2015/04/08 – To Lira and Again – Viper 30 Anos – Manifesto Bar/SP

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Resenha Viper – To Lira and Again

O ano era 1985. O heavy metal no Brasil era algo ainda um tanto desconhecido. Muitos dos nomes aclamados que hoje conhecemos, não existiam. Korzus, Sepultura, Harppia, Stress e Centúrias  entre outros nomes célebres do Heavy Metal Nacional eram embriões, gerados nas garagem de seus respectivos criadores. E então chegou algo completamente novo no nosso pais, um festival de rock, nos moldes dos gringos, chamado Rock in Rio – O Maior Festival de Todos os Tempos. O tal Rock in Rio se deu entre os dias 11 e 20 de janeiro daquele ano, em Jacarepaguá, num terreno de 250 mil m² que ficou conhecido como Cidade do Rock, perto do Riocentro, na cidade do Rio de Janeiro. Nomes como Iron Maiden, Queen, Whitesnake (substituindo o Def Lepard de última hora), Rod Stewart, James Taylor, Scorpions e AC/DC, até então inéditos no Brasil se juntaram ao nosso time, composto por Lulu Santos, Alceu Valença, Eduardo Dusek, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens e uma legião estelar de artistas brasileiros e fizeram algo nunca visto antes.

(Korzus, Sepultura, Harppia, Dorsal Atlântica, Metalmorphose, entre outros nomes célebres do Heavy Metal nacional, estavam apenas em início de carreira, soltando ou preparando seus primeiros registros. – versão do Batalha)

O que hoje conhecemos como o Primeiro Rock in Rio reuniu quase um milhão e meio de fãs enlouquecidos durante os seus 10 dias, abrindo portas para as bandas internacionais e colocando o Brasil na rota obrigatória de suas turnês.

Entre tantos hoje famosos no Heavy Metal, uma história se destaca: naquela mesma semana, um grupo de Higienópolis, em São Paulo, havia recrutado um garoto de 13 anos para o posto de vocalista de sua banda. E esse garoto, que estava no Rock in Rio, voltou convicto do que seria para o resto da vida. Ele queria ter uma banda como uma daquelas que estrelera aquele festival, que parecia algo tão distante para nós.

Tal banda, que vivia mudando de nome, começou a ensaiar e a compor, foi para a rua procurar pessoas e achou gente disposta a ajudar, como Celso Barbieri, o apresentador da “Praça do Rock” de SP. Mal sabiam que estavam escrevendo a história do Heavy Metal nacional.

Celso Barbieri era o responsável pelo Projeto Metal SP, no Teatro Lira Paulistana, na região de Pinheiros, em São Paulo. E ele resolveu apostar naqueles meninos. E a banda abriu para o Platina (dos irmãos Busic – Dr. Sin) aquela tarde de 08 de abril de 1985. À platéia (de aproximadamente 60 pessoas), formada quase que totalmente por músicos, somavam-se a pais e irmãos dos que estavam no palco.

E assim estreou o Viper! Com apenas 3 musicais autorais e covers de Judas Priest, Saxon e Venom, o Viper ganhou o público e abriu as portas do estrelato.

Com Andre Matos nos vocais, Pit Passarell no baixo, Felipe Machado e Yves Passarell nas guitarras e Cassio Audi na batera, a banda ganharia o mundo em tempo recorde. Em 1987 lançaram seu primeiro álbum, Soldiers of Sunrise, fizeram shows em vários lugares do país e ainda quase incendiaram – literalmente – o Colégio Rio Branco.

Para o próximo álbum, o antológico Theatre of Fate, Cassio Audi já não estava mais no posto de baterista. A primeira opção da banda era Val Santos – amigo e roadie desde os primórdios -, mas o produtor, Roy M. Rowland, achou melhor que fosse chamado outro baterista. Então Sergio Facci, da banda também paulistana Vodu, assume as baquetas, mas não sai em tour com a banda. Guilherme Martin é chamado para o cargo.

A banda é sucesso no Japão e Europa, sendo uma das primeiras bandas de metal do Brasil a alcançar esse feito.

Com o fim da Fate On Tour, Andre Matos dá adeus à banda para se dedicar aos estudos. O Viper segue com Pit Passarell nos vocais e lança Evolution, que também traz outra substituição de baterista. Sai Guilherme Martin, entra Renato Graccia.

Andre Matos, por outro lado, forma o Angra, em 1992 e no ano seguinte, sai em tour para promover o debut da banda, o álbum Angels Cry, rodando o mundo e se tornando, junto ao Sepultura, uma das mais conhecidas bandas de metal brasileiro no mundo.

