2002/10/12 – Shaman no Recife

Clube Português de Recife – Recife/PE (12/10/02)
Por: Paulo Peterson
http://www.skyhell.net
Fotos: Rosa Izumi

Passados um ano e 8 meses do histórico primeiro show da carreira da banda, chegava o momento tão esperado por muitos para assistir um novo show, agora com um álbum lançado, já que no primeiro o que eram apenas 4 demos. Mais uma vez acompanhei toda a passagem da banda pela cidade, já tinha os encontrado em Maceió na quinta-feira quando fui ao show de lá. Logo cedo pela manhã fui ao aeroporto onde todos já aguardavam a chegada da banda, houve uma antecipação na chegada, com isso cheguei um pouco atrasado, mas segui com todos para o hotel. O Andre estava muito cansado, pois segundo eles tiveram que viajar de Sergipe para Recife sem dormir, ele me avisou logo que não iria para tarde de autógrafos, pois senão a noite não iria estar 100%, e a prioridade era o show, realmente pude constatar o cansaço no rosto de cada um da equipe. Essas datas de shows no nordeste foram seguidas, com isso fica muito difícil cumprir toda agenda estabelecida para cada cidade, o mais lógico para um vocalista é descansar a voz, e foi o que ele fez acertadamente.

A tarde de autógrafos foi na Blackout Discos, loja do mesmo produtor do show, João Marinho. Novamente desde de cedo a escadarias da galeria onde se localiza a loja foi tomada por fãs desde do meio dia. Assim que terminou o almoço num restaurante rodízio chamado SPETTUS, fomos direto para loja, onde a fila era enorme. Como sempre, tarde de autógrafos é uma loucura, muita gente, loja cheia, calor gigantesco, tudo isso foi registrado pelo redator da revista Roadie Crew, Cláudio Vicentin, que foi novamente convidado para registrar o evento a convite do produtor. Muitos reclamaram a ausência do Andre, mas todos entenderam o motivo da sua falta quando o viram em ação à noite.

Saímos da loja por volta das 18h00, para a passagem de som, o Hugo ficou na Rádio Transamérica onde fez uma rápida entrevista e chamada para o show.

Chegamos ao Clube Português e o palco estava pronto para passagem, faltava apenas o Andre. O pano de fundo, com a capa do Ritual, deixou o palco com uma linda visão quando apreciado de longe. Passaram o som com “Distant Thunder”, a banda completa e, depois, o Andre sozinho com “Fairy Tale”. Voltaram para o hotel para mais uma descansada. Por volta da 22:30h entra no palco o Silent Moon, banda que estreava pela primeira vez em palco recifenses, e que tarefa: abrir para o SHAMAN. Fizeram um set de meia hora onde tocaram seu material e alguns cover do Iron Maiden e Deep Purple. Já era grande o movimento de fãs na porta do clube, e dentro já era tomada por uma boa movimentação de pessoas se espremendo na frente do palco. Tivemos até a presença de 3 pessoas de São Paulo que foram sorteados pela rádio Brasil2000, dois eram fãs e um era representante da rádio.

Depois da meia noite apagam-se as luzes do salão do clube e as mais de 1.200 pessoas escutam a bela introdução de “Ancient Winds”, esse público surpreendeu a todas as expectativas. A produção foi uma das melhores em show de heavy metal no estado, atendeu a todas as solicitações exigidas pela banda, uma ótima iluminação de palco com ótimo jogo de luzes e efeitos. E aos gritos de “Olé, olé, olé, olé, Shaman, Shaman” entra com “Here I am” e “Distant Thunder” seguida “Time Will Come”. Foi notória a satisfação de cada integrante da banda ao ver a reação do público a cada música tocada, muitos cantaram todos os refrões juntos com o Andre, o que fez com quem cada um se espantasse e retribuísse com uma apresentação soberba de palco. Andre cumprimentam a todos presentes e fala que aquela noite era uma noite muito especial para todos da banda, que fariam um show para ninguém nunca mais esquecer, pois foi aqui que aconteceu primeiro show da carreira da banda e era uma coisa que eles não iam esquecer – a forma como foram recebidos por todos os presentes, naquela memorável noite no Dokas Hall. Bem, todos já estavam cantando juntos com a banda, ouvindo palavras como essas só aumentou a vibração com a entrada de “For Tomorrow”. Inclusive essa música é uma das mais lindas do novo cd, sua atmosfera medieval fez com quem todos cantasse seu pegajoso refrão. O final dela é uma das coisas mais lindas do show, enquanto entra aqueles corais, apagam-se todas as luzes do palco e acende-se uma luz super vermelha de fronte ao Andre, ele se agacha e faz uma bela interpretação se ajoelhando ao microfone, o detalhe é que essa luz fica centrada em suas mãos, o visual dessa cena é emocionante.

