2003/10/19 – Shaman em Americana

FAN REVIEW – FECA – Americana/SP (19/10/03)
Por: Igor [M.p]
Fotos: Sergio Oliveria Sanchez

O FECA é um festival de bandas amadoras, anteriormente voltado a um “ideal” de projeto estudantil, uma vez que a sigla, que hoje define “Festival da Canção de Americana”, outrora se reportou à “Festival Estudantil da Canção de Americana”. Contudo, perdido o aspecto “competitivo” com o passar dos anos, virou o FECA uma espécie de “vitrine” das bandas amadoras de todo o país para demonstrarem seu valor.

Ontem, como não podia deixar de ser, foi incumbido o Shaman de fechar este festival e não poderia ter feito de forma melhor.

Com um público bom, em vista da fraca divulgação pela mídia local – problema esse muito enfrentado pelo underground nacional, contudo, mais alarmante aqui em Americana – por volta das 21:30hs, é iniciada a belíssima música-prelúdio “Ancient Winds”. Percebiam-se nos rostos um misto de apreensão – afinal era a primeira apresentação do Shaman na região – e claro, otimista expectativa, pelo gabarito dos músicos envolvidos; e, como não poderia deixar de ser, aos primeiros acordes de “Here I Am”, que fez o Centro de Exposições da FIDAM vir abaixo, percebia-se a satisfação já estampada na face de todos presentes… Com um coro efusivo a seu redor, André Matos mais uma vez mostrou-se como um dos maiores frontmans do metal mundial, “conduzindo” o público presente da forma como pretendia, ou seja, com muita energia e participação.

Seguiu-se, assim, a estupenda “Distant Thunder”, que com seus riffs matadores convocavam todos a agitar. Nesta levada, veio “For Tomorrow”, talvez uma das mais completas composições do debut-álbum e que, confesso, uma vez ouvida em estúdio, me deixava com dúvidas quanto à sua execução ao vivo. Desnecessário concluir pela total quebra deste meu ingênuo preconceito. Assim, num clima de total intimidade com o público e totalmente à vontade, foram executadas as também excelentes “Time Will Come” e “Lisbon” (bem melhor do que quando tocada no Angra), e a apresentação de Ricardo Confessori junto à Hugo Mariutti, em uma muito bem ensaiada improvisação instrumental. Creio ser desnecessário frisar que hoje, tanto Ricardo como Hugo representem o que talvez tenhamos de melhor em nosso cenário metálico nacional, não desmerecendo a acirrada concorrência, mas para quem toca com a confiança e “irritante” precisão temas para duas guitarras, como o acontecido com “Lisbon” e “Carry On”, já é digna de nota a performance apresentada por Hugo. Quanto à Ricardo, é o que já todos nós estamos cansados de ver e ouvir, ou seja, extrema precisão, força, técnica e bom gosto em suas composições por trás dos dois bumbos. Cabe aqui também uma digna nota ao tecladista de apoio, infelizmente não tenho o nome do mesmo (NFT – Fabio Ribeiro), mas mostrou-se bem à vontade, tocando o “necessário”, sem mais delongas, tendo e dando o devido espaço na execução das canções. Some-se a sua bela apresentação também a conveniente, por assim dizer, de André Matos voltar a ser o responsável por parte dos teclados – algo que havia ficado em segundo plano no Angra – demonstrando uma exímia técnica e conhecimento do instrumento.

Apesar do local não colaborar nem com a acústica, muito menos com um palco digno da importância de sua atração, deu para perceber, de forma clara, que André Matos e sua trupe pouco se importavam com este aspecto, demonstrando um carisma e competência inigualáveis. É aquele velho ditado de quem acompanha o underground: “Quanto mais cru, melhor!”.

Neste clima de total cumplicidade, vieram as também excepcionais “Ritual”, a manjada “Fairy Tale”, com sua bela e afiada melodia, seguida por uma música, na minha modesta opinião, a melhor faixa “speed” já composta por André e os demais membros, mesmo incluso o período no Angra, “Pride”. Iniciada por um ovacionado discurso de André: “É hora de termos fé na religião do Metal!!!”, que fez tremer as estruturas da FIDAM, iniciou-se uma das mais contagiantes execuções da noite. Nesta grande catarse que se encontravam os presentes, iniciou-se a introdução à Carry On, “Unfinished Allegro”, seguida pela própria. Novamente, desnecessário dizer sobre o “estrago” promovido pela mesma.

Assim, como o tempo para a apresentação era escasso, em vista do local encontrar-se num bairro residencial (equívoco da produção, que poderia ter encontrado local melhor para a realização de todo o Festival, não prejudicando a execução de qualquer banda, e principalmente, da headliner que fecharia o evento), foi assim encerrado, precocemente essa verdadeira “celebração ao heavy metal”.

Esperamos, desta forma, ansiosamente, outra oportunidade, mais de acordo com a importância do Shaman, em outra cidade próxima ou até mesmo aqui em Americana, para aí sim, um show “completo”… como ansiavam todos os presentes, desde o público, assim como a banda.

Acesse: metalpub.weblogger.terra.com.br

Abraços a todos.

Igor [M.p]
IbT.

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