O Viper faz turnê pelo Japão, onde grava o ao vivo Maniacs in Japan. Na seqüência vem os álbuns Coma Rage e Tem Pra Todo Mundo e o Viper dá sua primeira freada na carreira.

Em 1994, com a saída de Bruce Dickinson do Iron Maiden, Andre Matos teve seu nome cotado para substituir o vocalista.

Enquanto isso, o Angra lança o aclamado Holy Land – mesclando música erudita, ritmos brasileiros e música pesada; sendo comparado ao também atemporal Roots, do Sepultura – e subsequentemente, Fireworks.

Toyshop, Luxuria, Los Ayalas, Metanol… São apenas algumas bandas pelas quais os membros do Viper passaram nesse recesso.

Nesse período, Andre Matos também se separa do Angra, lança seu primeiro projeto solo, o Virgo – juntamente com seu amigo de longa data, Sascha Paeth -, e forma o Shaman.

Em 2001, o Viper volta a ativa e “reata” com Andre Matos, fazendo alguns shows juntos, com jams das duas bandas. Logo depois, Ricardo Bocci entra na banda como vocalista e Val Santos assume o posto de guitarrista deixado por Yves – que foi para o Capital Inicial.

2003 parece ser o Ano para Andre Matos, o CD Ritual do Shaman, lançado pela Universal Music é sucesso, turnês com datas sold out e a gravação do DVD RituAlive, no Credicard Hall, em São Paulo, com o record de lotação da casa até hoje, oito mil pessoas.

2005 é o ano do aniversário de 20 anos do Viper, comemorado com o lançamento do DVD Viper – 20 Years Living For The Night, com um documentário, entrevistas e imagens de backstage e arquivos pessoais de todos os integrantes da banda. No mesmo ano, Andre Matos lança o Reason, com o Shaaman (agora com um ‘a’ a mais) e excursiona pelo país e América Latina.

O próximo CD de estúdio de inéditas só acontece em 2006. All My Life conta com a volta de Andre Matos para os vocais de Love Is All, fazendo dueto com Ricardo Bocci.

A banda faz outra parada, Ricardo Bocci se desliga definitivamente do Viper. Andre Matos também se desliga do Shaaman e entra em carreira solo, lançando Time To Be Free (2007) e Mentalize (2009). Felipe Machado escreve os livros: Olhos Cor de Chuva, O Martelo dos Deuses, Ping Pong – As Aventuras de um Jornalista Brasileiro na China Olímpica e Bacana Bacana – As Aventuras de um Jornalista pela Copa do Mundo da África do Sul; além de assinar seu site ‘Palavra de Homem’, continuação de sua coluna no Jornal da Tarde, e também já ter trabalhado nos jornais O Estado de São Paulo, Diário de São Paulo e Rede Bom Dia, como diretor de Mídias Digitais, já foi correspondente internacional do The New York Times e outros tantos veículos do mesmo porte. Pit Passarell é considerado um dos maiores compositores do Rock nacional, tendo hits gravados pelo Capital Inicial. Guilherme Martin já substituiu Iggor Cavalera no Sepultura por alguns shows e é até hoje seu homem de confiança.

Em 2011, Andre Matos, que se encontra vivendo na Europa monta o Symfonia, juntamente com Timo Tolkki (ex-Stratovarius) e lançam o CD “In Paradisium” e começando a turnê mundial de divulgação em fevereiro daquele ano. Mas a banda não dura e, em dezembro, Timo Tolkki anuncia seu fim.

E a To Live Again Tour vem em 2012. O site Wikimetal, formado por Nando Machado (irmão de Felipe Machado), Rafael Masini e Daniel Dystyler (ambos amigos e ex-roadies do Viper) traz de volta, depois de 22 anos longe da banda, Andre Matos que, por sua vez, traz consigo Hugo Mariutti. A grande sacada dessa reunião era tocar os dois primeiros álbuns na íntegra e algumas surpresas. Qual o fã que ia perder isso?

Anunciada em abril 2012, a tour teve início em 22 de junho daquele ano, no Central Rock Bar, em Santo André/SP e rodou o Brasil. O que era para ter durado somente o mês de julho, antecedeu-se a junho, englobou o lançamento de The Turn Of The Lights, de Andre Matos e alongou-se até aquele dezembro. Como registro definitivo desse encontro, o show do Via Marquês, em São Paulo, foi imortalizado em áudio e vídeo.