Então fazem um revival com músicas do Angra, tocam “Wings of Reality” e “Lisbon”, a sensação que tive nesse momento era que estava numa ópera, e que Andre Matos era o maestro e todos éramos regidos por ele. No meio de “Lisbon”, Andre fala que todos estavam demais e pede para cantarem o restante com ele. Começam os solos, Hugo faz um rápido solo seguido de uma jam instrumental, destaque para Fábio Ribeiro, ele mostrou seus dotes nos teclados, o som é uma mistura de progressivo com prog metal. Fica no palco apenas o Ricardo e começa o já famoso e impiedoso massacre a sua batera, sem comentários!!! Emendam o final do solo com “Nothing To Say”, música que eles não vinham tocando nos primeiros shows. Então chega a uma das minhas preferidas do novo trabalho, “Over Your Head”, Andre mostrou sua nova maneira de cantar, usando tons mais rasgados a seu usual vocal. Isso modifica muitos as músicas, junto com os ótimos duetos de Hugo e Luís, ficou uma sensacional performance – o que diga-se de passagem – estão super coesos e precisos a cada música tocada. Chega então a já conhecida música do clip e da novela, antes com uma enorme introdução feita por Andre: “Fairy Tale”. É incrível como ele canta nessa música, sua evolução como vocalista mostra que devemos ter orgulho de termos um dos (atuais) melhores vocalista do mundo.
Chegam ao final da primeira parte do show com “Pride”, antes é feita uma introdução ao teclado, onde Andre convida a todos para entrar na igreja do metal para salvarmos nossas almas, e vira-se para o Luís e diz ao comando de Jesus 🙂 nesse momento todos gritam “Jesus, Jesus, Jesus” e inicia-se uma das mais porradas do Ritual. “Pride” e ao vivo é o tipo de música que é para fechar show, mas por sorte nossa ainda tinha mais.

Volta para o primeiro bis com a faixa título “Ritual”, outra bela surpresa ao vivo, ela consegue ser melhor ao vivo do que em cd, destaque novamente para os teclados de Fábio Ribeiro. Emendam com “Burn” do Deep Purple, dos covers que o Shaman anda tocando nessa tour, essa para mim foi a mais bem executada, só uma banda com tantos músicos de talento poderia resultar nisso. Perfeito. Embora muitos novatos fãs mostraram desconhecer tão famosa música, bom para os fãs mais antigos que a conhecia. Fecham o segundo bis com “Living for the Night” do Viper, como sempre foi cantada por todos presentes. Saem pela segunda vez do palco com muitos já gritando por “Carry on”, nesse momento notei que já passava das 03hs da manhã, também passava-se 2 horas de show e quando muitos se mostravam cansados começa “Unfinished Allegro”; foi uma vibração gigantesca, histeria e esquecimento de cansaço. O então volta pela terceira vez com “Carry On” clássico absoluto do heavy metal tupiniquim e no final dela, sem tempo para respirar, emenda com a introdução de “Painkiller”, nessa hora quem está com sono levanta, quem ia na esquina voltaria, quem estava no banheiro vem correndo; foi um encerramento perfeito para uma noite que ficará na memória de muitos novos e velhos fãs da nova grande banda que o Brasil ganhou depois da separação do Angra, quem ganhou com isso fomos nós.

As “seqüelas” deixadas pelo Shaman foram umas das melhores possíveis. O que se viu foi uma nova legião de fãs nunca vista em outros shows, detalhe: muitos acompanhados dos seus pais, e esses estavam felizes em saber que foi a época que shows de rock era sinônimo de confusão. Viu-se uma pacata platéia querendo se divertir e uma banda numa noite inspirada. Esta nova geração deverá se multiplicar a cada ano, e num próximo show será ainda bem maior.

Sobre o Shaman a impressão que fica é que já nasceu para fazer sucesso, já pode ser considerada como mais outra banda brasileira fadada a conquistar o mundo com seu RITUAL.

SET LIST:
– Ancient Winds
– Here I Am
– Distant Thunder
– Time Will Come
– For Tomorrow
– Wings Of Reality
– Lisbon
– SOLO Hugo Mariutti
– Instrumental
– SOLO Ricardo Confessori
– Nothing To Say
– Over Your Head
– SOLO Andre Matos
– Fairy Tale
– Pride
– Ritual

– Burn (Deep Purple)
– Living For The Night (Viper)

– Unfinished Allegro
– Carry On
– Painkiller (Judas Priest)

– encerramento com “II Renaissance” (in: “Lasting Child”)

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