainda não tocamos todas elas ao vivo. Um disco normalmente tem um tempo de maturação, tanto para os músicos quanto para o público. E o The Turn of the Lights está alcançando este ponto exatamente agora, dois anos após seu lançamento. Ou seja: ainda há muito o que mostrar ao vivo de todo esse material, e pretendemos continuar trabalhando nisso, seja nesta ou numa futura turnê. Quanto a material novo, já começamos a desenvolver ideias, mas resolvi não me impor qualquer prazo definitivo. Há muitos projetos em pauta e vamos dando forma a eles na medida em que os mesmos forem amadurecendo naturalmente.

RtM: Andre gostaria que nos fala-se um pouco da importância de “Angels Cry” na sua carreira e de como surgiu a ideia de fazer a tour de 20 anos.

AM: Começando pela ideia, esta surgiu depois da turnê de reunião do Viper, onde executamos na íntegra os dois primeiros álbuns. Aquilo foi algo que nos trouxe bastante satisfação, principalmente ao ver o tipo de reação e emoção que provocava em boa parte do público. Não estou no Angra há tempos, porém como um dos fundadores da banda e dos criadores do Angels Cry, resolvi assumir a tarefa de reproduzir a mesma experiência.

Tenho a sorte de contar com uma banda de primeira categoria, que soube executar e interpretar o álbum com perfeição. Talvez até melhor do que o que fazíamos na época – dada a nossa falta de experiência então. Além disso, a presença do André Hernandes e do Hugo Mariutti na banda – que são músicos que, de certa forma, vivenciaram de perto todo aquele período – ajudou ainda mais a que o resultado final soasse 100% original. O Angels Cry foi minha primeira experiência internacional, trabalhando junto a produtores renomados e estúdios lendários. Muito do que sei hoje, aprendi naqueles meses de preparação e produção.

Apesar de ter sido um período intenso, tenho boas lembranças de tudo – e obviamente tudo isso transparece ao vivo. As músicas também são especiais e tenho um prazer especial ao cantá-las novamente cada vez: e compartilhar esses momentos com o público que, assim como eu, também considera muitas dessas músicas como uma espécie de “trilha sonora” de algum momento em suas vidas. Importante ressaltar que, nada disso faria sentido se não executássemos o álbum na íntegra. Esse foi o grande desafio no início da turnê. Agora, no final da turnê, além de empolgante, passa a ser especial: sentiremos bastante falta, quando acabar. Quem sabe daqui a 10 anos, novamente? (risos)

RtM: Nessas, quase, três décadas de profissão na música, o que mais mudou positivo e negativamente?

AM: Praticamente nada. Mudam os desafios, muda a velocidade, muda a tecnologia. Mas, na essência, a busca é a mesma. E a motivação também. Poderia elencar uma série de diferenças – não mudanças – que surgiram em três décadas; mas temos a sorte de lidar com algo imponderável que é a música, levando-se em conta todos os altos e baixos. Feliz ou infelizmente (depende do ponto de vista), a música não pode ser replicada artificialmente – e, sob esse aspecto, o fato de se excursionar e tocar ao vivo hoje mais do que antes, é extremamente positivo. Pois é somente aí que se tira a prova dos nove: e os bons realmente sobressaem. Portanto, a busca pela perfeição e pelo fator surpresa da música (como em qualquer forma de arte) permanece a mesma. Dos tempos de Bach até os dias de hoje.

RtM: Como administra o relacionamento música e vida pessoal, quando está trabalhando no processo criativo, deixa outras pessoas de fora da banda ter contato com as composições?

AM: É exatamente ao contrário. Considero que necessito das ideias e opiniões dos meus companheiros – e também de terceiros – para que não me perca numa suposta bolha criativa que pode acabar engolindo somente a mim e a ninguém mais. Temos de pensar esse processo como um diálogo: de nada adianta criar um monólogo que vai apenas em uma direção sem saber se isto reverbera do outro lado.

Composição é de fato um tipo de doação, onde se expõe muito de um universo próprio; porém não se pode deixar de lado o caráter de comunhão com o resto do mundo, senão de nada vale. A função do artista é reinterpretar e reapresentar uma realidade – ou as fantasias surgidas dela – numa visão essencialmente subjetiva. Se isto não encontra eco nas outras pessoas, não é arte. Mesmo que este eco demore tempos para retornar… Muitas vezes as obras estão à frente de seu tempo. Mas é esta certeza de que se pode ajudar a “acender uma luz” na alma dos outros que nos move pra frente.

RtM: Sobre o álbum ao lado de Timo Tolkki, como você se sente a respeito desse trabalho, sobre o qual havia uma expectativa grande, porém não obteve a repercussão esperada. E também gostaria que você comentasse sobre as declarações de Timo, que ficou descontente quanto aos shows aqui no Brasil, reclamando da infraestrutura, logística e shows em lugares menores do que os esperados.

AM: Eu não comento essas declarações, porque são exclusivamente de responsabilidade dele. Para mim, estava tudo indo muito bem. Foi uma surpresa, não apenas para mim, como para todos os demais que faziam parte do projeto, o momento em que o Timo anunciou que interromperia tudo até então, e que tinha inclusive planos de deixar a própria carreira musical.

Nos coube apenas respeitar a sua decisão. Obviamente, lamentamos, pois a banda era muito boa. Para mim foi uma honra ter feito parte deste projeto junto a músicos incríveis – incluindo o próprio Timo – e prefiro me ater aos bons momentos que passamos juntos. De qualquer forma, era claro para mim que minha prioridade era a carreira solo e o Symfonia uma banda paralela. Talvez a última na qual tenha me aventurado.

RtM: Depois de tantos anos na música, ter um reconhecimento no Metal mundial, para essa geração mais recente que conselhos você daria e que elementos você acredita que são essenciais para uma banda se diferenciar no cenário, consolidar-se e ter uma longevidade?

AM: Fazer música pela paixão que se tem pela música apenas – e excluir quaisquer outros motivos fúteis. Isto não é receita de sucesso (pois este depende de uma série de fatores, alguns até desagradáveis) – mas é um segredo de longevidade: evoluir fazendo o que se gosta e se acredita, independente de “dar certo” ou não. Não se pode medir o verdadeiro sucesso pelo acúmulo material, nem em função do “status”. O verdadeiro sucesso é saber que você fez alguma diferença com a sua obra, e este é um prazer bastante subjetivo que, na minha opinião, não deve ser ostentado por ninguém.

RtM: Gostaria de saber os seus planos futuros, se você tem em mente algum trabalho buscando, quem sabe, elementos fora do Metal, como no Virgo, ou, quem sabe nem saindo fora dos seus trabalhos mais aclamados, mixando Metal, música clássica e elementos da música brasileira e latina, como no Angra e Shaman. Quem sabe uma Opera Rock/Metal?

AM: Sempre houve tais planos. E enquanto eu estiver na ativa, sempre haverá. Como disse anteriormente, aguardem as novidades. Elas virão certamente. Tive muitas experiências novas e interessantes nos últimos anos que também me influenciaram e trouxeram novas ideias. É praticamente impossível ficar parado no tempo; certamente muitos desses projetos serão os que nortearão minha carreira daqui pra frente. Obrigado!

Entrevista por: Renato Sanson/Carlos Garcia/Uillian Vargas

Edição/revisão: Renato Sanson

Imagens: Divulgação

Fonte: http://roadtometal.com.br/2014/11/entrevista-andre-matos-o-rei-nunca.html

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