2014/11/15 – Andre Matos: “O destino nos leva onde temos de estar”

Neste final de semana, mais precisamente em 15 de novembro, a capital cearense volta a receber aquele que é um dos maiores cantores do Brasil e um dos ícones do Heavy Metal nacional. Trata-se de Andre Coelho Matos, conhecido no mundo inteiro como ANDRE MATOS. Por intermédio de Denor Sousa e da Empire Produções, produtora do show em Fortaleza, tivemos a oportunidade de conversar com ele e perguntar tudo o que queríamos saber. Optamos por fazer uma entrevista diferente de todas as outras. Não tocamos no assunto ANGRA. Mesmo assim, assunto não faltou, abusamos da quantidade de perguntas e nos surpreendemos com a gentileza dele em nos ceder todas as respostas. Você confere a longa entrevista logo abaixo.

1. Em primeiro lugar, quero combinar uma coisa com você. Em todas as entrevistas contigo alguma pergunta sobre o ANGRA acaba se tornando o foco. Queria fazer diferente, uma entrevista sem nenhuma pergunta sobre o ANGRA, apesar de sabermos da importância da banda na sua carreira. O que você acha?

ANDRE MATOS: Não me oponho a responder qualquer questão referente ao ANGRA ou a minhas bandas e projetos anteriores. Como sempre digo: fui fundador e idealizador da maioria deles; trabalhos dos quais me orgulho, nos períodos em que fiz parte. O que pode exceder, às vezes, é a ideia de que eu possa responder “por eles”, ou seja: a partir do momento em que há uma ruptura ou separação, cada um é responsável por seus próprios rumos e decisões. Por isso, em certos momentos, me abstive de participar de especulações ou até mesmo comentários sobre o presente e o futuro de ex-bandas e projetos; salvo quando a insistência (e até mesmo, pode-se dizer, “obsessão”) por tais assuntos acabou por cruzar os limites do aceitável e então me obrigando a defender opiniões bastante subjetivas – das quais eu normalmente pouparia público e imprensa. Não quero dizer que seja a favor do “politicamente correto”; isso também já se tornou cansativo. É sempre o mesmo discurso – e acaba sendo tão óbvio que se torna chato e previsível. Porém, se quisermos ter uma cena musical séria, uma das primeiras medidas é recusar o sensacionalismo a qualquer preço. Podemos falar de coisa sérias, coisas engraçadas ou até mesmo coisas trágicas: porém, sem banalizar ou especular.

ANDRE MATOS: Tendo em conta que você já inicia esta entrevista com uma proposta que parece se aproximar desta postura, creio que não teremos problema algum com as perguntas e respostas seguintes – no entanto, sinta-se à vontade para perguntar o que quiser e esclarecer as suas dúvidas, bem como as dos leitores.

2. A recepção aos shows comemorativos do Angels Cry tem sido tão boa que você tem passado por todo o país, em algumas cidades, mais de uma vez, como é o caso de Fortaleza. Além disso, no show vamos ter ainda muitos sucessos de sua carreira solo e junto ao VIPER e SHAMAN, certo? Que novidades podemos esperar em relação à sua última passagem em Fortaleza?

ANDRE MATOS: O show amadureceu muito. Não pretendíamos estender esta turnê por mais tempo. No entanto, não podíamos tampouco recusar os inúmeros pedidos de um público fiel que, em algum determinado momento se sentira prejudicado por não ter podido comparecer aos shows; seja em cidades onde não conseguimos alcançar anteriormente, seja em cidades que conseguimos, mas que ou devido à data, ou à divulgação, ou às próprias condições momentâneas nas quais aquelas pessoas se encontravam, estas não puderam estar presentes. Estamos retornando aos locais que nos solicitaram esta volta, para fechar com chave de ouro a nossa passagem com esta turnê e finalizar este ciclo.

ANDRE MATOS: Houve diversas novidades desde a primeira apresentação, desde a inclusão de canções novas na primeira parte do show, até alguns improvisos que temos desenvolvido nesta última etapa da tour e que variam de uma apresentação para outra. E, claro, podem contar com o tributo ao “Angels Cry” na íntegra. Estamos nos despedindo desta experiência que foi tão intensa para o público quanto para nós. É uma pena, por um lado. Mas, por outro, vamos adiante, e o ano que vem promete mais surpresas.

Gandhi Guimarães

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3. Das músicas do “Angels Cry”, quais você gosta mais, quais são as mais importantes pra você e quais você mais curte cantar?

