2012/07/21 – Viper em Porto Alegre

Por Mairon Machado

A primeira parte da turnê comemorando os 25 anos do grupo paulistano Viper foi encerrada na noite do último sábado, 21 de julho, com um espetáculo emocionante no pequeno Teatro do CIEE, em Porto Alegre. Em uma apresentação de quase três horas – Andre Matos (voz, teclados), Pit Passarell (baixo, voz), Felipe Machado (guitarra, voz), Hugo Mariutti (guitarra) e Guilherme Martin (bateria) – resgataram a alegria de se ouvir Power Metal bem tocado, apresentando na íntegra os seus dois primeiros álbuns: Soldiers of Sunrise(1987) e Theatre of Fate (1989).
Mas o show não foi somente isso. Foi um festival de lágrimas, risadas, saudosismo. Uma contagiante performance que sacudiu as estruturas do CIEE. Além de um respeito mútuo entre banda e fãs, que deixou muita gente espantada pelo vigor imposto pelo grupo em cima do palco, mesmo separados por 22 anos.
A noite começou com a curta, mas muito boa, apresentação do grupo Phornax. Formado por Cristiano Poschi (voz), Thiago Prandini (guitarra, voz), Maurício Dariva (bateria) e Uesti Papeé (baixo, voz), o quarteto apresentou uma perfomance sólida que agradou ao pequeno público que o assistiu. Apresentando as quatro canções que compoem o EP Silent War (lançado de forma independente nesse ano), demonstraram que, com pequenos ajustes, vão dar o que falar na cena nacional. Um bom show, que animou bastante para a sequência da noite. O grupo possui muito carisma, distribuiu uma canção via Bluetooth aos presentes, além de apresentar ao público uma linda dançarina chamada Aline que fez uma sensual dança do ventre durante uma das canções.
Após uma pequena espera, entrou em cena o aclamado Scelerata. Um dos maiores nomes do metal gaúcho na atualidade. Confesso que achei o show bem chatinho. Apesar da inclusão de “Run to the Hills” (única que levantou o público, que agora já concentrava-se em maior número), o estilo pareceu não agradar a maioria do Teatro que começou a se acomodar nas poltronas do CIEE esperando o show acabar. Não sei como essa banda faz sucesso. Não entendo como Andi Deris e Paul DiAnno já pagaram pau para eles. Enfim, destaca-se pelo menos o trabalho dos guitarristas.
Viper ao vivo
Passada a fraca apresentação do Scelerata, que ainda teve a pífia ideia de chamar o Viper de “Dinossauros do Metal nacional”, as cortinas do Teatro se fecharam e a movimentação começou para a grande atração da noite. Com um pequeno atraso, depois de uma longa introdução pré-gravada, o quinteto subiu ao palco detonando “Knights of Destruction”, abrindo o Lado A de Soldiers of Sunrise.
Detalhar as canções uma por uma é desnecessário, pois a performance é quase perfeita. Por outro lado, os fatos inusitados que ocorreram no show precisam ser trazidos ao nobre leitor. Andre fala muito, conversa bastante e detalha histórias antigas da formação do Viper de forma descontraída, assim como todos os membros da banda que estão muito a vontade tocando seus velhos clássicos.
Logo na primeira conversa, com o teatro lotado, Andre viu Micael e eu segurando a capa dos vinis de Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate (respectivamente). Não é que ele vem na nossa direção, pega as capas dos vinis e leva para o palco para dizer que vão apresentar os dois? Ainda diz: “Depois a gente vai autografar esses aqui para vocês!”.
