2002/09/27 – Shaman no Rio de Janeiro

ATL Hall – Rio de Janeiro/RJ (27/09/2002)
Por: Evaldo Bonavita
Fotos: Márcia Ito e Celso Eduardo Scarparo (FT)

Na última sexta-feira do mês de Setembro, dia 27, pudemos conferir um show que ficará marcado na mente de todos os cariocas que tiveram a oportunidade de estar na casa de espetáculos ATL HALL, aonde o Shaman faria então a sua primeira apresentação no Rio de Janeiro, que duraria cerca de mágicas 2h 30m (duas horas e meia), mas vamos logo ao relato dessa noite inesquecível…

Aos poucos as pessoas chegavam a casa, cerca de alguns minutos antes do show de abertura da banda Allegro, o ATL HALL ainda não estava nem com a metade da casa cheia, fato esse que foi se modificando aos poucos enquanto rolava o show do Allegro e a tão esperada hora do Shaman ia chegando… A banda Allegro está cada vez amadurecendo mais e provando ser uma das novas grandes revelações do cenário metálico nacional, mais entrosada em palco e com seu set list mais consolidado ainda. O som da banda agradou em muito os presentes, pois além do estilo que tocam cair em cheio no gosto da galera, possuem ainda excelentes músicos e um grande vocalista, possuidor de uma técnica e feeling impressionantes, Ilton Nogueira é um cantor que não deixa nada a desejar se comparado a grandes nomes do cenário internacional. A banda aqueceu perfeitamente a galera para o grande momento que já estava chegando…

Um pouco antes do show, começa a rolar no telão o belíssimo clipe feito para a música Fairy Tale e muitos correm para frente achando que já estaria começando o show… Foi nesse momento que pude notar que o público da casa havia crescido muito e já preenchia grande parte da casa, com um total de pessoas que para uma casa do porte do ATL HALL, foi bastante significativo mesmo, ainda mais se levado em conta o fato que esse era o primeiro show da banda aqui no Rio, podemos dizer que foi super positiva a presença em massa do pessoal naquela noite. Após o clipe ainda se passaram alguns minutos, antes que começasse o show, o que deixou a todos ainda mais ansiosos…

Eram cerca de 23h (onze horas da noite), ouve-se o som dos “ventos antigos” (a intro “Ancient Winds”) e começa a ser exibido em sincronia no telão um vídeo muito bonito feito especialmente para essa magnífica introdução que nos leva ao exato clima da noite, ou seja, pura magia…

Explode então dos PA´s os primeiro acordes da “Here I Am”, levando todos a loucura. Foi impressionante a energia com que a banda entrou em palco, executando essa primeira música com total maestria e sintonia com o público. Até então, a única coisa que incomodava um pouco era o som que ainda não estava 100 % equalizado e deixava a guitarra um pouco baixa, mas nada que tirasse o encanto da apresentação. Aos poucos o som foi melhorando gradativamente, ao tocarem “Distant Thunder”, que possui um riff fantástico e que ao vivo fica uma loucura e depois ao executarem “Time Will Come”, uma música muito empolgante mesmo, com um refrão muito bom, belos arranjos e um solo de guitarra animal. Pode se dizer que ao final dessa música o som já estava muito bom, sem os problemas de equalização iniciais e apresentando agora um brilho todo especial, daí para frente, tirando-se pequenas falhas aqui ou ali, no geral tivemos uma qualidade sonora de alta qualidade…

E justo essa qualidade que pudemos notar bem clara, na música seguinte, que foi a “For Tomorrow”, que é uma composição muito especial e tocante. No início dessa música fomos presenteados, com o que se pode chamar de criatividade e honestidade ao se executar belos arranjos ao vivo, a começar pela bela introdução tocada em uma flauta com uma sonoridade andina (o pessoal de SP e RJ conhecem bem esse som daqueles grupos que tocam em grandes locais públicos pela cidade), depois o tocante som do “violão de aço” do Hugo entrando em profusão com todo o resto dessa obra prima de música que nos emociona do início ao fim, fim esse que teve um belo efeito de uma chama surgindo na frente do Andre, aliás, a produção desse show foi algo que dificilmente vemos de uma banda nacional, com uma iluminação climática e alguns efeitos super legais.

Chega então a hora de tocar algumas músicas do Angra, que foram “Wings Of Reality” e “Lisbon”, ambas aclamada por todos, agitando bastante a galera e demonstrando a competência de Hugo Mariutti que segurou a bola das duas guitarras originais dessa música, com total perfeição e trazendo uma pegada toda especial a essas músicas. Para completar o show segue com um irrepreensível solo de Hugo, que arrasou completamente, unindo na medida certa e sem exageros peso + melodia + técnica, provando mais uma vez ter sido a escolha perfeita para o cargo. Começa então uma Jam aonde todos dão um show e tocam ainda nessa mesma Jam, um tipo de versão instrumental para a música “Be Free” que acabou não entrando no Álbum “Ritual”. Vale dizer que quem escutou a primeira versão dessa música, pode notar o quanto ela evoluiu e está ficando maravilhosa, como aconteceu com a versão original de “For Tomorrow”. A Jam emenda então com um solo divino do Ricardo Confessori, deixando todos hipnotizados com a sua performance, podia até se ver alguns marmanjos com o queixo caído ao presenciarem o cara que ao mesmo tempo fazia um solo explosivo e malabarismo com as baquetas…