ANDRE MATOS: Isso sempre variou ao longo da carreira. Depois desta experiência cantando o disco na íntegra, vejo que há algumas que sobressaem e que proporcionam uma interpretação especial. Poderia citar, entre outras, “Wuthering Heights”, “Angels Cry”, “Lasting Child” e, claro, indubitavelmente, “Carry On”.

4. E quais os planos para o futuro? Já existe um sucessor de TTOTL em vista?

ANDRE MATOS: Sim, mas não com data marcada. E acho isso bastante saudável. Não há no momento uma pressão real para que lancemos um novo álbum de inéditas – apesar dos contratos vigentes no exterior e no Brasil. Isto nos dá toda a liberdade de ir coletando e trabalhando o material bruto que já vem brotando e dar forma a estas composições na medida em que forem amadurecendo. Saberemos a hora de entrar em estúdio para concretizar este trabalho.

5. Você já se apresentou com a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, participando de peças mais clássicas e temas do tecladista RICK WAKEMAN (que inclusive se apresentou esta semana em São Paulo). Existe alguma possibilidade de levar uma apresentação como essas (com esses músicos ou com alguma orquestra local, como a Orquestra Contemporânea do Ceará, com a qual você já tocou) no resto do país ou em algum outro lugar do mundo?

ANDRE MATOS: A homenagem da Orquestra Sinfônica da Universidade do Ceará foi uma experiência das mais tocantes. Nunca imaginei que algum dia – e tão cedo na carreira – excelentes músicos, arranjadores e maestro me ofertassem tal surpresa. Gostaria muito de repetir a dose quando fosse possível. Já foram inúmeras apresentações pelo Brasil junto a grupos sinfônicos, do Rio Grande do Sul ao Ceará, passando por São Paulo – fora as experiências em estúdio com arranjos próprios. Este é um universo do qual também faço parte devido à minha formação e me sinto muito à vontade para unir os dois estilos musicais: música clássica e rock. Sempre acreditei que fossem estilos complementares e o resultado está mais que comprovado. Ainda planejo um grande projeto que excursione pelo País inteiro e neste formato. Este é um dos muitos planos para um futuro próximo.

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6. E o “Tommy”? Alguma chance de voltar ao projeto e excursionar pelo país?

ANDRE MATOS: Já discutimos bastante a ideia com a coordenação da Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, bem como com os diretores e o resto do elenco. É um projeto ambicioso, que envolve muita gente e uma certa dose de burocracia. Mas não é nada impossível. Quando fizemos as duas montagens em épocas diferentes, a ideia de levar isto adiante já estava no ar.

7. Já ouvi falar que, assim como o “Angels Cry”, o “Holy Land” deve receber uma turnê comemorativa. Como andam os planos para essa turnê e caso isso se concretize o que podemos esperar do setlist da primeira parte do show?

ANDRE MATOS: Ainda não há nada definido 100% em relação a esta possível turnê. Porém, dada a receptividade da tour The Turn of the Lights + Angels Cry, e dados os inúmeros pedidos para que isto prossiga na forma de uma tour comemorativa do “Holy Land” (que terá seu jubileu no ano de 2015), não considero de maneira alguma descartar a ideia. Porém, como tudo o que nos dispomos a fazer, não aceitamos menos que o próximo à perfeição. Se acontecer, demandará um grande trabalho de preparação e elaboração. Neste caso, uma provável primeira parte seria apresentar faixas do The Turn of the Lights que não foram tocadas ao longo desta primeira turnê. Acredito muito no potencial deste álbum e tenho certeza de que ele se tornará um clássico assim como os anteriores. E não deixaríamos de apresentar outros sucessos da carreira como um todo, incluindo aí algo diferente da fase VIPER e até mesmo VIRGO, AVANTASIA ou SYMFONIA. Tudo ainda a se discutir e decidir. Nosso foco atual é terminar a turnê The Turn of the Lights + Angels Cry no topo, e é para isso que estamos trabalhando. A próxima será uma consequência desta.

Gandhi Guimarães

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8. Caso essa turnê realmente se concretize, será pelo menos a terceira vez que você roda o Brasil com shows longos (primeiro, tivemos a turnê com o VIPER, executando os dois primeiros discos). Os fãs agradecem, claro, mas, um dia, naturalmente, você deve voltar a fazer shows, digamos, normais. Já pensou em como será quando esse dia chegar? Acha que o público deve estranhar?