Felipe Machado
Cara, ali foi a primeira alegria extra-música, mas ainda tinha mais… Pit, que parece estar com algum problema de saúde e muito acima do estoque alcoólico recomendado para um ser humano foi ao microfone e falou: “Quando estávamos vindo para cá eu vi vocês, com os vinis. Me deu vontade de descer da van e autografar ali mesmo“. Cara, um dos principais nomes do metal nacional (se não o maior) viu a gente e ainda se lembrou da gente, isso não tem preço. Mas ainda tinha mais …
Voltam para seguir as canções de Soldiers of Sunrise. “Nightmares”, “The Whipper”, “Wings of the Evil” e “Signs of the Night” são apresentadas uma a uma fugindo da sequência natural do LP. Apesar da visível queda na voz de Andre, o cara ainda manda muito bem. Felipe parece um menino que está fazendo seu primeiro show, e, por diversas vezes, passa a guitarra para os fãs tocarem nela, sendo que eu tive a oportunidade de fazer uma pestana para ele tocar (a pedido do mesmo!). Hugo, substituindo Yves Passarell (guitarrista original da banda) faz muito bem as suas partes, talvez até melhor. Sua técnica é perfeita! Martin executa seu conjunto com velocidade e muita técnica e Pit é a atração maior.
Pit Passarell
Apesar de realmente parecer não estar no seu melhor estado de saúde (tomara eu que esteja errado), o baixista é um ídolo para os fãs e também para seus colegas de banda. Por diversas vezes, o grito “Pit! Pit! Pit!” foi pedido para ser entoado por Andre ou por Felipe. O baixista, sempre altamente emocionado, dirigia-se a plateia com muita atenção e carinho.
Soldiers é encerrado com êxito e, sob muitos aplausos e urros da plateia, o quinteto deixa o palco para dar espaço a apresentação de um engraçado vídeo contando a história da banda desde seu início com várias fotos e imagens raras. Destaca-se a apresentação incendiária (literalmente) no primeiro show de divulgação de Soldiers of Sunrise, no qual um roadie do grupo acabou incendiando as cortinas da escola em que a banda se apresentava de forma totalmente inusitada.
O vídeo acaba ao som de “Illusions”, faixa instrumental que abre Theatre of Fate. Os integrantes voltam ao palco para apresentar este que é um dos melhores discos do rock nacional. “At Least a Chance” e “To Live Again” sacudiram as estruturas do CIEE. A sequência “A Cry from the Edge” / “Living for the Night”  fez muitos presentes perderem a voz tentando cantar os agudos inatingíveis de Andre (que nem ele consegue atingir mais, infelizmente).
Andre Matos à frente do Viper
Andre comanda as ações, saindo e entrando do palco por diversas vezes, não querendo ser o centro das atenções como muitos pensam por aí. Em uma de suas saídas, volta indignado dizendo que os donos do Teatro pediram para agilizar e tocar as canções de uma vez, pois tinham que fechar o mesmo. Como que em um ataque de rebeldia, mandam uma versão de mais de dezesseis minutos para “Living for the Night”. Durante ela, Andre pegou duas baquetas, foi para o lado de Guilherme e deu espaço para Pit apresentar a banda. Com uma voz muito fraca, Pit apresentou um a um, chamando Andre de “Melhor Vocalista do Mundo”.