Andre Matos voltou para a banda solo, partindo para a turnê de divulgação de seu mais novo CD – The Turn Of The Lights – e, aproveitando o gancho do Viper, comemorando os 20 anos do Angels Cry, do Angra, tocando o álbum na íntegra.

Em 2013, Andre Matos e Viper estiveram juntos em mais dois momentos: em um show na capital Argentina, Buenos Aires e, de volta onde tudo teve início – Andre Matos + Viper abriram o último dia, no Palco Sunset, do Rock in Rio 2013, no dia do metal, batendo record de público e audiência daquele ano.

Os meses se passaram e a promessa do DVD era cada vez mais longínqua. O Wikimetal também havia anunciado o re-lançamento dos 2 primeiros plays do Viper, Soldiers Of Sunrise e Theatre Of Fate, porém só o segundo foi lançado. Além do DVD, o Soldiers of Sunrise, sofria problemas de direitos autorais e seus lançamentos foram adiados algumas vezes.

E então, a espera acabou… Em partes.

Em 10 de março de 2015, o Wikimetal e Manifesto Produções anunciaram a Festa de Comemoração dos 30 Anos do Viper na estrada e a pré-venda do CD Live In São Paulo. Inicialmente, não havia informações concretas se o Viper faria alguma apresentação ou não. Com a data ficando próxima, foi anunciado que, além da presença de todos os integrantes da banda, o Viper executaria o mesmo set daquele dia 08/04/1985. To Lira Again

Na véspera do evento, o Wikimetal liberou um trecho do DVD, com o hino da banda, Living For The Night.

Viper - Mani

TO LIRA AGAIN

O press-release do evento trazia tudo que os fãs da banda sempre sonharam: ver aquela banda de amigos, com todos os amigos no palco! E, de quebra, ainda conferir uma prévia do tão aguardado DVD.

“30 anos, três décadas, 11.000 dias. Pela dinâmica de vida, esse período de existência de um grupo equivale ao menos a um século se colocado na dimensão humana. Ainda mais de um grupo de Heavy Metal.

É o que completa o Viper neste 8 de abril. A efeméride é registrada com Live in São Paulo, CD (primeiro) e DVD (na sequência) em que os 30 anos são repassados por meio dos principais clássicos, e com a formação se não a original o mais próxima da clássica da banda.

O Viper nasceu como um grupo de amigos. E assim permanece até hoje. O vocalista Andre Matos, ainda tocando sua carreira solo e após passagens por Angra e Shaman, retornou à trupe. O guitarrista Yves Passarell, atualmente no Capital Inicial, participa da festa, mas em seu posto como titular está Hugo Mariutti. O quinteto é completo com Pit Passarell (baixo), Felipe Machado (guitarra) e Guilherme Martin (bateria). Na pilotagem da mesa de som, Maurício Cersosimo, irmão do baterista, produtor de áudio do trabalho e dono de currículo com Titãs, Lobão, Skank e Emicida, entre outros.”

A festa começou as 21 horas em ponto, com a abertura do Manifesto Rock Bar. Já haviam chegado Val Santos, Felipe Machado e Guilherme Martin. O primeiro convidado a dar o ar da graça foi André Góis (vocalista do Vodu e Desaster), logo após, Andre “Pomba” Cagni (também do Vodu); Marcos Kleine (Ultraje a Rigor); Marcos Nazareth (Bazooka); Carlinhos e Paulo Anhaia (Monster)… Aos que estavam ali e tinham menos de 25 anos de idade, não estavam entendendo muito bem quem eram aquelas pessoas ou o que estava por vir…

Andre Matos logo chegou, seguido de Hugo Mariutti e Pit Passarell (e, não, eles não conseguiram se esquivar dos fãs que faziam fila na porta do Manifesto, em plena quarta-feira!). O Viper estava completo.

Como prometido, o CD Live In São Paulo estava a venda, juntamente com camisetas da banda.

Ainda com muita gente por entrar, Nando Machado e Rafael Masini sobem ao palco e anunciam que mostrarão 4 faixas do DVD (sendo 3 inéditas), porém o sistema de som e vídeo da casa apresentou algum tipo de problema e nem todas as faixas foram exibidas.

Depois de algumas tentativas frustradas de mostrar o DVD, eis que descem ao palco do Manifesto: Pit Passarell, Felipe Machado, Hugo Mariutti, Guilherme Martin e Andre Matos.

Ainda com clipes do DVD rolando no novo telão do Mani, Pit Passarell saúda os presentes que lotam o espaço. E então Andre Matos dá uma curta explicação daquela noite, há 30 anos.

Uma atenção especial para o backdrop: era o mesmo que estava no Colégio Rio Branco.