ANDRE MATOS: Acho que é um caminho sem volta. (rs*) Sinceramente, por mais estranho que possa parecer, prefiro dez vezes mais fazer um show de mais de duas horas de duração do que uma apresentação curta. Acho as apresentações curtas inclusive mais cansativas, pois não dá tempo nem de “esquentar”, e os shows longos, por sua vez, trazem uma dinâmica que cresce ao longo do espetáculo. É bem mais realizador para quem toca – e, acredito que para quem assiste, também. Portanto, por mais que os repertórios se intercalem, a ideia é sempre apresentar sets completos e que satisfaçam a todo mundo. Abrimos exceções somente em algumas apresentações, por exemplo, em festivais – onde o tempo é escasso e temos de selecionar as partes mais significativas para que caibam dentro de um set reduzido. De qualquer forma, esta não é a minha preferência como músico.

9. Andre Matos é o nome da banda, é o nome por trás de uma lista de grandes sucessos, mas é acompanhado por um grupo de músicos experientes e talentosos (alguns, como os irmãos Mariutti, te acompanham há muito tempo). Você conseguiria resumir um pouco a estória de cada um deles com a banda, como entrou, de onde vem, como é fora do palco?

ANDRE MATOS: Muitos já trabalharam junto a mim em outras bandas e projetos. Outros foram se juntando ao grupo ao substituir os músicos mais antigos que partiram para outras empreitadas. Na maioria das vezes, indicados pelos próprios colegas que estavam de saída. Como costumo dizer, para mim é vital manter a atmosfera de banda, com a participação de todos em praticamente todas as decisões e também no processo criativo. Sempre aprendo com eles. E não tenho a intenção de ofuscar ninguém: sempre tomei como exemplo o OZZY Osbourne e o Ronnie James DIO em suas bandas solo: dando o devido destaque que seus músicos merecem. Desta forma, sentem-se à vontade e recompensados por estar ali, e ao mesmo tempo, também criam um tipo de vínculo individual com o público, cada um deles. Tenho bastante orgulho dos músicos que me acompanham e dos que já me acompanharam nesta jornada, e é o mínimo que posso oferecer a eles como retribuição. Acho que isto é o que nos diferencia dos artistas ditos “populares” (para não ter de citar gêneros) – onde os músicos acompanhantes são meras peças de reposição.

Gandhi Guimarães

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10. Eu vou confessar uma coisa para você: a primeira vez que eu ouvi você foi em uma fita cassete de uma banda chamada VIPER, gravada por um vizinho. Desculpe. Foi uma das minhas primeiras fitas, uma das trilhas sonoras da minha adolescência e era daquele jeito que a gente conhecia música naquela época. E é uma honra poder falar com você hoje. Hoje temos a Internet, que ajuda na divulgação das bandas, mas fez a venda de CDs cair muito, mas o formato continua com seguidores fieis entre os fãs de heavy-metal, assim como o vinil que conquista cada vez mais adeptos. Como você vê o mercado fonográfico hoje em dia?

ANDRE MATOS: Ainda parcialmente indefinido. A distribuição digital legalizada – seja em formato streaming ou download pago – avançou um pouco, mas ainda está longe de superar as vendas físicas. Acho um pouco deprimente falar em termos de vendas, pois qualidade não se julga pela quantidade. No entanto, entendo que os artistas dependam também desta fonte de renda – inclusive, para poder seguir trabalhando em novas criações. Há também o “crowd-funding”, que vem gerando alguns resultados. Como disse, é um período ainda em transição e estamos relativamente longe de um desfecho, no meu entender. Não há como barrar a tecnologia, uma vez que ela foi disponibilizada democraticamente e está plenamente difundida. No entanto, nosso meio talvez seja dos que menos sofreram em comparação com outros meios. Vamos seguir subsistindo, graças à fidelidade dos fãs. E, por outro lado, há um aspecto bom nisso tudo: somos obrigados literalmente a colocar o pé na estrada e apresentar nossa música ao vivo mais do que antes. E, quando se fala de ao vivo, por mais que ainda haja certos “truques”, o público não é burro: sabe distinguir muito bem quem entrega algo de qualidade. Isso nos forçou a aprimorar esta prática, e se é que há um lado bom nisto tudo, é este. Ao vivo, os melhores sempre prevalecem. (A tempo: não se culpe pelas antigas fitas cassete! Eu também era um ávido colecionar delas, como continuo sendo dos álbuns em vinil!)

