2010/06/12 – André Matos mostra como se toca metal

Depois de longos anos de estrada e mesmo estando um pouco fora de forma, o maestro André Matos ainda continua com a mesma energia de sempre e muito bem acompanhado. Os músicos que compõem a André Matos Band são competentes por demais que chegam a beirar o exagero. Por exemplo, os solos individuais que por muitas vezes são desnecessários.

Diferente do show do Angra, do último dia 14 de maio, que os músicos estavam apáticos tocando de má vontade e com um som péssimo. Sem contar nas desafinas ridículas que o vocalista, Edu Falaschi, dava descaradamente, principalmente quando tentava alcançar o tom do André Matos. Não curti, tudo estava escroto e preferi não escrever sobre. Por isso não postei nada, caso alguém tenha questionado.

Tirando a ausência do baixista Luis Mariutti, que fez muita falta, e até agora ainda não descobri o motivo e se ele ainda continua na banda; a enrolação com solos individuais, uma jam bem longa e maçante, o resto foi ótimo. Tudo foi perfeito. O maestro André mostrou mais uma vez como se faz metal e como se canta de verdade. Viu, Edu?!

A banda tocou as músicas do dois álbuns: “Leading On”, “I Will Return”, “Rio”, a faixa-título do disco: “Mentalize”, “Separate Ways (Worlds Apart)”, “Letting Go”, “Endeavour”, isso que eu lembro. Depois de tanto tempo na estrada e embora a voz do André não esteja tão potente como antes, o cara ainda consegue extrair uns agudos poderosos sem deixar cair o tom. Uma vez maestro sempre maestro.

Foram executados clássicos de bandas anteriores em que ele passou: a balada global “Fairy Tale” (que achei dispensável, melhor tivessem tocado “Here I Am”), do Shaman. Medley da antigona Viper “A Cry From The Edge” e “Living For The Night”. Ambas as músicas foram entoadas pela platéia em forma de hino. Os solos alternados entre os guitarristas Andre Hernandes e Hugo Mariutti foi um espetáculo.

E claro, não poderia faltar “Carry On”, do Angra, que é um hino do nosso metal. Por mais que o baixista (não recordo o nome) que substituiu o Jesus (opa!), o Luis, fosse bom não é a mesma coisa, ainda mais tocando “Carry On”. Também do Angratocaram “Lisbon”. Posso falar uma coisa? O Edu deveria ver o mestre André cantando essa música para aprender como se alcança o tom sem desafinar.

Para quem não sabe, o outro guitarrista, André Hernandes, mais conhecido comoZaza, foi professor do Hugo Mariutti. Ele foi, na verdade, o guitarrista do Angraantes do Kiko. Ele que fez o riff de “Carry On” e bolou muitos solos que foram influência para o Kiko e o Rafael (atuais guitarristas do Angra), para quem ele deu aula também.

Agora vou dar a mão à palmatória. Gostei do resultado do CD Mentalize ao vivo. Na verdade, demorei para degustar sonoramente esse trabalho e somente depois de várias vezes ouvindo comecei a entendê-lo aos poucos. Então, no último sábado me rendi, não por completo.

Mesmo com o baterista, Eloy Casagrande, sentando a mão na bateria, que chegou a furar a caixa e entortar a estante de prato, retiro o que disse anteriormente a respeito do “garoto prodígio“, ex-aluno do Aquiles Priester que venceu o Modern Drummer Festival 2005. Não é só panca (pose) ele toca desgraçadamente bem. Muito bem! Embora eu ainda ache que ele esteja um pouco afoito, talvez seja pela idade, mas não quer dizer que não seja um bom músico. Não é mesmo, Walace?!

Tirando alguns excessos o show foi realmente bom. Sentimos falta de metal de verdade por aqui, em comparação aos dois anos anteriores que estávamos na rota de show internacionais, temos que torcer para que algumas bandas nacionais aportem na terra baré. Porém, desde que seja feito de boa vontade e não como no caso do Angra. Se for pra vir pra cá pra tocar de má vontade, melhor ficar por lá mesmo.

Vida longa ao metal! \o/

Fonte: http://ocamazonia.blogspot.com.br/2010_06_01_archive.html