Para agradecer, Andre apresentou Pit contando sua história, dizendo que ele era o responsável por mostrar o som pesado para eles (já que era o mais velho) quando ainda eram garotos, que compôs Power Metal antes mesmo do Helloween e deixou Pit mais emocionado do que já estava. Ainda deu tempo de Andre fazer um belo manifesto, sentando o ferro naqueles que dizem que o grupo voltou apenas para fazer uma turnê comercial dando um direto para uns e outros pseudo-jornalistas metidos a besta, com certa reputação no centro do país, que falam que a cena metálica no Brasil é decadente. Se fosse, todos os shows da To Live Again Tour não teriam sido concluídos com todos os ingressos vendidos.
Passada a loucura de “Living for the Night” veio a faixa-título. Todos ficaram em silêncio para acompanhar “Moonlight”. A performance de Andre não é idêntica a do vinil, mas é invejável ver que ele ainda consegue cantar essa canção. O show encerrou-se com “Prelude to Oblivion” (outra mudança na ordem original). Assim, saem novamente de cena.
Aos gritos de “Viper! Viper! Viper!“, retornam meio sem saber o que fazer, visivelmente emocionados. Pit, carregando várias palhetas, anuncia: “Tenho palhetas para vender”. Quando vai começar a distribuir as palhetas, olha em direção aonde está o Micael e fala no microfone: “Eu vi você com os discos cara, tá aqui, eu vi você!“, dando a palheta para meu irmão. Bah, se o Micael tenta tocar baixo muito é por causa do Pit. Ver ele recebendo a palheta de um de seus maiores ídolos foi mais uma grande alegria.
Fã-bolha e seu ídolo
Pit diz que vão tentar interpretar algumas canções do álbum Evolution. Eu, que estava com a capa do vinil nas mãos, vejo Pit vir na minha direção, pedir a capa do vinil, levar a mesma para o palco e depois vir agradecer por ter o mesmo. Baita parceria, humildade e valorização de um fã, que já brilhava os olhos mais do que as meninas que não paravam de olhar para o Andre, mas no meu caso era de emoção.
Tentam (por que não vão até o fim) interpretar “Evolution”, fazem uma estranha versão para “The Spreading Soul” (com Pit e Andre dividindo os vocais), mandam ver em “Rebel Maniac” e encerraram o show com a cover veloz de “We Will Rock You” (gravada originalmente pelo Queen no excepcional Live Killers, de 1979), encerrando o show com muitos agradecimentos, apertos de mãos com os fãs e uma alegria incontrolável de cada um.
Eu, que estava de queixo caído, ainda fui surpreendido por Felipe, que veio direto a mim para dar a sua palheta. E por Hugo, que também se dirigiu a mim e jogou a palheta exatamente sobre as capas dos meus vinis. A guitarra de Felipe foi uma das minhas maiores inspirações para mergulhar no metal há 20 anos. Receber a palheta direto das mãos dele, depois de ter feito uma pestana na sua guitarra e por diversas vezes ter tido a oportunidade de tocar na mesma, alargou ainda mais o sorriso na minha boca. Mas ainda tinha mais …
Saída do show. É a vez de receber o prometido (em cima do palco) autógrafo. Altamente bem receptivos, um a um os vinis e CDs levados para o quinteto foram sendo autografados entre fotos e conversas descontraídas. Pit era o mais emocionado de todos. Ter abraçado e conversado com esse verdadeiro mestre da música nacional colocou finalmente minha boca nas orelhas, tamanha a alegria que o baixista emana por estar tocando, assim como Felipe, Hugo e Guilherme. Até mesmo Andre foi muito gentil atendendo aos fãs. 

