2002/10/10 – Shaman em Maceió

Boate Aeroporco – Maceió/AL(10/10/2002)
Por: Thiago Ávila
http://www.skyhell.net
Fotos: Paulo Peterson

Por volta das 20:40 chegamos ao local do show, a boate Aeroporco, onde os headbangers começavam a se aglomerar. A onda de camisas pretas aumentava a cada minuto. Tinha gente de toda idade. O show era esperado com muita expectativa pelos fãs. Após trocar idéias com várias pessoas, ingressei a fila de entrada. A grande noite estava apenas começando.

O Aeroporco é tomado rapidamente pelos bangers e pelo Heavy Metal. A banda pernambucana The Ax foi anunciada para abrir o show.

Apesar da galera não conhecer bem o som dos pernambucanos, os caras mandaram ver detonando um bom Thrash Metal com influências visiveis de Pantera. O set foi relativamente curto, com apenas meia hora. O power trio comandado pelo baixista Washington mandou ver obtendo o reconhecimento do público.
Entretanto, a meu ver, o show poderia ter sido melhor em dois aspectos, menos músicas instrumentais e ao menos um cover, pelo fato do público não conhecer o som da banda, como já foi citado. Mesmo assim, parabéns ao The Ax, que representou dignamente a cena de Pernambuco.

Após o The Ax, rolou um longo intervalo (aproximadamente 1 hora) que chegou a irritar os presentes. Depois de ouvir muito Manowar e Primal Fear no som ambiente, enfim o locutor anuncia o Shaman. A grande hora estava pra começar.

A intro “Ancient Winds” soa ao fundo e a galera não para de se abraçar e gritar em uníssono: “Shaman, Shaman”. O quinteto entra em palco e emenda com a poderosa “Here I Am”. O público ficou meio sem acreditar no início, mas logo os braços começaram a ser erguidos e o bate-cabeça foi generalizado.
Pra agitar um pouco, tratei de dar um pulo no meio do público, ficando cerca de um minuto nadando nas mãos da galera. A adrenalina aumentou a mil por hora. O Shaman estava realmente em Maceió. O Metal vibrava no coração de todos os presentes.

Andre Matos anuncia o show e agradece ao público. Assim como no CD, “Distant Thunder” é a próxima a ser executada. Nesta música em diante o público se identificou com o som e agitou o quanto pode. Gostaria de salientar o bom público feminino no local, inclusive agitando bastante.

Mais instrumentos entram no palco e os mais fanáticos pelo Shaman anunciam “For Tomorrow”, que foi tocada de forma exemplar. Hugo Mariutti é um grande músico e mandou ver no violão acústico. Desta faixa em diante, o “5º elemento” do Shaman começou a tomar destaque. Fábio Ribeiro e seus teclados deram um clima mais delirante à música. Ao entrar as bases pesadas, o público começou a agitar novamente. A galera passou a bater palmas acompanhando o ritmo “regional” da música. Foi demais.

O único problema do show foi citado por Andre Matos. O CD “Ritual” foi muito mal distribuído nas lojas da cidade, o que resultou no desconhecimento do público de várias letras. Com isto, não tivemos muitos “coros” nas músicas, mas nada que tirasse o brilho da festa.

O primeiro “clássico” da noite foi logo percebido. “Time Will Come” era uma das músicas que o público estava esperando e o Shaman mostrou que “quem sabe faz ao vivo”. Nesta música o público cantou várias partes, apesar do problema citado no tópico anterior. Vejo que esta faixa deverá ser o hino do Shaman, assim como “Carry On” é para o Angra. O refrão poderoso incendiou o público no Aeroporco. Perfeita como havia de ser.

Para animar a galera, a “sessão Angra” foi iniciada. A poderosa “Wings Of Reality” foi cantada em uníssono. Com a letra na “ponta-da-língua”, o público não decepcionou e fez um excelente coro junto com Andre Matos. A esta altura este redator já estava bem rouco, mas na seqüência, nada mais nada menos do que “Lisbon”, uma das melhores baladas do Angra. Tirei voz de onde não tinha e integrei o enorme coro que se formou durante toda a música. Esta o Andre nem teve muito trabalho com o vocal, pois o povo fez muito bem
a sua parte.