Gandhi Guimarães

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11. Ainda sobre o VIPER, dizer que estamos ansiosos pelo registro em vídeo da turnê do VIPER é chover no molhado. Já faz mais de um ano de espera. O que falta para esse DVD chegar às nossas mãos?

ANDRE MATOS: Praticamente nada. Apenas o lançamento em si. Já comparecemos às últimas sessões de edição do DVD e posso afirmar que será uma grata surpresa: a produção visual e sonora impressionam! Será diferente dos grandiosos DVDs do passado (como, por exemplo, o Ritualive que lançamos com o Shaman) – desta vez, a ideia é lançar um DVD orgânico, visceral, onde o espectador se sentirá praticamente em cima do palco junto com a banda. É um grande registro daquela turnê tão especial

12. Dá pra adiantar alguma coisa sobre os extras? No DVD Ritualive podemos reconhecer várias imagens de Fortaleza, o show no Ceará Music (eu estava lá), o Mara Hope (navio encalhado na costa fortalezense)… Inclusive, um de nossos melhores fotógrafos (Ghandi Guimarães) submeteu fotos para o encarte. Teremos alguma coisa de Fortaleza no novo DVD?

ANDRE MATOS: Certamente. As cenas reúnem filmagens de toda a turnê. Não saberia especificar quais as imagens de Fortaleza no meio de tantas, foram muitos shows, cobrimos o Brasil inteiro e um pouco mais. Mas não deixarão de estarem presentes, isto é seguro.

13. Ainda sobre o Ceará, vou te fazer a pergunta que sempre faço pra todo mundo, o que você conhece da música cearense?

ANDRE MATOS: Não falando em Metal, especificamente – o que seria até injusto com as bandas cearenses, pois o Estado gerou diversas ao longo de décadas; inclusive amigos que compartilharam os palcos conosco muitas vezes – tenho uma lembrança bastante remota dos primeiros álbuns do Raimundo FAGNER. Assim como nutro um enorme repeito pela obra do pernambucano ALCEU VALENÇA, a música de FAGNER entrou em minha vida de maneira inusitada: ainda quando criança, através da discoteca de meus pais. Eram músicas profundas, de um lamento quase sombrio, que me marcaram bastante. Ele também contava com o Robertinho do Recife na guitarra, que dava um toque especial – e que mais tarde veio a dedicar-se a uma vertente do Metal nacional; daí talvez a ligação que exista entre a música que ele fazia então e o que aconteceu depois. Ainda o considero o grande expoente da música cearense de todos os tempos.

Gandhi Guimarães

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14. E você é um dos responsáveis por incorporar a música brasileira ao Heavy Metal, além de ter feito versões para artistas como KATE BUSH e RADIOHEAD. Que artistas fora do mundo Heavy-Metal você tem ouvido e poderiam estar representados num futuro lançamento?

ANDRE MATOS: PETER GABRIEL, A-HA, TORI AMOS, (ABBA não vou citar, pois já foram replicados por inúmeras bandas de Metal mundo afora), as grandes bandas britânicas dos anos 60 e 70. Nada extremamente novo. RADIOHEAD foi uma sugestão do Hugo, que é um grande fã – e foi uma grata surpresa, o resultado de “Fake Plastic Trees”.

ANDRE MATOS: Existem grandes artistas do universo POP ou Rock que merecem algum tipo de tributo. Já fizemos algumas releituras de QUEEN – mas, com toda a humildade, não passaram de meras tentativas, pois QUEEN para mim é “irreproduzível” e “imelhorável”.

15. IRON MAIDEN, você foi cotado para substituir Bruce Dickinson quando ele deixou o gigante do metal britânico. Você acha que sua estória com a banda seria mais longeva do que a do BLAZE BAYLEY? Você consegue imaginar e esboçar pra gente como seria o som da Donzela, hoje, com você atrás do microfone (e quem sabe dos teclados)? Algo na linha do “Seventh Son”?

ANDRE MATOS: Impossível dizer. Nas palavras do próprio BLAZE, a quem conheci pessoalmente, e que teve uma atitude de extrema dignidade ao dizer isso, “eu me sairia provavelmente melhor que ele” nos vocais do MAIDEN. Porém, como nunca acreditei de verdade que isto pudesse acontecer (era muito jovem, era um vocalista brasileiro quase sem nenhuma história) – não me frustrei ao não ser escolhido. Pelo contrário, isto me deu ainda mais gás para levar adiante o meu mais novo projeto na época, que era nada menos que o “Angels Cry”. Portanto, acredito que o destino nos leva onde temos de estar e no momento em que temos de estar lá.

