2003/10/17 – Shaman em Juiz de Fora

FAN REVIEW – Marista Hall – Belo Horizonte/MG (18/10/03)
Por: Renato Galluzzi
Fotos: Renato Galluzzi

Depois de mais de uma hora de espera, finalmente as portas do Free Hits foram abertas. Assim que entrei, corri para a frente do palco e lá esperei por pouco mais de uma hora até o início do show, sofrendo com um calor impressionante e com o som mecânico alternando bons e maus momentos.

Até que, finalmente, as luzes do palco se apagam e “Ancient Winds” começa a ecoar pela casa. Aos poucos, a banda entra no palco. Hugo Mariutti, Luis Mariutti, Ricardo Confessori e Fábio Ribeiro destroem na perfeita “Here I Am”, um baita power metal, típico de abertura de CD. Andre Matos entra no palco e se prepara para cantar os primeiros versos. Delírio absoluto e um empurra-empurra como jamais vi na minha vida.

Por incrível que pareça, não teve rodinha de hardcore. Mas teve muita, muita ondinha, o que eu achei insuportável. Como o calor estava absurdo, o empurra-empurra, irritante, e o som, horrível devido ao posicionamento (a primeira fila da platéia estava à frente do PA), decidi assistir ao show lá de trás.

Foi uma decisão acertada. No fundo, o som estava muito mais bem regulado, embora não perfeito. E vi tudo na maior calma e tranqüilidade.

O show seguiu com “Distant Thunder”, “Time Will Come” e “For Tomorrow”. Andre Matos pediu que os seguranças colaborassem com a festa e que não empurrassem o público. Mandou o recado e disse para que entendessem que o público de metal é bem diferente do público do pagode. E, obviamente, foi ovacionado.

Aí veio a primeira do Angra: a maravilhosa “Lisbon”, uma de minhas preferidas, ainda mais pesada e bonita. E, pra completar, Andre Matos fala: “Eu gostaria de oferecer essa música e mandar um abraço pra todos que vieram de fora, especialmente para o pessoal de Muriaé!”, enquanto Hugo Mariutti exibia o cartaz feito por meus amigos, no qual estava escrito “Shaman – Muriaé-MG”.

A seguir, Hugo fez um solo de guitarra exuberante. A música “Be Free” foi tocada pela banda e Ricardo Confessori emendou seu solo de bateria. Simplesmente impressionante a técnica do cara!

Após as demonstrações de virtuosismo, todo mundo bateu cabeça com “Over Your Head”. No final, Andre Matos, quando explodia em um agudo fantástico, tropeçou, caiu sentado no palco, mas não perdeu a banca. Continuou a cantar e não vacilou em um só segundo. Nota 10!

Para acalmar um pouco, Andre fez um belíssimo solo de piano e introduziu a maravilhosa “Fairy Tale”, cantada em uníssono por todos no Free Hits. Após a execução da música, o público clamou por “Carry On” e Andre Matos brincou. Fez no piano o riff de introdução do clássico do Angra, parou e disse: “Calma, pessoal. Daqui a pouco a gente vai fingir que vai embora, aí vocês pedem mais uma e a gente toca essa, ok?”.

Chegou a vez de “Ritual”, faixa-título do CD de estréia do Shaman, ser executada. Fábio Ribeiro iniciou o tema uma vez e parou. Iniciou a segunda vez e parou novamente. Pediu ao público que cantasse, fazendo ôôô. Foi prontamente atendido, e a música tornou-se um verdadeiro espetáculo.

Houve um momento em que o show transformou-se em culto evangélico. Andre Matos começou a discursar, pediu que todos tivessem fé, pois assim nossas vidas melhorariam. Disse que aquele discurso remontava a uma época muito distante, a época do Velho Testamento, mas que, apesar de antigo, ainda era válido. Foi quando, ao som de um tema gospel executado por Fabio Ribeiro, o vocalista pediu mais uma vez que acreditássemos, que tivéssemos fé, pois JESUS estava pronto para nos ajudar. Nesse momento, as luzes caem sobre Luis Mariutti, sob aplausos intensos do público.

E o show foi finalizado com a contagiante “Pride”. Andre arrepiou a todos ao aplicar agudos fantásticos. Cantou com perfeição absurda. E, como se não bastasse, comandou o público com uma presença de palco incrível. Agitou, levantou os braços, pediu palmas. Um verdadeiro showman.

Após dois ou três minutos de espera, o bis incendiou o Free Hits. Foram ouvidas no PA as primeiras notas “Unfinished Allegro”. Infelizmente, houve uma falha no som e a vinheta ficou cortada, algo que ninguém entendeu direito, mas que de maneira alguma cortou o clima para a euforia total causada por “Carry On”.

O verdadeiro encerramento aconteceu com dois covers. O primeiro foi de “Breaking The Law”, do Judas Priest, cantada com empolgação por todos. Nessa música, Andre Matos puxou Tuka, que iria abrir o show com a Tuka’s Band, para o palco, e o cara ficou extasiado. Ao final da música, voou para o meio da galera, visivelmente empolgado e emocionado.

O segundo cover, é claro, foi do Iron Maiden. Andre vestiu uma camisa do “The Number of the Beast”, invocou as forças do metal e o Shaman detonou uma fantástica versão de “Wasted Years”. Incêndio total do público. Após os agradecimentos, as luzes do palco se apagaram ao som de “Lasting Child – Renaissance”.

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