Resenha – Hard N’Heavy Party (D Loft, São Paulo, 01/10/04)

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A Hard ‘N Heavy Party foi crescendo ao longo dos anos e chamando a atenção da mídia e do público. Uma realização que teve no sucesso ano após ano o próprio marketing e é hoje, sem dúvida alguma, um dos principais eventos hard do Brasil. A denominação “hard” também não vem à-toa. Por vezes rock ‘n’ roll, noutras hard rock, em instantes mais metal. Abrangente, divertido, inteligente.

A edição de 2004 teve preparação especial da Animal Records que chamou dois nomes essenciais do passado e presente da cena rock, Richie Kotzen e Jeff Scott Soto. Ambos em momentos brilhantes de suas carreiras e com os últimos lançamentos disponíveis no Brasil via Wet Music e Hellion Records respectivamente.

Antes deles, o Tempestt, abrindo a noite com a competência que já conhecemos. Consistentes e como sempre no clima da festa, mostraram a grande qualidade do material próprio e arrasaram nos belíssimos covers. Destaque para “In My Dreams With You” e o vocalista BJ em atuação impecável. Devin Townsend desceu no cara, estava lá quase em carne e osso.

Na continuação da inesquecível noite, a esperada apresentação de Richie Kotzen, em sua primeira turnê no Brasil. Mais cedo conversei rapidamente com ele, o qual falou de sua surpresa em relação ao público que compareceu a seu workshop – no dia anterior – e ao número de fãs que possui em nosso país. Podia-se notar claramente sua alegria e também a de seu pai, que o acompanhava. Comentou do reconhecimento que teve por seus trabalhos lançados pela Shrapnel ao fim dos anos oitenta até meados dos noventa, e da importância daquela época, mas nitidamente comemorava mesmo era o sucesso de seus últimos discos, e o fato de, em suas próprias palavras, “ter finalmente encontrado o que realmente gosta de fazer e contar com o apoio incondicional de seus admiradores.”

Quando suscitei o nome de Soto, declarou prontamente: “conheço-o há cerca de onze anos, e é um dos melhores vocalistas que já vi. Se tivermos a chance, faremos uma jam hoje à noite.” Advertiu, contudo, que seria difícil pois viajaria para a Argentina na manhã seguinte, logo cedo. Em São Paulo ele tocou na sexta-feira e Soto iniciou seu set já em dois de outubro, sábado, duas e quarenta da madrugada. Conseqüentemente não houve o inédito encontro no palco.

Voltando ao show em si, Richie Kotzen foi perfeito! Acompanhado por Pat Torpey (ex-Mr. Big) na bateria, despachou cerca de quinze músicas capazes de agradar aos antigos e mais recentes fãs. Deu ênfase, no entanto, ao legendário “Mother Head’s Family Reunion” (1994), e à série fantástica dos últimos três anos, “Get Up” (2004), “Change” (2003) e “Slow” (2002). Do lançamento de uma década atrás executou a faixa título, e igualmente “Socialite” – recebida com êxtase -, “Testify”, e a versão suprema para o clássico “Reach Out I’ll Be There”, composto por Lamont Dozier, Brian Holland e Eddie Holland, glorificada em 1966 pelo The Four Tops, e retomada com maestria por Kotzen.

Dos ‘novos’ álbuns, destacou-se com musicalidade extrema em, dentre outras, “Losin’ My Mind”, “Fantasy”, “High”, “Scared Of You”, “Don’t Wanna Lie” e “Shine” (originalmente lançada pelo Mr. Big em “Actual Size” de 2001). O disco “What Is” (2000) também teve seu espaço.

Um homem capaz de substituir, e bem, a Allan Holdsworth, como ele o fez no Vertú, há de ser um músico muito acima da média. E ao vivo o norte-americano provou isso com belíssimos improvisos, senso melódico raríssimo e maravilhosos vocais. É, além de tudo, muito performático. Verdadeiro gênio no que faz.

Passado o abalo sísmico, chegava o tradicional “Concurso de Biquínis”. Hora de descontração e extravagância. As ‘strippers’ representando importantes bandas da história do hard rock deitaram e rolaram, e os ‘jurados’ entraram na onda, brincando, interagindo (ê, beleza!) com as moças, e dando notas a cada uma. Entre os votantes deste ano estavam Jens Johansson, Timo Kotipelto e André Matos. As feições de desajeito são hilárias. A vencedora foi a garota Poison que aprontou um fuzuê e foi pra cima do ex-vocalista do Stratovarius.