Com a formação atual, o Viper tocou as únicas três músicas autorais que eles tinha à época: Nightmares, Signs of The Night e The Whipper. Curiosidade da banda que contou que a primeira vez que uma música deles havia sido tocada em rádio, pelo nome, acharam que a banda era gringa.

Após o set autoral do Viper, começou a sucessão de convidados no palco, Paulo Anhaia, Naza, Maurício Cersosimo e Val Santos entraram no palco para Night of the Demon, da extinta banda inglesa Demon.

Carlinhos Anhaia, Nando Machado, Marcos Kleine – o primeiro baterista do Viper – e Val Santos sobem ao palco para o cover mais “acertado” para o repertório do Viper: Countess Bathory – do Venom – escolha da época de Andre Matos, fã da banda.

Para o cover do Saxon, Andre “Pomba” Cagni, Daniel Matos (irmão de Andre Matos), Jose Luis Xinho Gemignani e Renato Graccia se juntaram a bagunça.

Para Breaking The Law, do Judas, Sergio Facci assume a batera e Andre Matos divide os vocais com “Andrew Góis”.

Em Run To The Hills, Viper e convidados já estavam enturmadíssimos e emendaram HR, chamando Yves Passarell para as guitarras.

A festa acabou com as clássicas: A Cry From The Edge (sem os vocais de Andre Matos), Living For The Night, Prelude to Oblivion e Rebel Maniac.

Após esse presente para os fãs, Viper e convidados atenderam todos os presentes, tirando fotos, dando autógrafos e conversando um pouco com cada um que lá estava e testemunhou esse momento único. E, daqui 30 anos, o Manifesto será pequeno para todos os que dirão “Eu estive lá!”, assim como o Lira Paulistana é hoje em dia. Segundo Andre Matos, se todo mundo que disse que estava lá for verdade, dá pra encher o Itaquerão!”, risos.

Confira a festa no link abaixo:

Mas aos que pensavam que a festa havia acabado, se enganaram. O Bazooka de Guilherme Martin subiu ao palco e continuou a bagunça, tocando covers de Iron, Sabbath e AC/DC. Paulo Anhaia, Leo Belling (Republica) e Andre Matos ainda voltaram ao palco para presentear mais uma vez o público.

Parabéns, Viper! E que venha o DVD, quem sabe uma tour e muito mais que mais 30 anos de estrada!

Olê, olê, olê, olê, Viper, Viper!

8 de Abril

Agora que eu olhei pra trás

Eu vou pegar outra estrada

As roupas que eu usava não me servem mais

Já tentaram me envenenar me comprar

Me dizer o que falar só pra eu ser

Como você

Gasto os meus dias com televisão

Com meus amigos fazendo um som

Esperando a onda que vai me levar

Tenho respeito por quem sabe usar

Tudo aquilo que me dizem que é errado

Que fica errado que dá errado quando não tem mais

O que é que tem pra fazer?

A noite você vai ver

Pra mim tanto faz pra onde ir

Sempre vai faltar alguém

A noite não vai ser só pra mim

Sempre tem que ter alguém

Agora mesmo você me ligou

Fazendo planos pra madrugada naquela praia

Que eu sempre quis ir

Se eu pudesse ficar sempre assim

Fazendo tudo sem chegar no fim

Não tem mais graça não tem mais graça não ter ninguém

A realidade veio me avisar

Tudo tem seu preço

Ela vai me cobrar

O fim de tudo que ficou pra trás

Deixou saudade, eu já voltei

Não tem mais nada, não tem mais nada

Pra mim tanto faz pra onde ir

Sempre vai faltar alguém

A noite não vai ser só assim

Sempre tem que ter alguém

Tanto faz

Setlist

Viper:

Nightmares

Signs of the Night

The Whipper

Viper + Convidados

Night of the Demon

Countess Bathory

Power and the Glory

Breaking the Law

Run to the Hills

HR

Viper

A Cry from the Edge

Living for the Night

Prelude to Oblivion

Rebel Maniac

Bazooka:

Children of the Grave – Black Sabbath

Green Manalishi – Fleetwood Mac (versão Judas)

Wrathchild – Iron Maiden (Com Paulo Anhaia – Ex-Monster)

Heaven and Hell – Black Sabbath

The Prisioner – Iron Maiden (Com Andre Matos)

Highway to Hell – AC/DC (Com Leo Belling – República)

Ace of Spades – Motörhead

Fotos e texto: Alessandra Martins

Fonte: http://x-presson.com/wordpress/viper-confira-como-foi-a-festa-de-30-anos-em-sp/

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