2014/10/09 – Andre Matos no Rio de Janeiro

 

Posso dizer que sou uma pessoa privilegiada. Eu fui em todos dos três shows que oAndre Matos fez no Rio de Janeiro durante a turnê de comemoração do Angels Cry, incluindo aí o show do Rock In Rio. O engraçado é que os dois outros shows foram no mesmo lugar, o Teatro Rival Petrobras, o que fez com que eu tivesse uma forte sensação de déja-vu  ao assistir ao show da última quinta-feira e me lembrasse a todo momento da apresentação de novembro de 2013.

O fato é que o show de 2013 não foi lá tão empolgante. Eu fiquei bem perto do palco, e a impressão que eu tive durante todo o concerto foi de que a plateia estava morta. Ao meu redor não havia mais ninguém pulando e cantando, e isso só mudou depois da segunda metade do show, com o Angels Cry na íntegra. Soma-se a isso o fato de que a guitarra do Hugo eventualmente falhava e o show, que deveria ser espetacular, foi apenas bom, o que me deixou bem frustrado – e se eu tivesse feito resenha, esta apresentação teria ganhado módicos três Alfredos.

SIM, MAS E O ÚLTIMO SHOW?

Apesar do show de 2013 ter sido levemente decepcionante, o fato é que essa resenha fala do show de 2014. E, como você já deve ter visto, este não só levou a nota máxima como também levou o todo poderoso Selo Delfiano Supremo. Mas o que será que aconteceu para, em apenas um ano, o show ter aumentado tanto a sua nota? É o que eu vou explicar nos próximos parágrafos, delfonauta ansioso.

O primeiro ponto importante é que o show começou na hora. Exatamente às 21 horas e 30 minutos, estava ecoando pelo Teatro Rival a introdução do show, que é extremamente empolgante, e dois minutos depois o maestro do MetalNacional já desfilava seus agudos no palco. Dessa vez eu não estava perto do palco, mas estava atrás de todo o público, nas mesas. Essa visão privilegiada me permitiu ver como o público reagia às músicas, o que foi bastante curioso.

As músicas da carreira solo do Andre são tão boas quanto as antigas, mas o fato é que o público quase não reagia às músicas novas. As únicas músicas que mexeram de fato com o público foram as antigas, como Lisbon, Living For the Night e Fairy Tale. As da carreira solo dos outros dois CDs, Rio e I Will Returntiveram uma reação moderada, enquanto as do último disco, The Turn of The Lights, praticamente não mexeram com quem estava presente. Isso é uma pena, pois não só são músicas muito boas como também compunham metade do setlist da primeira parte do show.

Outra grande diferença entre este último show e o de 2013 foi o momento solo do baterista Rodrigo Silveira. No show de 2013, o solo de bateria foi absurdamente longo e chato, e ao que parece a banda percebeu como isso prejudicava o show e diminuiu a duração dele. Assim, o solo de bateria do show mais recente foi bem mais curto e por isso mais palatável.

UM ANDRE CANTA BEM, DOIS ANDRES CANTAM MUITO MAIS

No entanto, nada tornou esse show mais especial do que a performance do Andre. Ele estava cantando ainda melhor do que no show do Rock in Rio, mas, como se isso não fosse o bastante, ele ainda acrescentou um efeito na voz que tornou a experiência ainda mais interessante. O efeito a que me refiro fazia com que a voz do Andre funcionasse como um teremim, e eventualmente, quando ele dava um agudo, um outro agudo surgia, complementando o primeiro. Isso, somado ao fato da voz do Andre estar bastante encorpada e potente, dava a impressão de que estávamos presenciando a performance de dois Andres!

Eu dou bastante destaque ao fato de o Andre ter usado esse efeitos pois sei que muita gente não gosta de efeitos na voz e prefere performances em que o vocalista usa o mínimo de efeitos possível. Porém, destaco aqui que, independentemente de ele estar usando efeitos, a voz dele estava impecável – afinal de contas, você pode usar quantos efeitos quiser, se não estiver cantando bem isso ficará visível. Os efeitos que ele usou apenas incrementaram a performance e deixaram a experiência ainda melhor.

Um grande exemplo disso foi na música Stand Away. Eu vi Stand Away no show de 2013, mas mesmo sendo com o vocalista original, a performance não foi mais épica do que a do DVD do Angra.

Não achei que veria uma performance tão grandiosa quanto o dueto protagonizado por Tarja e Lione, mas vi. Nesse show, a banda conseguiu criar uma atmosfera tão impactante quanto a do Angra, e sei que grande parte disso se deve ao efeito usado. A “cereja do bolo” dessa performance foi quando, ao fim da música, Andre parou no centro do palco e meditou, repetindo o fim da For Tomorrow do DVD Ritualive. A diferença foi que não havia o fogo falso e que as luzes eram vermelhas, mas confesso que foi tão emocionante quanto.

ANGELS CRY NA ÍNTEGRA

E, como eu já esperava, foi só com o Angels Cry na íntegra que o público foi de fato ao delírio. A performance do disco foi mesmo empolgante, e por tudo o que eu já destaquei anteriormente, ficou ainda melhor do que no show antigo. Angels Cry, Time, Evil Warning e Wuthering Heights foram as músicas que ficaram melhores.

Contudo, eu senti falta de uma iluminação mais caprichada. No show do Angrano Circo Voador, os efeitos de luz estavam muito bons, e isso fez com que eu fosse mais crítico quanto a isso nesse show do Andre. Isso foi de fato uma decepção, mas não foi tão determinante para valer uma nota mais baixa – até porque aqui a iluminação também teve os seus bons momentos, como o fim daStand Away e também a Never Understand, que foi, de longe, a que teve a melhor iluminação.

UM SHOW PARA SE RECORDAR

O balanço final desse show não poderia ser melhor. O show foi um espetáculo e entrou para o meu Top 5 – justamente no lugar do outro show do Andre, o do Rock in Rio. Mas é claro que o melhor ainda está por vir.

Após o show, o Andre concedeu uma entrevista ao DELFOS, que você confere amanhã, neste mesmo horário e neste mesmo site. Continue delfonado!

Setlist:

01 – Intro
02 – Liberty
03 – I Will Return
04 – Course of Life
05 – Rio
06 – The Turn of the Lights
07 – Fairy Tale
08 – Stop!
09 – Lisbon
10 – On Your Own
11 – Living For the Night
12 – Unfinished Allegro
13 – Carry On
14 – Time
15 – Angels Cry
16 – Stand Away
17 – Never Understand
18 – Wuthering Heights
19 – Streets of Tomorrow
20 – Evil Warning
21 – Lasting Child

Fonte: http://delfos.jor.br/conteudos/index_interna.php?id=17485&id_secao=2&id_subsecao=14

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