Recordações do show: LPs (acima);palhetas, camiseta, set list e baqueta (abaixo)
Saí carregando várias lembranças físicas (palhetas, a baqueta de Guilherme, uma garrafa de água que dividi com Guilherme, o set list do show…), mas as lembranças emocionais de ter visto um grandioso show, acompanhado por aquele que me ensinou a ouvir Viper (no caso, meu irmão Micael) e ter conversado com meus ídolos nacionais do metal valem muito mais do que as lembranças físicas. Impagável é pouco para definir o que aconteceu. Eu diria que, verdadeiramente, é inesquecível!
Obrigado Andre, Felipe, Hugo, Guilherme e Pit por terem realizado o sonho de um garoto de nove anos, que estava no corpo de um homem de vinte e nove anos, revendo e ouvindo seus vinis com a curiosidade e a alegria de um menino que acabou de aprender a andar de bicicleta. Jamais esquecerei isto!! 

Por Micael Machado

Bem, depois do emocionante relato do Mairon aí em cima, o que mais posso acrescentar para descrever esta fantástica noite? Talvez pouca coisa… ou não!
Foi lá por 1991, 1992. Minha irmã ou meu irmão (provavelmente ele) estava assistindo ao programa da Mariane no SBT em uma manhã preguiçosa de inverno, em busca de alguns desenhos infantis para se divertir. Algumas bandas costumavam aparecer nesse programa para fazer playbacks de suas canções como forma de divulgação de seus lançamentos. Naquele dia específico, apareceu por lá um quarteto paulista denominado Viper, do qual eu nunca havia ouvido falar. Entre uma pergunta sem noção e outra da apresentadora, os caras tocaram “Living for the Night” e “A Cry From The Edge”, do disco Theatre of Fate (1989). Meu queixo simplesmente caiu com a qualidade das músicas. Começava ali um caso de amor com o grupo, que me levou a conhecer a história daqueles garotos e saber que aquela não era a formação que havia registrado aquele disco. O vocalista Andre Matos havia saído da banda antes dessa apresentação na televisão. Vê-los no Programa Livre do mesmo SBT (então apresentado por um Serginho Groisman totalmente identificado com a juventude brasileira, algo que ele tenta fazer até hoje), dessa vez tocando “ao vivo” músicas de Evolution(1992), seu disco mais recente então, me fez comprar todos os seus discos (já lançados e futuros), me associar ao fã-clube oficial (única banda com a qual fiz isso) e pensar até hoje que não há disco de heavy metal melódico já gravado no Brasil que supere o citado Theatre.
Tive a oportunidade de vê-los ao vivo apenas uma vez, na turnê de Tem Prá Todo Mundo (de 1996). Inexperiente no mundo dos shows, em uma época pré-internet, pensei que iriam tocar apenas músicas daquele disco e não fui à apresentação. Me arrependo até hoje, pois depois disso o grupo se separou e só foi voltar a gravar dez anos depois, lançando o muito bom All My Life (2007) e fazendo uma turnê que, se passou por Porto Alegre eu não fiquei sabendo ou não tive condições de acompanhar.
Até que, no começo deste ano, totalmente do nada surgiu a notícia de que Pit Passarell (baixo e vocais) e Felipe Machado (guitarras) haviam se reunido a Guilherme Martin (bateria) e Andre Matos (voz) para uma turnê comemorativa aos 25 anos do grupo. Yves Passarell, o guitarrista e irmão de Pit, não estaria presente, mas seria substituído por Hugo Mariutti (Ex-Shaaman, atual membro da banda solo de Andre), o que significava que a qualidade seria mantida. A ideia era interpretar na íntegra os dois discos gravados com Andre – os clássicos Soldiers Of Sunrise e Theatre of Fate – além de outras “surpresas”. Quase a realização do que havíamos imaginado em um texto da nossa coluna “Notícias Fictícias que Gostaríamos que Fossem Reais” de maio de 2011. E uma data foi marcada para Porto Alegre, em 21 de julho de 2012. É claro que desta vez eu não iria desperdiçar a oportunidade.
Eu e meu irmão chegamos ao teatro do CIEE com grande expectativa para a noite. Passamos pelo bom show da Phornax (fazia tempos que uma banda de abertura não me impressionava tanto). Ao final, corri para a “lojinha” do lado de fora da sala de espetáculos (administrada pela atenciosa e simpática Ticiane) para adquirir o EP que estavam divulgando, o já citado Silent War. Que eu lembre, apenas o grupo Poços e Nuvens, na abertura do show do Focus em 2003, havia me atingido de tal forma a ponto de comprar o seu disco baseado em umopening act para um grupo de maior expressão. Se mantiverem a qualidade das músicas do EP, esses caras (com quem tive a oportunidade de bater um papo após a apresentação deles, ao lado do Mairon) ainda vão longe.
Phornax e a dançarina

Veio a apresentação da Scelerata. Foram quarenta e cinco minutos que não me agradaram muito. O estilo não é ruim, nem a banda toca mal, mas as composições não caíram no meu gosto. A melhor coisa do show foi o cover para “Run to the Hills” (do Iron Maiden), o que deve significar alguma coisa. Talento eles têm, mas não foi a melhor apresentação de abertura da noite.

