2002/10/13 – Shaman em Salvador

Rock in Rio Café – Salvador/BA (13/10/2002)
Por: Lucas Rocha (Bahia Rock/Roadie Crew)
Fotos: Rogério Bastos (Bahia Rock – http://www.bahiarock.com.br)

Tarde/noite de estréia do Shaman, banda de Andre Matos & cia, em terras baianas e, mais uma vez, o Rock in Rio é palco para celebração metálica, demonstrando que a casa, mais do nunca, agora também é metal. Logicamente que um bom público se fez presente para a apresentação, que era bastante esperada pelos inúmeros fãs que os remanescentes do Angra cultivam em Salvador. Para abrir o show, subiu ao palco a reformulada Pandora para mostrar sua nova roupagem de Thrash Metal vigoroso.

Com um pouco de atraso do horário originalmente marcado, sobe ao palco a nova banda do “multi-baterista” Luís Fernando, ex-Drearylands, e de um ícone do metal baiano de Todos os Tempos: Bruno Leal. Infelizmente tocando um set curto e só com músicas próprias, a Pandora mostrou toda potência da nova formação que conta com os já supra citados Bruno Leal (guitarra/voz) e Luís Fernando (bateria); acrescentado-se ao time: Marcos (baixo) e Júnior (guitarra). Peso, novas influências, coesão e muito, mais muito entrosamento mesmo, marcam a nova fase da banda, que agora, mais do nunca, merece lançar um disco. É até estranho, pois como é que uma banda dessas não tem um disco? É um absurdo! O set foi composto de Springs of Creation, Liar, Four Seasons e Summer of War que, apesar de curto, fica muito difícil de enfatizar uma música destaque, pois TODAS são muito boas e podem, com certeza, fazer parte do disco da banda. Em virtude da fila extensa na entrada, nem todos puderam ver a Pandora tocar, o que é uma lastimável pena. Este show serviu de presente para aqueles que acompanham o trabalho dos membros da Pandora, pois perceberam que, além da banda estar viva, está muito boa! Agora, é só esperar o disco.

Depois de um surpreendente, mas curto show desta sempre grande banda baiana, um até considerável atraso sem motivos do pessoal da banda principal, que nem estava na casa quando a Pandora terminou de tocar, ocorreu, mas fazer o que… Após este atraso, sobe ao palco o que todos esperavam e, logicamente, precedidos da belíssima intro “Ancient Winds”, chega o Shaman. Motivação. Esta poderia ser a palavra que resumiria o show, já que todos os integrantes da banda se mostraram inteiramente soltos e animados de estar no palco. Passada a intro, “Here I Am” começa o espetáculo que, como sempre, angariou destaque para um dos melhores vocais, principalmente em presença de palco, do Brasil; Andre Matos. Técnica e extrema facilidade de comunicação com o público credenciam este vocalista com tal classificação. “Distant Thunder” e “Wings of Reality”, da fase Fireworks do Angra, seguem o show, colocando Luís Mariutti e Ricardo Confessori no patamar que sempre mantiveram de entrosamento e pegada. Bem mais solto no palco, Luís mostrou maior confiança e debulhou técnica pelo seu baixo. Numa seqüência empolgante, a banda toca duas das melhores músicas do disco, “For Tomorrow” e “Time will Come”, compilando logo após com a cantada em uníssono “Lisbon”, também da fase Fireworks, do Angra.