Outro ponto de importante destaque aqui é o grau de sacanagem e maldade do público. Espíritos de porco de primeiríssima qualidade. Impossível controlar o riso diante de manifestações tão oportunas.

Após a alegria masculina, e os picantes comentários femininos (“cruz credo, nunca vi tanta celulite!”, “que gorda!”, “baranga!”, etc), sobe ao palco Jeff Scott Soto, atração principal e mais esperada. No Brasil ele iniciou sua carreira solo, e para este país volta, com um repertório ainda mais vasto, reconhecimento mundial de seus trabalhos individuais e um excelente grupo, em evidência o guitarrista Howie Simon.

À tarde tive a oportunidade de falar também com Soto e ele ressaltava ter dado seus primeiros passos solo exatamente na Hard ‘N Heavy Party há dois anos e meio atrás. Diz que hoje está numa montanha-russa, a melhor fase de sua carreira, e sentia, pelos preparativos, a energia ainda mais forte neste retorno a São Paulo.

Empolgado e contente ao falar de seu novo álbum, o vocalista detalhou o significado do título “Lost In The Translation”. Perguntado sobre a origem do nome, relatou-me seu trabalho e gosto variado, e os estilos com os quais gosta de trabalhar. Define este “perdido” como uma sensação que teve muitas vezes quando ousou em sua carreira. Afirma ser hoje melhor compreendido. De qualquer forma, preferiu, desta feita, já deixar de cara, na nomeação do disco, que não estava preso ao heavy ou hard, e que seu maior mérito está justamente na flexibilidade, envolvendo pop, r&b, soul, black music.

Literalmente “falou e disse”. O show confirmou as palavras de Jeff e enlouqueceu os presentes que o aguardavam desde as dez da noite.

O começo com “Break Your Chains” do Talisman fez eclodir um sentimento vibrante na audiência. O “efeito JSS” apanhara rapidamente todos que o assistiam. A partir daquela música, qualquer movimento, solo, ‘malabarismo’ com o microfone, virava motivo de celebração chamejante.

“I’ll Be Waiting”, “Stand Up”, “4U”, “Believe In Me”, “Just Between Us” “I Want To Take You Higher”, irradiantes, mostraram a potência dos trabalhos de Jeff de início de carreira até o seu atual e magnífico momento.

Interpretou com a classe de sempre “Frozen” e “Crazy” de Madonna e Seal respectivamente. Duas lindas composições que parecem, contudo, entrar numa outra instância quando cantadas por Soto. De arrepiar. Da mesma forma foi escutar o público gritar “olê, olê, olê, olê, Soto, Soto”, e vê-lo claramente emocionado. Conteve-se por segundos enquanto saudavam os membros de sua banda.

Noutro instante especial, pergunta por um sueco… “bêbado ou bebendo”, referindo-se a Yngwie J. Malmsteen. Brinca ainda ao falar de uma provável ‘reunião’ no local, em menção à presença de Jens Johansson (ex-tecladista de Yngwie). Toca então um medley com “Don’t Let It End”, “On The Run Again”, “I’m A Viking” e “I’ll See The Light Tonight”. Se podemos apontar um ‘senão’ no show, certamente falamos desta passagem. Sinais da idade já são audíveis. Jeff comete pequenos erros, e não alcança com tanta facilidade algumas notas exigidas nestas composições. Todavia, quem viu todo aquele show sabe que ele é muito mais que um simples (ex-) vocalista de Yngwie J. Malmsteen. Chegar aos agudos, mantê-los ou não, vem até em segundo plano quando temos um monstro como ele no palco.

As performances de Jeff Scott Soto e Richie Kotzen deixam sérias dúvidas se algum evento este ano será capaz de superar a Hard ‘N Heavy Party, um espetáculo que superou expectativas e foi exemplo de ecletismo, musicalidade, e diversão. Sensacional.

AGRADECIMENTOS: Carlos e toda a Animal Records

Fonte: Resenha – Hard N’Heavy Party (D Loft, São Paulo, 01/10/04) http://whiplash.net/materias/shows/000694-richiekotzen.html#ixzz2Zks5bN61

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