E ao som dessa explosão em solo, inicia-se a não menos explosiva “Nothing To Say”, que ocasionou em um dos momentos de maior entrosamento da banda com a platéia, foram todos ao delírio. Mas o delírio continua com a fortíssima “Over Your Head”, que prova exatamente como uma música pode ser pesada e agitada e ao mesmo tempo extremamente bem trabalhada, cheia de passagens instrumentais e com solos muito criativos. Logo após, começa o “concerto da noite”, como um clima totalmente “Beethoveniano”, Andre Matos nos brinda com um solo de deixar qualquer um de boca aberta. E que som tinha aquele “piano elétrico” dele… Era tão perfeito que dava até para ouvir o peculiar som da tecla batendo na madeira (que não existia!). Foi algo completamente memorável o show a parte que nosso maestro Andre nos proporcionou. Na seqüência enquanto todos ainda tentavam se recuperar desse solo, Andre toca as primeiras notas da apaixonante “Fairy Tale”, com Luis Mariutti tocando uma espécie de “tambor medieval” junto, foi um belíssimo momento o dessa música, cantada em uníssono no ATL HALL, é impossível não se emocionar com essa música, ainda mais com a interpretação feita pela banda, enfatizando-se os vocais espantosos feitos pelo Andre. Mas para que ninguém tivesse descanso, quando a coisa começa a ficar um pouco calma com “Fairy Tale”, entra então a bombástica e descontraída “Pride”, que agitou muito a galera voltando a deixar todos a 1000 por hora! Vem então a “Ritual”, que possui um clima envolvente e nos faz entrar por completo no “ritual” feito pela banda nessa noite mágica.

A partir desse instante tem início momentos super especiais e que emolduraram mais ainda a magia da noite. De cara a banda toca “Burn”(Deep Purple), levando todos, inclusive esse que vos fala, a um momento de total insanidade e pulando feito louco! A apresentação dessa música foi super especial, nos fazendo voltar no tempo… Aproveito para destacar aqui a grande participação do “mago dos teclados” Fábio Ribeiro, que teve papel mais do que essencial no show e provou isso ainda mais nessa música. Andre anuncia então que vão tocar mais uma música bem antiga, que ele e todo o resto da banda gostam muito e a partir daí a emoção que já tomava conta dos presentes, explode de vez com a execução de “Living For The Night”, dos antigos tempos do Viper… Mas a magia seria ainda maior, pois entra para participar dessa música Yves Passarel (guitarrista original do Viper e atualmente no capital Inicial), que faria show com o Capital Inicial no próximo dia, foi como entrar em um “túnel do tempo”, totalmente tocante a forma como os presentes receberam esse hino do heavy metal nacional. Mas ainda haveria mais, pois depois de alguns instantes de silêncio, quando a banda saiu do palco, escutamos “Unfinished Allegro” que emenda com a clássica “Carry On”, que praticamente fez desabar o ATL HALL e consumiu as mais profundas energias guardadas pelo público na casa presente e atingiu o âmago de todos os mais antigos fãs dos integrantes da banda.

Ainda assim todos tiraram energia “do nada” para conseguir acompanhar a festa como terminaria a noite… Inverteram-se as funções na banda e primeiro tocaram “Paranoid” (Black Sabbath) com Hugo no vocal e guitarra, Ricardo na guitarra, Luis no baixo e Andre na batera e em seguida levaram a divertida e inesperada “Ace Of Spades” (Motorhead) com Luis no vocal e baixo, Hugo e Ricardo nas guitarras e Andre na batera novamente. Foi um show a parte e um momento de descontração total, parecia até um show case especial para nós que lá estávamos… E finalmente para encerrar com chave de ouro, tocaram com as funções normais dos músicos, o cover já clássico da banda, que foi a esperada “Painkiller” (Judas Priest). Foi êxtase total! E vamos lembrar aqui da energia surpreendente da banda que fez um show de cerca de 2h e 30m (duas horas e meia), sem deixar a “peteca cair”. Vamos dar também aqui o merecido parabéns a Andre Matos, que além de estar cantando como nunca, fez algo que muitos vocalistas não tem coragem, que é cantar da forma como ele cantou do início ao fim do show! O cara realmente “matou a pau”, foi impressionante e parecia até que quanto mais tempo ele cantava, mais ele arrasava… Cantar músicas difíceis como “Carry On” e “Painkiller” após já passadas mais de duas horas de show, definitivamente não é para qualquer um…

Fica aqui então o registro dessa maravilhosa noite que nunca mais vamos esquecer e a consolidação do Shaman como o mais novo grande nome no cenário Heavy Metal internacional. E que tenhamos vários e vários shows desses por aqui no Rio, pois já estamos com saudades desse!!!

Set List:

– Ancient Winds
– Here I Am
– Distant Thunder
– Time Will Come
– For Tomorrow
– Wings Of Reality
– Lisbon
– SOLO Hugo Mariutti
– Instrumental
– SOLO Ricardo Confessori
– Nothing to Say

– Over Your Head
– SOLO Andre Matos
– Fairy Tale
– Pride
– Ritual
– Burn (Deep Purple)
– Living For The Night com Yves Passarel (Viper)

– Unfinished Allegro
– Carry On
– Paranoid (Black Sabbath)
– Ace of Spades (Motorhead)
– Painkiller (Judas Priest)

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