2014/12/12 – Andre Matos cede entrevista ao Underground News

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INTERVIEW GROUND
Por Edilson Luiz Piassentini

Uma das grandes figuras do metal brasileiro, André Matos está em turnê com sua banda revivendo o clássico album Angels Cry do Angra, além de tocar também grandes clássicos do Viper e Shaman.

A página Underground Newz teve a oportunidade de entrevistar André Matos que tocará hoje na cidade de Sorocaba-SP.

André Matos nos fala sobre suas atividades atuais, o reconhecimento mundial que conquistou ao longo da carreira e o que podemos esperar sobre o show de hoje a noite!

Confiram essa entrevista exclusiva!

INTERVIEW GROUND
By Edilson Luiz Piassentini

One of the great figures of the Brazilian metal, André Matos is on tour with his band reviving the classic album Angels Cry of Angra, besides playing too great classics of Viper and Shaman.

The Underground Newz page has had the opportunity to interview André Matos, who will play today in the city of Sorocaba, Brazil.

André Matos tells us about their current activities, the worldwide recognition it has achieved over the career and what we can expect on today’s show the night!

Check out this exclusive interview!

UNDERGROUND NEWZ – ANDRÉ MATOS, AGRADEÇO EM NOME DA UNDERGROUND NEWZ PELA ENTREVISTA. SABEMOS QUE SUA AGENDA ESTÁ CHEIA. QUANTO A SEUS PROJETOS E BANDA, COMO ANDAM AS ATIVIDADES?

ANDRE MATOS – Finalizando o ano com este show de Sorocaba. A turnê também está chegando ao final e vale lembrar que seu primeiro show, de estréia, foi justamente em Sorocaba. É a única cidade que poderá dizer que viu esta tour em três momentos bem distintos. Não sei se há algum simbolismo implícito nisto, mas o fato é que fecha-se um ciclo ao fazer a última apresentação do ano justamente por onde começamos a tour The Turn of the Lights + Holy Land; e foi a partir daquele primeiro show “sold-out” em Sorocaba que nos animamos a levá-la adiante.

UNDERGROUND NEWZ – IMPOSSÍVEL NÃO DIZER SEU NOME QUANDO O ASSUNTO É METAL BRASILEIRO! VOCÊ FOI UM DOS RESPONSÁVEIS PELA EXPORTAÇÃO DO NOSSO METAL PARA O RESTO DO MUNDO. COMO SE SENTE SENDO UMA DAS GRANDES REFERENCIAS DO METAL NACIONAL?

ANDRE MATOS – Como um trabalhador da música: não há nenhum sentido específico por ter feito carreira em lugares diferentes do globo, a não ser o aprendizado que isto me proporcionou e o contato com diferentes culturas – que, no fundo, são parte de uma só. Quero dizer com isso que não me considero inferior ou superior; apenas consegui encontrar caminhos para desenvolver o trabalho mais ou menos da forma como imaginei no começo. É legal saber que, como brasileiros, podemos falar a linguagem universal com qualquer um. Mas também é legal descobrir cada vez mais a fundo o nosso território, nossa casa. Aqui ou lá; tudo tem seus prós e contras. Às vezes há um grau maior de profissionalismo e precisão em detrimento de um calor maior do público, e vice-versa. Às vezes as duas coisas pendem para um mesmo lado. Portanto, uma acaba compensando a outra. E, o principal: acho que o maior prazer em conseguir tornar-se uma espécie de referência para outras pessoas é o de abrir certas “portas”. Ainda que represente uma gota num vasto oceano, já vale a pena. É, de fato, o que fica marcado definitivamente.

UNDERGROUND NEWZ – E SOBRE NOSSO METAL, COMO VOCÊ ANALISA O NOSSO ATUAL MOMENTO? TEMOS MUITAS BANDAS DE QUALIDADE, PORÉM POUCO EXPLORADAS. FALTA APOIO POR PARTE DA MÍDIA E DOS FÃS? E QUAL O CONSELHO VOCÊ DARIA PARA ESSAS NOVAS BANDAS?