A primeira exposição instrumental foi iniciada por Hugo Mariutti, que mostrou o porquê é o guitarrista do Shaman. O rapaz está completamente integrado a banda e esbanjou virtuosidade em solos e mais solos. Logo após entram Fábio, Luis e Confessori assumindo seus instrumentos. Uma puta apresentação instrumental deixou o público boquiaberto. O melhor ainda estava por vir. Ricardo Confessori não é a toa um dos melhores bateristas do país e mandou ver na sua apresentação. Parecia um polvo espancando a bateria em todas as suas partes. O público não parou de bater palmas e aclamar o músico. Na hora de jogar as baquetas eu tive a felicidade de pular mais alto que todos e agarrar este “prêmio”. Guardei a baqueta num lugar seguro e voltei para o “aperto”.

Passava-se de uma hora de show e o público já dava seus sinais de cansaço. Entretanto mais uma do Angra ainda rolou. A pesadíssima “Nothing To Say” fez o povo pular que nem pipoca na panela. Com seu ritmo bem forte, a música era bem conhecida da galera que cantou, pulou, nadou, bangeou e fez o que foi possível. Esta foi uma surpresa em relação aos outros shows da Ritual World Tour. Voltando as músicas do Shaman, as bases pesadas de “Over Your Head” deram mais uma injeção de ânimo. Esta música foi feita pra ser tocada ao vivo e o refrão cantado por Hugo e Luis deram mais peso ainda a faixa, contrastando com os agudos de Matos. Esta não dava pra ficar parado. Haja fôlego para agüentar isto tudo.

As luzes se apagam. Demora algum tempo e Andre Matos se dirige ao teclado. Após alguma demora e especulação dos presentes, o povo toma nota que “a música da novela” era a próxima a ser tocada. A linda balada “Fairy Tale” foi mais um ponto alto do show, que o público acompanhou cantando e acenando as mãos, aproveitando também para tomar fôlego, pois àquela altura o final estava por vir, e muita coisa boa também.

“Pride” e “Ritual” foram apenas acompanhadas pelo público exausto. Encerra a primeira parte do show e as luzes se apagaram. Todos ficaram curiosos com o que viria pela frente.

Os fãs de Deep Purple logo reconheceram o instrumental de “Burn”, primeiro cover levado pelo Shaman. Neste momento eu levei vários berros no ouvido e aproveitei pra cantar em alto e bom som este clássico do Purple. Um banger jogou uma camisa pra Andre, que mostrou a todos de qual banda era aquele magnífico cover. Logo após, começamos a nos esguelar por “Living For The Night”. Andre, que já havia feito referência a passagem dele, Luis, Ricardo e Fábio na cidade com o Angra em 1999, ressaltou a cena dos anos 80 e fez referência a banda que o revelou, o Viper. Lamentou não ter tocado em Maceió com a antiga banda e dedicou este clássico do Metal brasileiro ao público de Maceió. Esta foi cantada em uníssono. Andre até comentou no microfone: “Esta vocês sabem mesmo!!!”. Foi como um sonho ver esta música ao vivo. O Shaman está com tudo.

Na altura do campeonato todo mundo já tava esgotado, mas o segundo bis teve início. A intro “Unfinished Allegro” foi tocada e o povo não parou de gritar “Carry On”. O maior clássico do Heavy Metal nacional tomou conta do som do Aeroporco e ninguém ficou parado. Para onde se olhava eram vozes cantando ou bangers batendo cabeça. A banda ficou maravilhada com o público.

Ninguém tinha mais forças pra nada, mas quando Confessori iniciou o clássico “Painkiller” na bateria, os mortos se levantaram do chão e adrenalina foi a mil. Roda de pogo, bate-cabeça, cantoria. Tudo que você puder imaginar. Era um clássico, sendo tocado por uma “bandaça”. Com esta música o Shaman encerrou seu longo set-list, que levou aproximadamente duas horas. A banda cumprimentou o público e todos começaram a deixar o Aeroporco, com enormes sorrisos contrastando uma cara de cansaço. Fazer o quê? Amanhã tem um longo dia de trabalho e muitas lembranças deste show que entrou pra história do Metal alagoano.

Parabéns Shaman. Ganhem o mundo e divulguem o Metal brasileiro a exaustão.
Até a próxima.

SET LIST:

– Ancient Winds
– Here I Am
– Distant Thunder
– Time Will Come
– For Tomorrow
– Wings Of Reality
– Lisbon
– SOLO Hugo Mariutti
– Instrumental
– SOLO Ricardo Confessori
– Nothing To Say
– Over Your Head
– SOLO Andre Matos
– Fairy Tale
– Pride
– Ritual

– Burn (Deep Purple)
– Living For The Night (Viper)

– Unfinished Allegro
– Carry On
– Painkiller (Judas Priest)

– Encerramento com “II Renaissance” (in: “Lasting Child”)

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