16. Ainda sobre o IRON MAIDEN, Bruce teria voltado se você o tivesse substituído?

ANDRE MATOS: Isto seria a especulação da especulação. Mas, dada a história da banda e a importância que ele teve junto a ela, acredito que sim. Independente do fato de eu desempenhar bem o papel de vocalista naquele dado momento.

Gandhi Guimarães

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17. Como foi trabalhar com o Timo Tolkki no SYMPHONIA? A fama de “Malmsteen” dele é justificada?

ANDRE MATOS: Sim, é plenamente justificável do ponto de vista artístico. Acho o Timo um dos melhores guitarristas com quem já trabalhei e ele deve muito pouco ao MALMSTEEN. Quanto à questão das personalidades, prefiro não comentar. Entraria novamente em uma daquelas discussões subjetivas e, sinceramente, tudo o que tinha de dizer a respeito, já o disse no momento adequado. Agora são apenas lembranças – e prefiro me ater somente às melhores. A experiência valeu muito, como um todo.

18. Andre Matos é um nome conhecido no mundo inteiro (só na wikipedia há verbetes sobre você em doze idiomas – até catalão e escocês), você algum dia imaginou que conquistaria todo o sucesso que conquistou?

ANDRE MATOS: Sucesso para mim, como disse anteriormente, não se mede em quantidade. Acho que sucesso é quando você faz alguma diferença na vida das pessoas com o seu trabalho e a sua arte (que, no meu caso, são a mesma coisa). Se isto cruzou fronteiras em vários continentes e, se há uma única pessoa na Escócia ou na Catalunha que se identifique com as minhas ideias, já me sinto plenamente realizado.

19. E como é subir a um palco, aparecer na TV aos treze, catorze anos? Você tinha medo ou timidez naquela época?

ANDRE MATOS: Haha, ambos. Isso é humano, afinal. Tive de superar na marra – e nada melhor que a repetição para que nos familiarizemos com uma determinada situação. Não sei se aguentaria acompanhar uma cirurgia neurológica de perto – mas se tivesse de fazer isso repetidas vezes, certamente me tornaria mais adaptado.

ANDRE MATOS: Porém, o tal “frio na barriga” persiste até hoje antes de qualquer apresentação. E ele é vital para que todos os seus sentidos estejam alertas O dia em que esta emoção não estiver mais presente, será o prenúncio da aposentadoria. Sempre fiz música pelo amor à música, e é impossível ver-se livre de certos sentimentos. É como um filme que passa na cabeça a cada vez – e que tem como trailer de abertura as primeiras vezes. Não dá pra dizer que é possível dissociar-se disso. Exceção feita àqueles que fazem música por motivos diversos, que não os citados acima.

Gandhi Guimarães

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20. Você fala seis idiomas, é maestro, pianista, bacharel em Regência Orquestral e Composição Musical, um dos maiores cantores do Brasil, você acha que pode ser considerado Nerd? Hoje, felizmente, existe muito mais respeito e admiração pelos caras mais focados nos estudos do que existia antes.

ANDRE MATOS: Posso até ser considerado Nerd, e não vejo nada de errado nisso. Mas posso garantir que sou bem menos Nerd do que muitos imaginam. Dividi a minha vida entre os estudos e a fome de informação (o que persiste até hoje) – e a vivência da estrada, que também me ensinou muito. Acho que as duas coisas são igualmente importantes. Se você se ativer a apenas uma delas, pode até vir a conseguir alcançar seus objetivos – mas creio que demorará mais.

21. E quais as coisas que mais frequentemente lhe inspiram nas suas canções?

ANDRE MATOS: Esta resposta não vai parecer original Mas tampouco é hipócrita: tudo. Desde os estudos musicais (e não apenas os musicais), como o dia-a-dia, a observação constante do mundo e do ser humano. Tudo faz parte de um quebra-cabeças incompleto, que insistimos em querer montar e solucionar. E, cada tentativa destas gera uma nova obra, uma nova ideia. Ou o aprimoramento de ideias já consagradas. (…aquela frase do “nada se cria”. Porém, não me contento em apenas “copiar”)

ANDRE MATOS: Olhos e ouvidos abertos a tudo o que existe. Curiosidade e fome de saber sobre o que não existe ou não tem explicação. Para mim, inspiração deriva da inquietação.

ANDRE MATOS: Pergunte a qualquer cientista, e ele vai lhe responder o mesmo.

