2003/10/17 – Shaman no Rio de Janeiro

FAN REVIEW – Rio de Janiero/RJ – Olimpo (17/10/03)
Por: Daniel Dutra
Fotos: Henrique Pacheco

Responda com toda a sinceridade: qual foi a última vez que você viu uma banda brasileira de metal fazer uma turnê tão longa dentro de seu próprio país? Não, não basta fazer apenas meia dúzia de shows por mês e passar uma única vez na grande maioria das capitais. Lembrou? Sinceramente, eu não, por isso, bato palmas para o Shaman. Ritual foi lançado há mais de um ano e, entre algumas passagens por Europa e Japão, o grupo não pára de tocar em todo o Brasil. Sorte dos fãs, que continuam prestigiando, e prova de que o primeiro disco foi realmente muito bem aceito – imagens, então, o CD duplo e o DVD Ritualive, que chega às lojas nas próximas semanas…

Depois de tocar duas vezes no ATL Hall (hoje Claro Hall), o Shaman aportou em meados de outubro no Olimpo, localizado na Vila da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro. O lugar é longe, muito longe – tudo bem, isso depende de referência… Eu é que não moro lá muito perto – mas a primeira visita a casa foi bem agradável. Facilidade para a imprensa, local espaçoso, boa acústica (apesar de o som ter tido seus altos e baixo no início e no fim do show) e 3.000 pessoas numa sexta-feira à noite para assistir a mais uma apresentação de André Matos, Luis e Hugo Mariutti, Ricardo Confessori e Fábio Ribeiro. Ponto para o público, que apenas precisa aprender a não empurrar a grade de proteção e acabar com o espaço no “chiqueirinho”, atrapalhando a vida dos fotógrafos (aliás, fica registrado meu agradecimento especial a Henrique Pacheco e Rafael Carnovale).

Com meia hora de atraso – e eu pedindo a Deus que o show começasse logo, isso depois de ter meus ouvidos estuprados por uma música (Mirror Mirror) do Blind Guardian… Como essa banda é ruim! – começou a rolar a belíssima “Ancient Winds”, a deixa para “Here I Am”, a excelente “Distant Thunder” e “Time Will Come”. Início de show sem nenhuma surpresa, quase uma tônica de toda a apresentação. Na verdade, o melhor da noite foi ver uma banda absolutamente dona do palco e, independentemente do repertório, capaz de fazer um grande show sem precisar inventar. Novidade mesmo – além do visual “James Hetfield” de Hugo – foi a apresentação mais curta, de “apenas” 1h40min e sem “Living for the Night”, do Viper, e uma ou outra canção do Angra.

“For Tomorrow”, novo single e uma das melhores de Ritual, veio a seguir e puxou “Lisbon”, que mais uma vez levou os fãs ao delírio – vá lá que eu tenha uma birra muito grande com o “Fireworks” e a música está longe de ser uma das minhas favoritas, mas tem funcionado bem ao vivo. O solo de Hugo deu início a uma instrumental irretocável, ratificando mais uma vez a preocupação da banda com a música em detrimento do virtuosismo explícito. A hora foi perfeita, já que a jam foi encerrada com o solo de Confessori – uma mistura de técnica precisa de bumbo e malabarismo com as baquetas – e o som de bateria estava fantástico.

“Over Your Head” (minha favorita do Ritual), “Fairy Tale” (não, eu não vou mais falar mal de “life is good”) e “Blind Spell” fizeram o show se encaminhar para o fim – antes do bis, obviamente – com “Pride”, em que Matos “descobriu” que Confessori não agüenta mais o “sermão religioso” antes da música. Brincadeira, claro, e o público agitou da primeira à última nota da canção, não sem antes ignorar o pedido de Hugo e entoar o coro de “Jesus” para Luis, que ironicamente usava uma camisa com um “666” estampado.

O início do bis era óbvio, mas existe coisa mais chata do que aqueles malas que ficam pedindo “Carry On” com apenas meia hora de show? Sinceramente, torço para que o Shaman deixe de tocá-la num futuro bem próximo, já que a partir do segundo CD a banda terá material próprio suficiente – e de qualidade – para um show completo. Enfim, “Unfinished Allegro” introduziu o clássico do Angra e foi aquela festa.

“Wasted Years” funcionou como túnel do tempo. Ao olhar a enorme quantidade de adolescentes vibrando, lembrei de quando era um e fiz o mesmo no Caverna II, em 1989, quando o Viper, ainda com Matos no vocal, botou o ginásio abaixo com o mesmo clássico do Iron Maiden. Às vezes o saudosismo é plenamente saudável. Apesar de uma inexplicável diminuída nos ânimos da platéia, “Breaking the Law”, do Judas Priest, foi mais uma vez um ótimo presente final.

Por: Daniel Dutra
Fotos: Henrique Pacheco

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