ANDRE MATOS – Depois de muitos anos – levando em conta todas as mudanças que ocorreram ao longo destes anos, pois nos encontramos ainda em plena fase de transição – diria que o principal é manter o foco no que se faz. Independentemente se o sucesso será alcançado – ainda que, inegavelmente, para que haja uma longevidade na carreira, deva-se ter algum tipo de recompensa – o que realmente deve mover uma banda ou artista é a identificação com aquilo que se faz. E a mínima noção de que se possa contribuir criativamente para um mundo mais harmônico. Se você visa apenas os holofotes, nem comece. Isso vale para qualquer profissão, não apenas a música. A falta de sucesso pode trazer o desânimo e a sensação de frustração que levam à inevitável derrocada do projeto inicial. Mas a presença excessiva ou súbita do mesmo sucesso, idem, pois acirra os egos. E, ao se misturar o fator econômico, faz apenas potencializar os danos. Quem quer fazer música de verdade deve se libertar de quaisquer expectativas materiais e focar tão somente nas condições para desenvolver seu trabalho da melhor maneira. Talvez seja fácil dizer depois de se ter passado por tudo isso, mas de qualquer maneira, que sirva como um farol para os que vêm na sequência.

UNDERGROUND NEWZ – RECENTEMENTE VOCÊ PARTICIPOU DE UNS SHOWS DO PROJETO DE METAL OPERA SOULSPELL, DO GRANDE MÚSICO HELENO VALE. O PROJETO TEM MUITA QUALIDADE E EXCELENTES MÚSICOS. PARA VOCÊ, O QUE FALTA PARA QUE O PROJETO TOME O MESMO RUMO DO AVANTASIA DE TOBIAS SAMMET?

ANDRE MATOS – Praticamente, nada. Produzido pelos melhores produtores, muito bem composto e bem executado. É esperar para ver. Temos de lembrar que o Avantasia foi concebido há 15 anos e depois dele, muitos se seguiram. Foi um divisor de águas. Como herdeiro direto desta ideia e um dos porta-vozes mais ativos deste formato no Brasil, o projeto Soulspell do Heleno Vale tem as mesmas credenciais daquele que o inspirou. A única coisa que difere é o período de tempo entre os dois (lembrando que o Soulspell também já existe há muitos anos) e as diferentes oportunidades dentro de cada período. Se eu resolvi participar nesta altura do projeto, é porque também acredito bastante nele.

UNDERGROUND NEWZ – FALANDO EM AVANTASIA, VOCÊ FEZ PARTE DE ALGUNS ÁLBUNS DO PROJETO E DA TURNE FLYING OPERA. COMO CHEGOU O CONVITE DE TOBIAS PARA VOCE, E COMO SE SENTIU AO ESTAR AO LADO DE GRANDES NOMES DO METAL MUNDIAL?

ANDRE MATOS – Isto faz também muito tempo; Tobias me convidou quando fizemos uma tour conjunta no ano de 1999, e o Avantasia ainda era uma ideia embrionária. Nunca achei de verdade que aquilo fosse funcionar; me parecia um tanto megalômano – mas aceitei de pronto, pois gostava do trabalho dele de então no Edguy. Só fui atestar o resultado depois do primeiro álbum lançado – e ele provou que eu estava redondamente enganado. Foi a melhor coisa que apareceu no Metal dito melódico em muitos anos. Participei de mais dois ou três álbuns, bem como da primeira turnê. Talvez essa seja a melhor memória, estar ao lado de vários amigos e que também são grandes músicos, por meses a fio ao redor do mundo.

UNDERGROUND NEWZ – O EX-VOCALISTA DO IRON MAIDEN, BLAZE BAYLEY, DISSE EM UMA ENTREVISTA QUE VOCÊ FARIA MUITO MAIS SUCESSO DO QUE ELE NOS VOCAIS DA DONZELA. O QUANTO É GRATIFICANTE PARA VOCÊ ESSE RECONHECIMENTO, E JÁ IMAGINOU COMO SERIA ANDRÉ MATOS EM UMA DAS BANDAS MAIS IMPORTANTES DO PLANETA METAL?