Gandhi Guimarães

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22. Quanto ao momento atual brasileiro? Tivemos uma campanha extremamente acirrada, principalmente no Facebook, com acusações de corrupção e boatos de ambos os lados. Hoje, depois do resultado, continuamos envergonhados com posts preconceituosos de pessoas que querem divulgar o Brasil, inclusive de músicos de metal que antes tinham o respeito do Brasil inteiro. Você gostaria de comentar alguma coisa sobre isso?

ANDRE MATOS: Todos têm o direito de se expressar, mas respeito é vital. Talvez seja por isso que abandonei a internet – neste sentido – já há muitos anos. Percebia que ali estava o refúgio para muitos covardes e recalcados que não tinham coragem de se expor, a não ser escondidos por detrás de uma tela – e muitas vezes de um perfil falso. O que mais choca é a agressividade extrema contida dentro dessas pessoas, e que tem vazão em momentos como este. É fácil destruir a reputação de alguém, ainda que baseado em premissas falsas. Mas, parodiando Jesus (e olha que não sou religioso): que jogue a primeira pedra! Pela internet é bastante fácil jogar não apenas pedras, mas verdadeiros asteroides virtuais. Que um dia retornarão de alguma forma – talvez não tão virtuais assim!

ANDRE MATOS: Acredito que algum dia, muitos se arrependerão destas atitudes grotescas – e mais ainda, da forma como se expuseram em público. Infelizmente, será tarde demais para apagar o passado.

23. Rock in Rio 2015. Você pode nos adiantar se já está participando de alguma negociação?

ANDRE MATOS: Tudo o que posso adiantar é que, se acontecer, independente de palco, horário, tempo de duração de show, será novamente um grande privilégio participar deste que foi o festival que, quando era apenas um garoto, me inspirou a ser músico e fazer deste estilo musical a minha profissão, a minha vida. Será um grande prazer novamente e conto com o apoio dos fãs para nos colocarem lá!

Gandhi Guimarães

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24. Chegamos ao final. Por favor, deixe sua mensagem e convite para os leitores do Whiplash, especialmente os de Fortaleza e cidades próximas, que vão assistir ao seu show em 15 de novembro.

ANDRE MATOS: Obrigado pela entrevista primeiramente. Estamos nos despedindo de Fortaleza com a tour The Turn of the Lights + Angels Cry. Aqueles que compareceram ao primeiro show não se esquecerão do que verão nesta despedida. E aos que não puderam comparecer: aguardo vocês para fazermos um espetáculo completo e à altura das expectativas de todos os fãs e do público cearense. Já estamos de malas prontas a caminho do Ceará. Até daqui a dois dias, galera!

ANDRE MATOS: O meu muito obrigado a todos pelo apoio e pela fidelidade de sempre!


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ANDRE MATOS e banda se apresentam neste sábado, 15 de novembro, em Fortaleza, no Complexo Armazém), nas proximidades do Centro Dragão do Mar, tocando todo o “Angels Cry”, além de clássicos do VIPER, SHAMAN e de sua carreira solo. A abertura do show ficará sob a responsabilidade da banda JACK THE JOCKER, grupo de metal progressivo que vem arrancando elogios ao seu álbum de estreia “In The Rabbit Hole” (resenha aqui, futuramente) e conquistando fãs.

– Início: 22:00hrs

– Ingressos: Arena – R$ 42,00 / Camarote R$72,00

– Meet & Greet: R$ 50,00 (Ingressos adquiridos separadamente dos ingressos de pista ou camarote) – Vendas exclusivas na Parada do Rock.

OBS: Preços de primeiro lote / Preços de Meia Entrada

– Pontos de Venda:
Bilheteria Virtual (Site e Loja Del Paseo – VENDAS NO CARTÃO)
Loja Parada do Rock(1º Andar – Galeria Pedro Jorge)
NordWest Camisetas (Shopping Benfica)
Konibaa Temakeria (Av. Júlio Abreu 160. Cont. da Dom Luis)

– Censura:18 anos

– Informações: 3021-7186.

Todas as fotos de shows desta página foram feitas por Gandhi Guimarães durante as recentes visitas de Andre a Fortaleza com o VIPER e com sua banda solo (em shows produzidos pela Gallery Productions).

Fonte: Andre Matos: “O destino nos leva onde temos de estar” http://whiplash.net/materias/entrevistas/213745-andrematos.html#ixzz3JF47x4RS

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