Esta primeira parte do show foi arrasadora. Ainda mais que, logo após Lisbon, Ricardo Confessori faz o seu já tradicional solo que a cada turnê fica melhor, mais rápido e mais virtuoso. Habilidade sensacional com as baquetas o homem domina completamente e todos puderam, mais uma vez, comprovar isso. Para continuar o já fantástico show se não fossem alguns problemas técnicos, os shamânicos iniciam uma das melhores músicas dos integrantes presentes, na fase Angra, que se chama “Nothing to Say”. “Over Your Head” e “Fairy Tale”, seguidas de culto ao “Senhor Jesus”, mostram claramente que, além de já em tão pouco tempo de estrada a banda está totalmente entrosada, a vitalidade e resistência dos músicos no palco, principalmente da voz de Andre, que se manteve firme e indefectível até o final. Cartilha “rezada”, “Pride” e “Ritual” servem de intro para uma homenagem mais que merecida que o Shaman presta ao Deep Purple, tocada e cantada magistralmente pela banda. Vale ressaltar, também, a presença exímia de Fábio Ribeiro nos teclados, que segurou todas as bases para a única guitarra de Hugo Mariutti que, no mínimo, foi uma grata surpresa para os fãs presentes, principalmente nos solos das músicas do Angra, tocando com muita pegada e fidelidade, também, as músicas contidas em Ritual.

Para o suposto encerramento do show, uma música que emocionou a muitos presentes pela carga de influência que foi para muitos bangers em todo país, que foi a belíssima “Living For the Night”, do Viper, que foi, praticamente, cantada pela platéia presente. Obviamente que o “bis” seria um presente para o público baiano. Fãs declarados de tocar na Bahia, Andre, Luís e Ricardo voltam ao palco ao som de “Unfinished Allegro”, que prenuncia a tão esperada “Carry On”! Antes que os já loucos fãs que se debatiam na platéia achassem que o show chegou ao fim, os riffs de “Painkiller”, do Judas Priest, ecoam da guitarra de Hugo Mariutti e decretam a loucura total! Um término de show melhor do que esse, só se “Painkiller” fosse tocada três vezes! Neste último show da turnê pelo Nordeste, o Shaman mostrou que acalcou o objetivo principal com o lançamento de Ritual: fazer Heavy Metal de qualidade, sobretudo para ser tocado ao vivo! Com energia e pegada! Se este era o objetivo, conseguiram e de sobra. Show memorável.

Infelizmente temos que falar do repugnante show à parte dado pela segurança do evento. Um show de violência e maus tratos aos presentes, o que é, evidentemente, um absurdo incomensurável. É inadmissível que ainda haja extrema discriminação ao público de Heavy Metal, pois é isso que acontece. Socos, estrangulamentos e inúmeras ameaças foram presenciadas por todos presentes, evidenciando a selvageria aplicada no show, onde a maioria do público que se deslocou ao local, não chegava aos 18 anos… Infelizmente, um absurdo. Fora isso, um evento que chegou ao seu objetivo: consagrar uma excelente banda baiana que, em breve, estará concretizando, esperamos, essa consagração em disco e a afirmação de uma banda que já nasceu vencedora, mostrando que, realmente, foi a melhor coisa que Luís Mariutti, Ricardo Confessori e Andre Matos fizeram foi montar o Shaman. Uma banda que reúne tudo de bom que tinha no Angra com maior autenticidade e pegada. Salvador já faz parte do circuito, pois eventos como este a credenciam com certeza, então, mais eventos virão para fazer de Salvador e da Bahia rota certa dos eventos de Metal no Brasil.

O Bahia Rock mais uma vez agradece a Backlands produções, por viabilizar uma boa cobertura do evento; a Pandora e Sérgio (Templarius, The Clansmen); Haggen Kennedy, Epifânio, Paulo (Rainbow Produções) e a todos que ajudaram em mais uma bem sucedida cobertura do Bahia Rock.

SET LIST:
– Ancient Winds
– Here I Am
– Distant Thunder
– Time Will Come
– For Tomorrow
– Wings Of Reality
– Lisbon
– SOLO Hugo Mariutti
– Instrumental
– SOLO Ricardo Confessori
– Nothing To Say
– Over Your Head
– SOLO Andre Matos
– Fairy Tale
– Pride
– Ritual

– Burn (Deep Purple)
– Living For The Night (Viper)

– Unfinished Allegro
– Carry On
– Painkiller (Judas Priest)

– encerramento com “II Renaissance” (in: “Lasting Child”)

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