Scelerata no palco do teatro do Ciee 
Mais meia hora de espera… Chegava, enfim, a hora da atração principal. Se nos outros shows o teatro estava ainda com lugares vazios, na hora do Viper estava totalmente lotado. E ninguém queria ficar sentado em seus lugares. Muitos, como eu e meu irmão, se mandaram para a frente do palco, o que nos propiciou todos os fatos interessantes que ele relatou.
Nas duas primeiras músicas, fiquei como um tiete louco agitando as capas dos vinis de Soldiers e Theatre para o grupo. Felipe, bem à minha frente, foi o primeiro a perceber, depois Pit e finalmente Andre que, como o Mairon disse, veio até nós e “apresentou” os discos ao público. Nunca algo nem próximo disso havia me acontecido em todos esses anos de idas a shows. Agora, ouvir Pit dizer que havia nos visto com os discos embaixo do braço na chegada ao teatro e que se emocionou a ponto de querer parar e assiná-los ali mesmo foi muito bom.
O show continuou com a categoria de sempre. Felipe agitando muito, sempre carinhoso com o público. Diversas vezes se ajoelhava ou deitava no palco, pertinho de quem estava ali na “zona do gargarejo”, colocando sua guitarra perto o suficiente para que os fãs pudessem tocá-la. Lembro dele fazendo um solo olhando diretamente para três garotas da primeira fila e, ao final do mesmo, tocar rapidamente na cabeça de cada uma (como que as abençoando). Um momento que pode ter passado batido para muitos, mas que com certeza significou muito para elas.
Viper ao vivo
Por várias vezes o público clamou o nome de Pit, não apenas quando Andre incentivava, mas também de forma espontânea e natural. O cara é uma figura com sua fala desajeitada e jeito desengonçado (também me passou a impressão de ter algum problema de saúde, mas, sinceramente, espero estar errado). Felipe comentou ao final, na conversa comigo e meu irmão, que Pit ainda tem “trejeitos de front-man“. Ele foi o vocalista principal por muitos anos e todos eles foram apresentados nessa noite. Dentre histórias divertidas e íntimas do círculo do grupo (em certo ponto, ao contar da época de adolescente dos membros do Viper e lembrar do começo da banda, ele pareceu envergonhado de dizer que tocavam com instrumentos sem qualidade e que ele, baterista, tinha um tanque do Falcon e dois lápis para fingir de bateria. Feita a revelação, se denominou um man-in-black, e fez um gesto com a mão como se segurasse a caneta que os personagens do filme usam para fazer as testemunhas de um evento esquecerem o que viram. Nos mandando “olhar para a luz”, perguntou se tinha funcionado ou se ainda lembrávamos da história, rindo bastante ao ouvir a resposta que ainda lembrávamos de tudo). Foi a grande figura da noite, o centro das atenções e, segundo Andre, o responsável por tudo aquilo estar acontecendo. Salve, salve, grande Pit Passarell!
Andre Matos dispensa comentários. Os anos de estrada o transformaram em um dos maiores front-man do rock mundial, assim como uma das melhores vozes do metal. Ainda que alguns teimem em dizer que seu alcance vocal não é mais o mesmo, ele ainda detona no microfone, como demonstrou ao longo de toda a noite. Além disso, é dono de um carisma e simpatia enormes, o que faz com que todos se rendam à sua performance de palco. Discursou em favor do metal nacional, dizendo que o teatro lotado era a prova de que o público ainda apoia o estilo, ao contrário do que alguns apregoam. Agradeceu por diversas vezes aos presentes e ainda nos fez cantar o Hino Rio-grandense inteiro “para que os outros membros do Viper vissem o quanto os gaúchos se orgulham de seu estado“, segundo suas palavras. Reclamou por ainda não ter tomado chimarrão naquela noite e elogiou o vinho produzido em Bento Gonçalves. Um perfeitoentertainer que conquistou a todos os presentes!
Andre Matos ao teclado
Guilherme Martin, que curiosamente nunca gravou material oficial com o grupo, apesar de estar presente em vários momentos importantes de sua história, manda muito bem em seu kit de bateria. Assim como o “novato” Hugo Mariutti que, sendo um músico mais técnico que Yves Passarell, o substituiu a contento, apesar de sua postura tímida e retraída no canto do palco como se não se sentisse à vontade na banda. Bobagem… O cara parece nascido para tocar no grupo! Apesar de algumas falhas no som de sua guitarra ao longo da apresentação (por vezes não se conseguia ouvir o instrumento com clareza), mandou muito bem!
Ainda houve tempo para eu receber uma palheta diretamente das mãos de Pit, um dos músicos que me fez optar por tocar baixo, e de cumprimentar Felipe e Andre ainda no palco em uma noite que, se tivesse terminado ali, seria perfeita. Mas ainda havia mais.