ANDRE MATOS – Isso é uma lição de humildade que serve a todos nós. Conheci o Blaze pessoalmente e, de fato ele é um cara muito simples. Mas não há garantia nenhuma de que eu faria melhor que ele. Sem hipocrisia. Faria diferente. Na realidade, nunca me imaginei de fato sendo escolhido – ainda que tenha ficado entre os supostos “finalistas” na época. O Maiden é uma banda extremamente britânica; não vejo como um (então) moleque brasilieiro pudesse ocupar a posição do Dickinson àquela altura. Portanto, já não considerava essa possibilidade.

UNDERGROUND NEWZ – ME RECORDO DO SHOW DO KISS EM SÃO PAULO, NO ANO DE 2012, NO QUAL A BANDA DE ABERTURA FOI O VIPER. QUAIS AS LEMBRANÇA DAQUELE DIA, E COMO FOI ABRIR UM SHOW PARA UMA GRANDE POTÊNCIA DO MUNDO DO ROCK’N’ROLL?

ANDRE MATOS – Não foi a primeira vez que abri um show para o Kiss; já o havia feito nos anos 90 no Monsters of Rock; assim como depois aconteceria com o Black Sabbath, AC/DC e o próprio Iron Maiden mais de uma vez. Mas é sempre grandioso pisar um grande palco de arena; ver como são feitas as coisas no backstage e aprender com tudo isso. Em geral as equipes destas grandes bandas são muito gentis com as bandas de abertura – algo que algumas bandas de médio porte ainda têm muito a aprender! Ou seja, o que é oferecido é o que você sabe que pode usar, mas não rola sabotagem, aquela história de abaixar o som e cortar a luz, etc. Tudo é comnbinado antes e às claras. Kiss foi uma das primeiras bandas pesadas que escutei ainda no início da adolescência; obviamente foi uma influência naquele momento de iniciação, e acho que isso é algo que eles fazem muito bem até hoje: continuam arrastando multidões e até mesmo as crianças ficam hipnotizadas pelo espetáculo. E o público que estava presente, tanto em SP quanto no Rio foi muito receptivo ao show do Viper, fiquei muito agradecido por tudo isso.

UNDERGROUND NEWZ – VOCÊ ESTARÁ REALIZANDO NO PROXIMO DIA 12 UM SHOW EM SOROCABA, NO QUAL ESTAREMOS FAZENDO A COBERTURA. O REPERTÓRIO SERÁ BASEADO NOS CLÁSSICOS DO VIPER E SHAMAN, E TAMBÉM, NA EXECUÇÃO NA ÍNTEGRA DO ÁLBUM ANGELS CRY DO ANGRA. O QUE PODEMOS ESPERAR DE ESPECIAL PARA ESSE SHOW?

ANDRE MATOS – Há mais e mais improvisações que foram se incorporando ao show, ao longo do tempo. Vocês verão um set cada vez mais preciso e afiado; e ao mesmo tempo mais à vontade. Me lembro da tensão antes do primeiro show da turnê em Sorocaba, sem saber se toda a prepareção e os meses de ensaio iriam finalmente funcionar ao vivo, e saímos comemorando. Neste último show também comemoraremos; de uma forma bem mais natural. O que há de mais especial acerca deste show é que ele é único e é o último em que voltaremos com esse repertório, incluindo o Angels Cry na íntegra. Quem não viu das outras vezes terá uma chance agora. Quem viu, pode se despedir. Nós estaremos nos despedindo, em grande estilo – faremos um show especial e, como último do ano, prometemos que ultrapassaremos a duração dos anteriores. Por isso, vão preparados para uma noite completa!

UNDERGROUND NEWZ – ANDRÉ MATOS, MAIS UMA VEZ, OBRIGADO PELA ENTREVISTA. DEIXE UM RECADO PARA NOSSOS SEGUIDORES E FÃS. MUITO SUCESSO E ATÉ O DIA 12. ABRAÇOS.

ANDRE MATOS – Eu agradeço a todos e o recado de verdade será dado em cima do palco, aguardem! Quero também aproveitar e já agradecer a hospitalidade e a confiança do público Sorocabano em relação à nossa música; não nos esqueceremos de tudo isso: do começo, meio e fim desta longa tour, que teve a Sorocaba como espinha dorsal. Valeu, de verdade!

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