2011/06/26 – Ícone

Andre Matos finaliza turnê do segundo álbum e revive sucessos das bandas que liderou no metal nacional. Fotos: Luciano Oliveira.

Líder de bandas seminais para o metal nacional, Andre Matos voltou ao Rio em show da turnê solo

Líder de bandas seminais para o metal nacional, Andre Matos voltou ao Rio em show da turnê solo

Não há final de feriado que explique que só umas 300 pessoas tenham comparecido à Fundição progresso, ontem, no Rio, para ver o show da banda de Andre Matos. Um dos maiores nomes do metal nacional em todos os tempos, o vocalista merecia maior reconhecimento dos cariocas, mas, também, não se deixou abater. Fez o show competente de sempre, como se estivesse diante de um plateia de encher estádio. Foi, de acordo com Andre, o último show da turnê do álbum “Mentalize”, o segundo de sua carreira solo, depois de ter brilhado à frente de ViperShaaman e Angra – bandas que tiveram hits lembrados durante a noite.

Eloy Casagrande: técnica, agilidade e precisão

Eloy Casagrande: técnica, agilidade e precisão

Os quilinhos a mais de André não prejudicam sua performance vocal: o gogó de ouro está lá, com o alcance usual, do início ao fim das cerca de 1h40 que o set durou. Nem o trecho com um verso colado no outro de “Prelude to Oblivion”, do Viper, tirou o fôlego do moço. A música tem sido tocada como opção ao hino “Living For The Night”, que bem que poderia ter sido mantido no repertório. Em “Mentalize”, fica evidente como Andre tem usado a voz nos últimos tempos, muito mais equilibrada do que antes, quando os alcances mais altos eram o objetivo. Tocadas no mesmo show, as duas músicas, separadas por 20 anos, dão a medida da trajetória do músico, o “maestro do metal”, na apresentação do guitarrista Hugo Mariutti, já no final da noite.Ele é remanescente do Shaaman, e comanda junto com André a banda formada por André Zaza Hernandes (na outra guitarra), Bruno Ladislau (baixo) e o excepcional Eloy Casagrande na bateria. Além de um solo matador em que mostra precisão e agilidade, surpreendendo com passagens de samba e jazz, o prodígio ainda se destaca por evoluções no meio das músicas. É o que acontece em “Rio”, que homenageia a Cidade Maravilhosa, e no final de “Separate Ways (Worlds Apart)”, sensacional cover do Journey – quem diria – cantado por todo o ralo púbico da Fundição. A música faz parte de “Time to be Free”, primeiro solo de André. Zaza Hernandes também tem seu momento solo, mas passa a maior parte do tempo indo de um lado a outro do palco, mais num exercício de entreter o público do que de solar pra valer. Um duelo entre ele e Mariutti (com um irreconhecível look Falcon/Oasis) daria um “up grade” substancial ao número.

Andre Matos e o discreto baixista Bruno Ladislau

Andre Matos e o discreto baixista Bruno Ladislau

A formação carece de um tecladista, já que nem mesmo André se envereda pelo instrumento, como fazia nas bandas que liderou. Por isso, passagens pré-gravadas são disparadas da mesa de som a todo o momento para completar o arranjo original das músicas. Às vezes, não compromete, mas em “Lisbon”, por exemplo, soa estranho. É curioso como, entretanto, a nova versão da música, hit com o Angra, ganha contornos bem mais ásperos e interessantes. Já “Holy Land”, que inicia o bis, tem arranjo abrasileirado demais e cruza caminho inverso. Mas a que mais causa comoção no público é “Carry On”, faixa que abre o primeiro álbum do Angra e determina de imediato a abertura de uma irresistível roda de pogo. “Pride”, do Shaaman, fecha a noite no gás, e a vontade que dá é de chegar logo em casa e colocar os discos antigos em que o vocalista cantou pra tocar.A abertura ficou por conta da banda Empürios, cujo som circula por vários subgêneros do metal. A formação chama a atenção por conta da guitarrista Renata Decnop, já que não é muito comum mulheres tocarem guitarra, muito menos em bandas de metal. A irmã dela, Fernanda, é quem canta e impinge um diferencial para o grupo. Ela tem a companhia vocal do baixista Luiz Freitag, e a dobradinha remete aos primórdios dos vocais femininos no metal, quando a alternância entre vozes rasgadas com limpas era a tônica. O grupo tocou durante cerca de 40 minutos e foi muito bem recebido pelo público. Maduro no palco, precisa lançar logo o álbum de estreia.

A voz é a mesma, mas a silhueta... quanta diferença

A voz é a mesma, mas a silhueta… quanta diferença

Set list completo Andre Matos1- Intro
2- Leading On
3- I Will Return
4- Rio
5- Mentalize
6- Innocence
7- Solo de guitarra
8- Separate Ways
9- Reason
10- Solo de bateria
11- The Myriad
12- Prelude to Oblivion
13- Lisbon
Bis
14- Holy Land
15- Carry On
16- Jam/Another One Bites The Dust
17- Pride

Fonte: http://www.rockemgeral.com.br/2011/06/27/icone/