Na volta para o bis, Felipe disse que tinha visto uma faixa pedindo a música “Evolution” e que a mostrássemos para Pit (que ainda não tinha voltado ao palco) para tentar convencê-lo a tocá-la. Quando o baixista voltou, a faixa foi passada às suas mãos e, após alguma enrolação, ele tocou e cantou toda a introdução com potentes linhas de baixo e a interpretação da letra até a parte “I will bring you back home, dead or alive, I don’t know”. Andre então disse que o grupo não havia ensaiado o resto. Pit anunciou que tocariam outra daquele disco, vindo até o Mairon e pegando a capa do mesmo para mostrar ao público. “The Spreading Soul”, que nunca foi das minhas favoritas deste vinil, teve uma bela versão com os vocais divididos entre Pit e Andre. O teatro incendiou mesmo com “Rebel Maniac” (cantada por Andre, com a presença dos músicos da Sceleratta e membros da equipe técnica nos backing vocals) e a versão rápida de “We Will Rock You” – que algum imbecil da revista Bizz certa vez chamou de “sacrilégio com a versão lenta original”, sem se aperceber que o próprio Queen a tocava desta forma em seus concertos. Certos jornalistas musicais, hein, vou lhes contar…
O show terminou e a noite não parecia poder ficar melhor. Mas ficou! Encontramos os membros da banda para autógrafos e bate papo, sendo que primeiro me dirigi a Hugo (que parecia meio isolado pelos fãs, um pouco escondido mais ao fundo) com meus CDs do Shaaman e de Andre solo para ele autografar. Depois, foi a vez de Guilherme, que assinou o encarte de Theatre. Quando eu e o Mairon lhe falamos que tínhamos ganhado palhetas dos outros membros, ele pediu para alguém trazer uma baqueta, entregando-a ao Mairon com a frase “não é justo você ter uma lembrança dos outros e não ter nenhuma minha”. Puxa… Quando eu esperaria que um músico reconhecido fizesse algo assim tão humilde e, ao mesmo tempo, tão grandioso para com um simples fã? Foi de emocionar!
Pit finalmente apareceu e foi a ele que me dirigi. Conversei bastante, contei algumas histórias da minha relação com a banda e ele parecia honestamente feliz e emocionado ao ouvir o relato de um simples fã como eu. Pediu para tirar várias fotos e foi de uma atenção enorme para comigo e o Mairon. Não tenho palavras para descrever este momento, o qual, sozinho, já valeu a noite!
Fã-bolha e seu ídolo
Felipe foi o próximo e uma brincadeira que eu e o Mairon temos há anos não poderia deixar de ser feita. Após lhe apresentarmos nossas identidades para que ele não tivesse dúvidas quanto à coincidência, lhe chamamos de “primo” devido a termos o mesmo sobrenome. Ele achou legal e tentou achar relações entre sua família (paulista) e a nossa (gaúcha), sem sucesso, é claro. Mesmo assim, foi com a frase “um autógrafo do primo Felipe Machado” que assinou os discos, em mais uma demonstração de como esses caras são gente boa pacas!
Um segurança tentava tirar os fãs que ainda restavam para fora do teatro, que tinha de ser entregue, mas ainda faltava falar com Andre. Sentado em uma das poltronas, nos recebeu com simpatia e autografou a tudo e conversou com todos com uma humildade que muitos músicos de menor expressão não possuem. Apesar de rápido, foi outro momento marcante e fomos delicadamente “colocados para fora” pelo segurança para que o teatro pudesse ser fechado.
Voltamos para casa comentando os vários fatos marcantes de uma noite inesquecível. Foi só ao chegar que percebi que não tinha pego sequer um autógrafo de Pit, tendo ficado “perdido” no agradável bate papo e na improvisada “sessão de fotos” que fizemos. Sendo assim, Pit, se vier a ler estas linhas, saiba que tens a obrigação de voltar a tocar em Porto Alegre e autografar adequadamente os meus discos, além de fazer um show tão bom ou ainda melhor que este (se é que isto é possível). Vou ficar esperando! 

Set list

Set list

Parte 1: Soldiers of Sunrise
1. Intro
2. Knights of Destruction
3. Nightmares
4. The Whipper
5. Wings of the Evil
6. Signs of the Night
7. Killera (Princess of Hell)
8. Soldiers of Sunrise
9. Law of the Sword
10. H. R.
Parte 2 – Theatre of Fate
1. Illusions
2. At Least a Chance
3. To Live Again
4. A Cry from the Edge
5. Living for the Night
6. Theatre of Fate
7. Moonlight
8. Prelude to Oblivion
Bis
9. Evolution (Excerpt)
10. The Spreading Soul
11. Rebel Maniac
12. We Will Rock You

Fonte: http://consultoriadorock.blogspot.com.br/2012/07/review-exclusivo-viper-porto-alegre-21.html

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